Maria, Mãe de Deus, nos guie, com seu Filho, no ano de 2024!

    Oito dias depois da celebração do Natal de Jesus, encerrando a Oitava de Natal, a liturgia convida-nos a olhar para Maria, a mãe de Deus (“Theotókos”), solenemente designada com este título no Concílio de Éfeso, em 431. Com o seu “sim” tornou possível a presença de Jesus nas nossas vidas e no nosso mundo.

    Ao longo da história da Igreja, a solenidade de 1º. de janeiro tem enfatizado diversos aspectos do mistério da Encarnação.

    Mas este dia é também o primeiro dia do ano civil do ano da graça de 2024: é o início de uma caminhada que queremos percorrer de mãos dadas com esse Deus que nos ama, que nos abençoa e que conduzirá os nossos passos, com cuidado de Pai, ao longo deste Ano Novo.

    Também celebramos o Dia Mundial da Paz: em 1968, o Papa Paulo VI propôs aos homens de boa vontade que, no primeiro dia de cada novo ano, se rezasse pela paz no mundo. Hoje, portanto, pedimos a Deus que nos dê a paz e que faça de cada um de nós testemunha e arauto da reconciliação e da paz. Em mundo com tantas guerras é urgente gritar pela paz. Que Nossa Senhora, debaixo de seu manto, a Mãe de Deus, aquela que a Igreja proclama como verdadeira Mãe do Verbo Encarnado, não apenas de sua natureza humana, mas de toda a sua pessoa, divina e humana, proclame a paz ao mundo.

    Confiantes em Jesus, nossa Paz, trilharemos esse ano de 2024 que nasce e todos os dias de nossa vida, na esperança e no empenho de sempre vencer o mal e o pecado, pela força do Espírito Santo, derramando sobre nós, fiéis e filhos de Deus.

    As leituras que a liturgia deste dia nos propõe abraçam esta diversidade de temas e de evocações.

    A primeira leitura – Nm 6,22-27 – oferece-nos, através de uma antiga fórmula de bênção, a certeza da presença contínua de Deus ao nosso lado nos caminhos que percorremos todo os dias. Ele será sempre para nós fonte de Vida e de paz. Este texto da bênção de Aarão é apropriado, pois traduz o anseio mais profunda por vida plena e paz. A celebração e a bênção têm como objetivo promover a vida. A promoção e a defesa da vida são bênçãos divinas. Por intermédio de Maria, Deus nos abençoe ao longo de todo ano da graça de 2024.

    Na segunda leitura – Gl 4,4-7 – evoca-se o amor e o cuidado de Deus, mil vezes manifestados na história dos homens. Ele enviou o seu Jesus ao nosso encontro para nos libertar da escravidão e para nos tornar seus “filhos”. É nessa situação privilegiada de “filhos” livres e amados que podemos dirigir-nos a Deus e chamar-lhe “abbá” (“papá”). O tempo de espera se completou com a chegada do menino, o Filho de Deus, Ele se insere na história humana como um de nós, encarando os desafios da nossa fragilidade. Com sua vinda, formamos a grande família de irmãos e irmãos e invocamos a Deus com o nome de Pai.

    O Evangelho – Lc 2,16-21 – mostra como a presença de Deus na nossa história é fonte de alegria e de esperança para todos os homens e mulheres, mas particularmente para os pobres e os marginalizados. Sugere ainda que Maria, a mãe de Jesus, é o modelo do crente que, em silêncio e sem espalhafato, acolhe as propostas de Deus, guarda-as no coração e deixa-se guiar por elas. Reaparece os pastores que proclamam e anunciam tudo aquilo que tinham ouvido sobre o Menino Jesus. Chegando em Belém os pastores encontraram o Menino deitado numa manjedoura, pois não havia lugar para ele na hospedaria. Gente simples e desprezada são os primeiros a receber a boa notícia e a proclamá-la. Assim, como Jesus Ressuscitado confiará aos seus discípulos, pessoas simples e pobres, a proclamação de sua Ressureição e de seu Evangelho, neste episódio de hoje, ainda recém-nascido, o Senhor quis que os pobres e os simples fossem os primeiros anunciadores de seu nascimento. Celebramos, como lemos no Evangelho, o “onomástico” o nome de Jesus, o dia em que seus pais lhe deram o nome anunciado pelo Anjo: Jesus-Salvador. Da mesma forma, Maria, jovem, simples e pobre, aquela que acreditou em Deus e lhe entregou seu “sim confiante”, via e ouvia todos aqueles acontecimentos, guardando-os e meditando-os em seu coração, certamente, convicta de que tudo era por obra, graça e vontade de Deus, o Senhor, em seu mistério benevolente, escolheu a fraqueza – não o fracasso – e os “últimos” para manifestar-se ao mundo e no mundo. Hoje, nós somos os pastores, chamados a anunciar e proclamar a presença de Jesus no mundo e entre nós. Somos chamados a anunciar a verdade e a fé da salvação que Jesus nos trouxe e, acima de tudo, como cristãos, somos convocados a promover a paz que vem de Deus.

    Maria, Mãe de Deus, nos guie, com seu Filho, no ano de 2024! Os pastores descritos no Evangelho foram construtores de pontes – tão necessárias hoje como foram no início do cristianismo. Eles receberam por primeiro a boa notícia da salvação – o Evangelho – também foram os primeiros a anunciar a alegria da chegada do Salvador. Que nós possamos, também, em 2024 anunciar a salvação vinda de Jesus. Que Maria, Mãe de Deus, Rainha da Paz, neste mundo tão carente de cessar as guerras, violências e ódios, nos inspire em sermos construtores da paz, edificando estradas sintonizadas com o Evangelho de Jesus ao longo de 2024 que se inicia sob a proteção da Mãe de Deus!

    + Anuar Battisti

    Arcebispo Emérito de Maringá, PR

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