SENTIR COM A IGREJA

    Amar a Igreja Católica é uma marca de todo verdadeiro cristão! Quem ama a Igreja, ama o Papa e, consequentemente, a Deus nosso Pai. Assim deve ser nosso amor filial ao Papa também, na pessoa do amado Papa Francisco, gloriosamente governando a Igreja de Cristo. Amar e respeitar o Papa é estar em comunhão com a Igreja que é Mãe e Mestra, sempre seguindo seus passos, aprendendo dela em todos os âmbitos, seja econômico, social e/ou político. Vivemos um momento de muita polarização no Brasil. Discutir ideias é salutar e um direito de todos os brasileiros. Até onde chegam as discussões e onde começam as violências? Somos chamados a construir pontes em meio a tantas divisões.

    O amor à Igreja perpassa pelo amor ao Papa, com isso na obediência ao Papa e ao Colégio Episcopal. Professamos a nossa fé católica. Somos católicos e devemos assumir todo o depósito da fé à luz do Magistério Pontifício. Confiamos em uma Igreja de mais de dois mil anos, fundada pelo próprio Cristo na pessoa de Pedro. Não só do tempo decorre a sabedoria da Igreja, mas também de seu caráter colegiado, ou seja, não de uma única pessoa, mas de um grupo que se dedica a direcionar o povo de Deus no caminho da santidade. Decorre, sobretudo, da iluminação divina concedida ao Papa e aos Bispos. Com efeito, diz o Código de Direito Canônico que, “assim como, por disposição do Senhor, São Pedro e os outros Apóstolos constituem um colégio, de forma semelhante estão entre si unidos o Romano Pontífice e os Bispos, sucessores dos Apóstolos” (Cân. 330).

    O Papa é aquele que dá continuidade à tarefa que o próprio Senhor concedeu a Pedro, de pastor da Igreja no mundo todo, e em razão do cargo tem poder ordinário, supremo, pleno, imediato e universal, que pode exercer livremente na Igreja. Para cumprimento deste dever, o Pontífice “é assistido pelos Bispos, que o podem ajudar com a sua cooperação por diversas formas, entre as quais o Sínodo dos Bispos. Auxiliam-no também os Padres Cardeais, e ainda outras pessoas e várias instituições segundo as necessidades dos tempos; todas estas pessoas e instituições, em nome e por autoridade dele, desempenham a missão que lhes foi confiada, para o bem de todas as Igrejas” (Cân. 334).

    A autoridade do Papa alcança as dioceses, nas quais confia também aos bispos o exercício do poder conforme a atuação de cada um. “A diocese é a porção do povo de Deus que é confiada ao Bispo para ser apascentada com a cooperação do presbitério” (Cân. 369). Os bispos são sucessores dos apóstolos, constituídos para serem mestres da doutrina, sacerdotes do culto sagrado e ministros da governação (Cân. 375). Recebem a missão de pastores Igreja, a quem cabe ensinar e governar, conforme a necessidade de cada povo, mas sempre em comunhão hierárquica com o Sumo Pontífice e os membros do Colégio.

    Compreendida a sucessão divina de Pedro pelo Papa e a atribuição que lhe cabe de confiar aos bispos o pastoreio de cada diocese, saberemos que aquele que recebe a Ordem Sagrada do Sacramento não percebe essa hierarquia como um regime de poder absoluto, mas sim como um vínculo de obediência a Cristo. Os padres e bispos estão ligados ao Senhor e observam o Romano Pontífice como ponto de referência e de comunhão da Igreja. O Pontífice Romano é guardião da obediência a Cristo e está vinculado aos bispos e padres através da hierarquia, que se conectam aos fiéis por uma Igreja una, santa, católica e apostólica.

