Vimos, ouvimos e testemunhamos

    No penúltimo domingo de outubro, neste ano o 30º domingo do tempo comum, em comunhão com o Papa Francisco, em tempos de Sínodo da Sinodalidade, celebramos o Dia Mundial das Missões e da Infância Missionária. Também coincide com a possível data do Dia Nacional da Juventude que tem como tema neste ano “que sejam um”.

    No Brasil, o mês das missões tem como tema “Jesus Cristo é a missão!”. A vida é missão. O lema deste mês, que é também o tema da mensagem do Papa é: “Não podemos deixar de afirmar o que vimos e ouvimos” (At 4,20). O lema no Brasil saiu com a tradução: “Não podemos deixar de falar sobre o que vimos e ouvimos”. Enfim este é o contexto e o tema da mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Missões deste ano. Com essa temática, recordamos as pessoas que fazem de sua vida uma missão. São cristãos leigos e leigas, consagrados e consagradas e ministros ordenados que, encontrados pelo amor misericordioso de Deus, fizeram de suas vidas uma missão. São testemunhas apaixonadas pelo Evangelho que transbordam o amor misericordioso de Deus nas realidades onde vivem. Porém, todos os batizados que se encontraram com Jesus Cristo são missionários.

    Essa temática é inspirada na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, que acentua o caráter existencial da missão. “A missão no coração do povo não é uma parte da minha vida, ou ornamento que posso pôr de lado; não é um apêndice ou um momento entre tantos outros da minha vida. É algo que não posso arrancar do meu ser, se não quero me destruir. Eu sou uma missão de Deus nesta terra, e para isso estou neste mundo” (EG, 273). Ser discípulo missionário está além de cumprir tarefas ou fazer coisas, exige uma doação total. Está na ordem do ser e não se reduz a algumas horas do dia. O papa define a missão como “paixão por Jesus Cristo e simultaneamente paixão pelo seu povo” (EG, 268).

    Esse chamado vem do coração de Deus, da sua misericórdia, que interpela tanto a Igreja quanto a humanidade na atual crise mundial. Na cruz, Deus revela que o seu amor é para todos, para cada um de nós. E pede nossa disponibilidade pessoal para sermos enviados, porque Ele é Amor em constante movimento missionário, sempre saindo de si mesmo para dar vida. A missão, a Igreja em saída, não é um programa, uma intenção a ser concretizada por pura força de vontade.

    É Cristo que faz a Igreja sair de si mesma. Na missão de anunciar o Evangelho, nós nos movemos porque o Espírito nos empurra e conduz. Deus sempre nos ama primeiro e com esse amor chega até nós e nos chama. A missão é uma resposta livre e consciente ao chamado de Deus. No entanto, discernimos esse chamado apenas quando vivemos uma relação pessoal de amor com Jesus vivo na sua Igreja, a quem vimos e ouvimos.

    Estamos prontos a acolher a presença do Espírito Santo em nossa vida, para ouvir o chamado à missão de batizados e em qualquer caso, na vida cotidiana comum? Estamos dispostos a ser enviados para qualquer lugar a fim de testemunhar a nossa fé em Deus, o Pai misericordioso, proclamar o Evangelho da salvação de Jesus Cristo, compartilhar a vida divina do Espírito Santo edificando a Igreja? Estamos prontos, como Maria, a Mãe de Jesus, a nos colocar sem reservas ao serviço da vontade de Deus (Lc 1, 38)? Essa disponibilidade interior é muito importante para responder a Deus: Eis-me aqui, Senhor, envia-me (Is 6, 8). E isso respondido não em abstrato, mas na Igreja e na história de hoje.

    Celebrar o Dia Mundial das Missões é reavivar esse dom em nossas vidas e em nossas comunidades reafirmando que a oração, a reflexão e a ajuda material são oportunidades para participar ativamente da missão de Jesus em sua Igreja. A caridade destina-se a apoiar o trabalho missionário realizado pelas Pontifícias Obras Missionárias, a fim de atender às necessidades espirituais e materiais dos povos e das Igrejas, em todo o mundo, para a salvação de todos. Temos nesse dia a coleta pelas missões de pela infância missionária.

    Em tempos de pandemia, realizar essa campanha exige criatividade, reflexão e atenção ao que se impõe. Por isso, a importância de novas adaptações na utilização dos materiais da Campanha Missionária. Incentivamos fazer o lançamento diocesano da campanha, realizar formações e produzir lives e outras modalidades virtuais que possam refletir o tema.

    Desejo que a missão seja, de fato, “uma paixão por Jesus Cristo e simultaneamente uma paixão pelo seu povo” (EG, 268). .

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