Francisco: estamos unidos aos cristãos perseguidos por causa de sua fé

Cidade do Vaticano (RV) – “Recordemos tantos irmãos e irmãs cristãos que sofrem perseguições pela sua fé. Estamos unidos a eles”.

Com este tweet o Papa Francisco quis recordar o Dia de Oração e Jejum em Memória dos Missionários Mártires, celebrado este 24 de março, no aniversário da morte do Beato Óscar Romero, Arcebispo de San Salvador.

Ainda hoje tantos missionários são mortos pela sua fé, como aconteceu em 1996 com os sete monges trapistas do Mosteiro de Notre-Dame de Atlas, em Tibhirine, Argélia, massacrados por extremistas islâmicos. Domingo recorre o 21° aniversário da tragédia. Comovente o testemunho do Prior, Padre Christian De Chergé, que antes de ser morto havia escrito uma carta perdoando os seus assassinos. A Rádio Vaticano conversou com o Padre trapista Jacques Briere, Abade dos Mosteiro “Tre Fontane”, em Roma:

“Recordamos um exemplo de vida monástica, vivido até as última consequências, e até o testemunho de sangue. Estes irmãos tinham vindo de diversos mosteiros da França. O milagre de um certo modo é o fato de que apesar da diversidade de origem, pouco a pouco Padre Christian conseguiu criar uma comunidade muito unida e muito desejosa em testemunhar Cristo no mundo muçulmano. Isto se realizou com o dom da vida deles ao Senhor, certamente, mas também à Argélia, porque Padre Christian, o Prior, era um homem de diálogo com o Islã, conhecia muito bem o Alcorão e ele foi o protagonista de um grupo de diálogo entre cristãos e muçulmanos”.

RV: O senhor teve a ocasião de conhecer e encontrar algum deles antes da tragédia?

“Sim, encontrei o Padre Christian. O encontrei mais vezes, por ocasião das reuniões dos Superiores e depois nos encontramos em duas ocasiões, no lugar, em 1985 e 1992. Christian era uma personalidade excepcional, se dizia dele que havia aprendido o Evangelho sob os joelhos de sua mãe e que sua mãe havia sido sua primeira Igreja. Uma existência em que, como escolha desde o início da sua vida, foi marcada pelo diálogo com Deus, se pode dizer, e quando se estava com Christian se via que era um homem de Deus. Me recordo que fiz com ele uma longa viagem do Marrocos até Tibhrine e durante esta viagem paramos para fazer um pic-nic. Era perto do Mediterrâneo, se via o mar, a paisagem era belíssima e antes de comer, Padre Christian nos propôs celebrar a Hora Média juntos. Durante toda a manhã compartilhamos muito sobre a vida monástica, o futuro da comunidade na Argélia e criou-se uma bonita comunhão entre nós. Quando rezamos esta Hora Média a comunhão se ampliou para a comunhão com Deus e a comunhão com todo o cosmos, visto a beleza da paisagem. Christian vivia na presença de Deus e levava com ele esta mensagem da presença de Deus”.

RV: Na sua opinião, qual o legado deste sacrifício? Qual é a mensagem que hoje nos chega destes sete monges?

“É a mensagem que fica também pelos outros missionários que morreram na Argélia nesta mesma época, isto é, o dom gratuito de suas vidas a um povo que faz parte do povo de Deus de uma certa maneira, mesmo que não sejam cristãos, mas são todos filhos de Deus. Penso que a mensagem de Christian é a mensagem de profunda comunhão entre todos os seres humanos, não importa a sua religião e não importam as diferenças que possam existir entre diversos grupos humanos”.

RV: O mosteiro tornou-se hoje uma meta de peregrinação: o que poderá nascer de tudo isto?

“Penso que é um exemplo de fé. Deus nos criou e nos criou em vista de uma felicidade e de modo a sentir esta felicidade eterna a qual Deus nos chama e penso que a vida deles é uma vida de fé: colocaram verdadeiramente a vida deles nas mãos de Deus”.

 

Fonte: Rádio Vaticano

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