    Assim, como católicos devemos aprender e escutar a Igreja que fala por meio do Papa e seus Bispos. Reproduzo a nota Doutrinal de São João Paulo II, em sua audiência do dia 21 de novembro de 2002, de grande atualidade:

    “A fé em Jesus Cristo, que Se definiu a Si mesmo “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6), exige dos cristãos o esforço de se empenharem mais decididamente na construção de uma cultura que, inspirada no Evangelho, reproponha o património de valores e conteúdos da Tradição católica. A necessidade de apresentar em termos culturais modernos o fruto da herança espiritual, intelectual e moral do catolicismo torna-se extremamente urgente e inadiável, até para se evitar o risco de uma diáspora cultural dos católicos. Por outro lado, a espessura cultural alcançada e a madura experiência de empenho político que os católicos, em diversos países, souberam exprimir, sobretudo nas décadas a seguir à segunda guerra mundial, não permite pô-los em nenhum complexo de inferioridade relativamente a outras propostas que a história recente mostrou serem fracas ou radicalmente falimentares. É insuficiente e redutivo pensar que o empenho social dos católicos possa limitar-se a uma simples transformação das estruturas, porque, não existindo na sua base uma cultura capaz de acolher, justificar e projectar as instâncias que derivam da fé e da moral, as transformações apoiar-se-iam sempre em alicerces frágeis.

    A fé nunca pretendeu manietar num esquema rígido os conteúdos socio-políticos, bem sabendo que a dimensão histórica, em que o homem vive, impõe que se admita a existência de situações não perfeitas e, em muitos casos, em rápida mudança. Neste âmbito, há que recusar as posições políticas e os comportamentos que se inspiram numa visão utópica que, ao transformar a tradição da fé bíblica numa espécie de profetismo sem Deus, instrumentaliza a mensagem religiosa, orientando a consciência para uma esperança unicamente terrena que anula ou redimensiona a tensão cristã para a vida eterna.

    Ao mesmo tempo, a Igreja ensina que não existe autêntica liberdade sem a verdade. “Verdade e liberdade ou se conjugam juntas ou miseramente juntas desaparecem”, escreveu João Paulo II. Numa sociedade onde a verdade não for prospectada e não se procurar alcançá-la, resultará também enfraquecida toda a forma de exercício autêntico de liberdade, abrindo-se o caminho a um libertinismo e individualismo, prejudiciais à tutela do bem da pessoa e da inteira sociedade.

    A tal propósito, convém recordar uma verdade que hoje nem sempre é bem entendida ou formulada com exactidão na opinião pública corrente; a de que o direito à liberdade de consciência e, de modo especial, à liberdade religiosa, proclamado pela Declaração Dignitatis humanae do Concílio Vaticano II, está fundado sobre a dignidade ontológica da pessoa humana e, de maneira nenhuma, sobre uma inexistente igualdade entre as religiões e os sistemas culturais humanos[28]. Nesta linha, o Papa Paulo VI afirmou que “o Concílio, de modo nenhum, funda um tal direito à liberdade religiosa sobre o facto de que todas as religiões e todas as doutrinas, mesmo erróneas, tenham um valor mais ou menos igual; funda-o, invés, sobre a dignidade da pessoa humana, que exige que não se a submeta a constrições exteriores, tendentes a coarctar a consciência na procura da verdadeira religião e na adesão à mesma”[29]. A afirmação da liberdade de consciência e da liberdade religiosa não está, portanto, de modo nenhum em contradição com a condenação que a doutrina católica faz do indiferentismo e do relativismo religioso[30]; pelo contrário, é plenamente coerente com ela. 

     As orientações contidas na Nota ajudam a iluminar um dos mais importantes aspectos da unidade de vida do cristão: a coerência entre a fé e a vida, entre o Evangelho e a cultura, recomendada pelo Concílio Vaticano II. Este exorta os fiéis “a cumprirem fielmente os seus deveres temporais, deixando-se conduzir pelo espírito do evangelho. Afastam-se da verdade aqueles que, pretextando que não temos aqui cidade permanente, pois demandamos a futura, crêem poder, por isso mesmo, descurar as suas tarefas temporais, sem se darem conta de que a própria fé, de acordo com a vocação de cada um, os obriga a um mais perfeito cumprimento delas”. Queiram os fiéis “poder exercer as suas atividades terrenas, unindo numa síntese vital todos os esforços humanos, familiares, profissionais, científicos e técnicos, com os valores religiosos, sob cuja altíssima jerarquia tudo coopera para a glória de Deus””. (https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20021124_politica_po.html , acessado em 18/10/2021).

    Devemos orar e pedir a orientação e condução do Espírito Santo, para que nossa fé seja multiplicada diante das tempestades e para que nossos atos santifiquem a Igreja de Cristo. Lembremos que diversos foram os ataques a Cristo e aos seus seguidores no decorrer da história da Igreja: mortes, injúrias, calúnias, martírio e violência.

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