Viver para sempre

    Celebramos neste final de semana o trigésimo segundo (32º) domingo do tempo comum. A fé na ressurreição dos morros já estava presente no Antigo Testamento, especialmente no Livro dos Macabeus! Deus revela a verdade, aos poucos, e a todos aqueles que têm boa vontade! Lamentamos a morte porque a carne acaba apodrecendo e tudo vira pó! Mas o homem espiritual crê e espera a vida eterna, a ressurreição da carne!

    Na primeira leitura deste domingo (cf. 2Mc 7,1-14) – sete irmãos Macabeus preferiram manter fidelidade à Palavra de Deus e não aceitaram a proposta do rei e, por isso, não abandonaram sua fé. Preferiram a morte à traição! Eles esperavam de Deus a vida nova de ressuscitados! Para o rei perseguidor não haverá ressurreição para a vida! Haverá, apenas, trevas e o sofrimento será eterno! O capítulo 7 de Macabeus narra a opressão durante o período do império greco-helenista (séc. II a.c), no tempo da revolta dos Macabeus, e a resistência até a morte de uma mãe e seus sete filhos. O império grego dominava a Judeia e impunha sua cultura em detrimento da cultura e da religião judaicas. Assim, obrigava os judeus a desobedecer às prescrições presentes na Lei. Os judeus sabiam que, se cedessem aos gregos, perderiam aquilo que mantinha o povo unido, ou seja, sua identidade, suas tradições, sua cultura, sua religião. Enfim, a aliança que tinham estabelecido com o Deus de Israel. O texto escolhido para a liturgia é importante para nós, cristãos, porque, já no Antigo Testamento, aparece a fé na ressurreição. Portanto, o texto não objetiva apresentar a realidade cruel e a frieza dos torturadores, mas reafirmar a convicção de que Deus é soberano e capaz de gerar vida, mesmo nesse contexto de morte.

    Na segunda leitura (cf. 2Ts 2,16-3,5), o Apóstolo Paulo recomenda-se às orações dos tessalonicenses a fim de cumprir com fidelidade sua missão de pregador, embora, perseguido pelos maus e perversos. A segunda carta aos Tessalonicenses é chamada deuteropaulina, ou seja, é atribuída a Paulo, mas é provável que tenha sido escrita por um discípulo ou um líder da comunidade de Tessalônica que conheceu Paulo.

    Nessa carta, transparece um contexto hostil à fé (cf. v. 2). Nesse sentido, ela está em sintonia com a primeira leitura e com o evangelho, mas também apresenta a esperança na fidelidade de Deus, que guarda a comunidade de todo mal. O texto escolhido para a liturgia contém vários temas. Ele se inicia com um uma súplica (cf. 2,16-17), em seguida apresenta um pedido de oração (cf. 3,1-2) e conclui com a confiança na fidelidade de Deus e com uma bênção (cf. vv. 3-5). Apesar da diversidade temática, podemos dizer que todos os temas giram em torno da oração. O autor inicialmente pede que Deus possa animar a comunidade e confirmá-la em “toda boa ação e palavra” (vv. 16-17). O autor também pede que, na comunidade, uns rezem pelos outros, para que possam continuar anunciando a palavra da salvação, não obstante a perseguição e as tribulações, uma vez que nem todos acolheram essa palavra. Ele apresenta ainda a necessidade de que a Palavra seja não só rapidamente difundida (cf. Sl 147,15), mas também acolhida, para ser glorificada.

    No Evangelho dominical (cf. Lc 20,27-38) Jesus responde à pergunta provocadora dos saduceus (que não acreditam na ressurreição dos mortos: “Nesta vida, homens e mulheres casam-se (…) mas os que forem achados dignos de participar da vida futura, nem eles se casam e nem elas se dão em casamento (…) pois serão iguais aos anjos do céu!” (cf. Lc 20,34-36). Os saduceus apresentam o caso de uma mulher que teve sete maridos, sem deixar descendência. A pergunta que fazem é: “Na ressurreição, ela será esposa de quem?” (cf. Lc 20,33). Essa questão tinha como finalidade deslegitimar a crença na ressurreição dos mortos, visto que, para eles, a Lei do Levirato acenava a impossibilidade da ressurreição dos mortos, sendo a vida continuada nos descendentes. Outra possível interpretação baseia-se na crença de que a vida futura seria semelhante à vida terrena, contendo, porém, somente aspectos positivos. Jesus responde a essa questão em duas etapas. Primeiramente, afirma que o Reino de Deus, ou o mundo futuro, não segue os moldes de nossa sociedade. Aqueles que ressuscitarão serão como anjos, ou seja, terão seus olhos fixos no Deus da vida, pois poderão contemplar Aquele que dá a vida e também viver em comunhão com os irmãos e irmãs, como filhos e filhas amados pelo único Pai. Em segundo lugar, confirma a fé na ressurreição, baseando-se em Êxodo 3,6: um texto do Pentateuco que contém a revelação de Deus a Moisés e a confirmação de que ele é o Deus da vida. Assim, além de provar a ressurreição e refutar a crença dos saduceus, Jesus afirma que a preocupação dos saduceus não deve ser promover a morte, por meio de ações injustas e de um culto desvinculado da vida, mas o verdadeiro culto a Deus é promover a vida ao redor, pois Deus não é o Deus dos mortos, mas da vida, e vida em plenitude.

    Podemos colocar como o cerne do ensinamento de Jesus é a sua palavra para este domingo: “Que os mortos ressuscitam, Moisés também o indicou na sarça, quando chama o Senhor de ‘o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó’, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos, pois todos vivem para ele” (cf. Lc 20,37-38) Deus, o Criador, está para além do tempo. Se Ele ressuscita cada ser humano, é por um ato infinito e eterno de amor criador. Ele dá um nome único, pessoal a cada homem. Ele nunca poderá retomar nem suprimir este ato. Cada ser humano que vem ao mundo é verdadeiramente destinado a viver para sempre. Cada ser humano será para sempre “ele” e não um outro. Cada ser humano viverá para sempre, enraizado no amor eterno de Deus. Pela sua ressurreição, Jesus abriu-nos o caminho da nossa própria vida em plenitude em Deus.

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