Senhor acalma nossas tribulações!

    Caros irmãos e irmãs em Cristo,

    A liturgia deste XIX Domingo do Tempo Comum é uma fonte inesgotável de luz para todas as dimensões do viver humano. Se até aqui contemplamos a barca do Evangelho como a Igreja em sua missão no mundo, hoje a Providência nos convida a abrir as janelas desta mesma passagem para um dos campos mais decisivos, nobres e desafiadores da nossa sociedade: o campo da Educação. Na cena do Mar de Galileia, em meio ao vento contrário e às ondas revoltas, encontramos um retrato profundamente realista do processo educativo, bem como da vida de nossos estudantes, de suas famílias e do empenho de cada educador. Aprofundemo-nos em tais mistérios, a fim de alcançarmos através deles a sabedoria e a eloquência capaz de desbravar os mares e as ondas de tão precioso mar.

    Olhemos para a figura de São Pedro. Diante da presença do Mestre sobre as águas, Pedro experimenta um impulso de audácia: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro sobre as águas!” (Mt 14, 28). Mas, logo em seguida, ao sentir a força do vento e a violência das ondas, o medo o paralisa e ele começa a afundar. Quantos dos nossos estudantes e das nossas famílias não vivem hoje a mesmíssima experiência no itinerário do saber e da formação humana?

    Nossos jovens e crianças trazem no coração o desejo nato de aprender, de descobrir a verdade, de construir um futuro digno e de transformar o mundo. As famílias, por sua vez, apostam tudo na educação de seus filhos, desejando ver neles homens e mulheres de bem, capazes de construir uma sociedade mais justa e solidária. No entanto, o mar do nosso tempo está agitado. Diante do excesso de informações dispersas, da cultura do imediatismo, do desânimo diante das incertezas do futuro e da tentação do relativismo, que afirma que a verdade não existe ou é inalcançável, muitos estudantes e famílias vacilam na fé. Vacilam na fé de que o conhecimento verdadeiro é possível, de que o estudo vale a pena e de que o bem, a justiça e a solidariedade ainda podem prevalecer. Quando o desânimo bate à porta e as “ondas” da descrença parecem mais fortes do que a promessa do futuro, o estudante e a família sentem-se como Pedro: começando a afundar no mar da desesperança.

    Remédio para tal conjuntura o podemos encontrar fazendo-nos a seguinte pergunta: onde está o erro de Pedro ao caminhar sobre as águas? Não foi no seu desejo de ir ao encontro do Mestre, mas no momento em que ele desviou o olhar de Jesus para focar unicamente na tempestade. A grande missão da Educação Católica e de todo ato educativo fundamentado nos valores do Evangelho é ensinar a comunidade escolar a não desviar os olhos do essencial. Como nos recordava o Papa Francisco no Pacto Educativo Global, educar é sempre um ato de esperança que exige a união de toda a sociedade, uma verdadeira aliança entre a família, a escola e a comunidade. A verdadeira Educação não se reduz à mera transmissão de dados, teorias ou conteúdos técnicos. A sabedoria autêntica nasce quando a razão se abre à Verdade e ao Amor.

    Quando as famílias e as escolas buscam em Cristo a Sabedoria Encarnada, elas encontram a bússola para orientar as novas gerações. Os educadores deixam de ser meros instrutores para se tornarem testemunhas e faróis no meio da noite escura, segurando as mãos dos alunos quando estes sentem que o conhecimento e o futuro parecem difíceis demais. É em Cristo que a Educação encontra o seu sentido pleno, pois Ele é a Luz que ilumina a inteligência humana e o Mestre que nos ensina a amar a verdade e a colocá-la a serviço do próximo. Quando Pedro sente que não consegue avançar por suas próprias forças, ele faz a única coisa que o mantém salvo: estende a mão e clama com confiança: “Senhor, salva-me!” E o Evangelho registra com beleza singular: “Jesus estendeu imediatamente a mão, segurou Pedro e disse: ‘Homem fraco na fé, por que duvidaste?'” (Mt 14, 30-31).

    Neste domingo a liturgia nos ensina que a construção de um mundo mais justo, fraterno e solidário não é uma utopia ingênua, mas um projeto viável quando ancorado na Sabedoria de Deus. Nossas escolas e universidades precisam resgatar a coragem de rezar e de buscar em Deus a força para ensinar com paixão. Nossos estudantes precisam aprender a clamar ao Senhor nas suas dificuldades de aprendizagem, nas suas crises existenciais e na busca pelo seu projeto de vida. Nossas famílias precisam estender as mãos a Cristo para pedirem a graça da paciência, da perseverança e da sabedoria no cultivo dos valores do Evangelho dentro de casa. Quando a comunidade educativa se prostra diante do Senhor e reconhece que d’Ele vem a verdadeira Sabedoria, as tempestades do desânimo cessam e a barca da formação humana chega com segurança ao seu porto.

    Queridos estudantes, educadores, pais e mães: não tenhais medo! Aos nossos estudantes: nunca duvideis do valor do vosso esforço, da inteligência que Deus vos deu e da capacidade de aprender. O conhecimento é uma ponte para a liberdade e para o amor. Quando as dificuldades dos estudos parecerem grandes demais ou o futuro incerto, fixai os olhos em Jesus. Ele caminha convosco sobre as águas e não deixará que afundeis. Vós sois a esperança de um mundo novo! Aos nossos educadores e professores: vossa vocação é sagrada. Vós sois os braços estendidos do Mestre em sala de aula, resgatando a dignidade, despertando talentos e acendendo a luz da esperança no coração dos vossos alunos. Não desanimeis diante das tempestades do sistema ou das incompreensões do caminho. O vosso trabalho não é em vão; ele constrói o Reino de Deus na História. Às nossas famílias: continuai a apostar na educação dos vossos filhos sobre a rocha firme da Fé. Em meio aos ventos contrários da sociedade, sejais o primeiro santuário onde a sabedoria, o respeito e a solidariedade são ensinados e vividos.

    Que o Senhor Jesus, Mestre por excelência, nos tome pela mão nestes tempos, ilumine as nossas mentes, fortaleça os nossos corações e faça da nossa Educação um canal vivo de transformação, de justiça e de paz. Nossa Senhora, Mãe do Bom Conselho, Sedes Sapientiae (Sede da Sabedoria), rogue por nós, pelos nossos estudantes e por todas as nossas famílias, ensinando-nos a confiar, mesmo quando tudo nos parece dizer o contrário, para assim vencermos os desafios de nossas intensas tempestades.

    Amém.

    Dom Altieri.

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