Jesus compadece do povo e o alimenta!

    A liturgia do 17º domingo Comum dá-nos conta da preocupação de Deus em saciar a “fome” de vida dos homens. De forma especial, as leituras deste domingo dizem-nos que Deus conta conosco para repartir o seu “pão” com todos aqueles que têm “fome” de amor, de liberdade, de justiça, de paz, de esperança.

    Na Sagrada Escritura, o pão está entre os principais alimentos, pela sua importância para a vida e pela força de seu simbolismo. Desde os tempos antigos, ele representou a proximidade e o cuidado divinos, sendo força física e espiritual para o povo de Deus.

    Eliseu e Jesus, cada um à sua maneira, oferecem aos que lhes cercam o alimento que restaura as forças. O pão que alimenta o corpo sinaliza o Pão que traz a vida, presença de Deus e sua oferta generosa e sem medidas.

    Na primeira leitura(2Rs 4,42-44), o profeta Eliseu, ao partilhar o pão que lhe foi oferecido com as pessoas que o rodeiam, testemunha a vontade de Deus em saciar a “fome” do mundo; e sugere que Deus vem ao encontro dos necessitados através dos gestos de partilha e de generosidade para com os irmãos que os “profetas” são convidados a realizar.

    O Evangelho(Jo 6,1-15) repete o mesmo tema. Jesus, o Deus que veio ao encontro dos homens, dá conta da “fome” da multidão que O segue e propõe-Se libertá-la da sua situação de miséria e necessidade. Aos discípulos (aqueles que vão continuar até ao fim dos tempos a mesma missão que o Pai lhe confiou), Jesus convida a despirem a lógica do egoísmo e a assumirem uma lógica de partilha, concretizada no serviço simples e humilde em benefício dos irmãos. É esta lógica que permite passar da escravidão à liberdade; é esta lógica que fará nascer um mundo novo. Jesus, Ele mesmo Pão da vida, oferece-se a si mesmo no grande mistério de nossa redenção. Sua carne, verdadeiramente comida, e seu sangue, verdadeiramente bebida. No antigo deserto, o povo come o maná; no deserto novo, alimenta-se com o próprio pão oferecido pelas mãos do Filho de Deus. Ele que, “tomou os pães, deu graças e distribui-os aos que estavam sentados, tanto quanto queriam”(Jo 6,11). Antigamente, comeram em pé e com pressa, pois partiam da casa da escravidão; hoje, comem sentados e livres, porque estão na presença do dom de Deus.

    Na segunda leitura(Ef 4,1-6), São Paulo lembra aos batizados algumas exigências da vida cristã. Recomenda-lhes, especialmente, a humildade, a mansidão e a paciência: são atitudes que não se coadunam com esquemas de egoísmo, de orgulho, de auto-suficiência, de preconceito em relação aos irmãos. Ungidos pelo Espírito no Batismo, tornamo-nos um em Cristo. As dificuldades comunitárias devem ser enfrentadas juntos, como membros de uma mesma família sendo mansos, humildes e pacientes. Esta é a receita da harmoniosa comunhão eclesial.

    Jesus compadece do povo e o alimenta! Jesus celebra a Páscoa alimentando o povo faminto. Portanto, a Páscoa se realiza quando as pessoas têm acesso ao que é fundamental para uma vida digna. Diante das necessidades do povo faminto, somos convidados a nos sentirmos responsáveis para que a ninguém falte o pão de cada dia.

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