“Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo meu agrado. Escutai-o!” (Mt 17, 1-9).
Celebramos nesta quinta-feira a festa litúrgica da Transfiguração do Senhor. Essa festa é celebrada sempre no dia 06 de agosto, independente se caia de Domingo ou num dia de semana, a exemplo desse ano que é numa quinta-feira. O Evangelho que remonta a Festa da Transfiguração do Senhor também é lembrado todos os anos no segundo domingo da Quaresma, fazendo um paralelo com a paixão, morte e ressurreição de Jesus.
A Festa da Transfiguração do Senhor nos ajuda a refletir que é necessário passarmos pelos sofrimentos desse mundo para chegarmos à glória eterna. Temos que ter o mesmo pensamento de Jesus, ou seja, pensarmos como Deus e pedir a ajuda d’Ele para superarmos os sofrimentos.
O Senhor nos chama a subir o monte com Ele, mas ainda não é o momento de focarmos lá, descemos do monte, passemos por tudo que temos que passar por aqui para depois entrarmos na glória definitivamente.
Estamos no mês vocacional, na terça-feira passada celebramos o Dia do Padre, e, no próximo domingo celebraremos o Dia dos Pais e terá início a Semana Nacional da Família, ainda celebraremos o Dia da Vida Consagrada no domingo da Assunção, solenidade transferida do dia 15. No quarto domingo, dia 23 rezamos pelos ministérios leigos na Igreja e, no último domingo, dia 30, o dia nacional dos catequistas. Um mês especial para a Igreja e que devemos nos unir em oração pedindo ao Senhor para que nunca faltem operários para a messe.
Irmãos e irmãs, quando a festa da Transfiguraão ocorre num domingo proclamam-se três leituras, mais o salmo responsorial. A primeira leitura é da profecia de Daniel (Dn 7,9-10,13-14), o salmo responsorial é o 96(97), a segunda leitura é da segunda carta de São Pedro (2Pd 1,16-19), e o Evangelho é o de Mt 17,1-9. Quando ocorre num dia de semana como neste ano a primeira leitura pode ser tanto da profecia de Daniel ou da carta de São Pedro, aí proclamam-se duas leituras mais o salmo responsorial.
A primeira leitura deste dia neste ano pode ser tanto a da profecia de Daniel ou a da segunda Carta de São Pedro. A leitura da profecia de Daniel (Dn 7,9-10.13-14), Daniel era um profeta que tinha uma visão “Teofânica”, que era a visão de Deus, do mesmo modo que Moisés, Daniel conversava com Deus através de seus mensageiros ou através de uma nuvem. No trecho da leitura de hoje Daniel através de um sonho vê um ancião de muitos dias, com a veste branca como a neve e os cabelos da cabeça como lã pura. Esse ancião que Daniel vê é o próprio Deus, sentado em seu reino glorioso nos céus e que um dia virá para julgar o céu e a terra.
A visão de Daniel nessa leitura é semelhante a que Pedro, Tiago e João, terão no Evangelho que leremos a seguir. Eles veem Jesus em seu reino glorioso após a ressurreição e querem ficar lá com Ele. Mas, é necessário passar primeiro pelos sofrimentos para depois chegar à glória. O Reino de Deus é possível a todos e, é um reino que nunca se dissolverá.
O salmo responsorial é o 96(97), que diz em seu refrão: “Deus é rei, é o Altíssimo, muito acima do universo”. Esse salmo retrata a grandeza de Deus e afirma que tudo o que existe no universo é por obra de Deus.
A leitura da carta de São Pedro, que também pode ser proclamada como opção neste dia (2Pd 1,16-19), Pedro dá um testemunho a respeito de Jesus Cristo e diz que nada foi inventado de tudo aquilo que foi escrito, aquilo que se fala a respeito de Jesus não é uma fábula ou conto de fadas, mas eles falam daquilo que viram. Pedro, cita inclusive a passagem do Monte Tabor, sobre a transfiguração que ouviremos hoje. A partir do testemunho dos apóstolos e da revelação da ressurreição de Jesus, tudo aquilo que era obscuro se torna claro, a luz da fé.
O Evangelho é de Mateus (Mt 17, 1-9), e, neste trecho o Evangelho retrata a Transfiguração de Jesus no Monte Tabor. Jesus toma Pedro, Tiago e João e os leva a uma alta montanha, conhecida como “Monte Tabor” para rezar com eles. Jesus se transfigura diante deles, ou seja, muda de aparência. Jesus fica com uma aparência gloriosa, luminosa, a mesma aparência que ele ficaria após a ressurreição.
Nesse meio tempo aparecem Moisés e Elias e começam a conversar com Jesus, Pedro vendo isso diz que é bom estarem ali e que deveriam fazer ali três tendas: Uma para Moisés, outra Elias e outra para Jesus. Pedro ainda falava, quando uma nuvem os cobriu e da nuvem uma voz que dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo meu agrado. Escutai-o!” (Mt 17, 1-9). Ao ouvirem a voz, os discípulos se assustaram e caíram por terra. Jesus toca neles e pede para que eles seguissem sem medo o seu caminho. Jesus recomenda que os discípulos não contassem a ninguém a visão que tiveram, pelo menos até que Jesus tenha ressuscitado dos mortos.
O profeta e o patriarca já haviam passado por esse mundo, estavam revestidos de glória e esperavam que após a morte, Jesus se juntaria a Eles. Essa cena é a junção do Antigo com o Novo Testamento. Os dois personagens importantes do Antigo Testamento junto com Jesus que instaura definitivamente o Reino de Deus. Nessa cena do Evangelho vemos a primeira aliança de Deus com a humanidade e a aliança definitiva que seria selada com a Paixão, morte e ressurreição de Jesus.
Pedro queria permanecer ali pois estava feliz por estar na glória, ele naquele momento pensava como os homens e não como Deus. Mas, é necessário pensar como Deus e ver que o sofrimento é necessário para entrar na glória.
Celebremos cheios de fé e confiança a Festa da Transfiguração do Senhor e, pensemos como Deus, iluminados pelo Espírito Santo passemos pelos sofrimentos do mundo terreno para entrarmos na glória eterna.


