“O amor jamais acabará (1cor 13,8)”
Celebramos na semana entre 09 e 15 de agosto a Semana Nacional da Família iniciando e motivada pelo dia dos pais que comemoramos no domingo dia 09. Essa é uma semana em que todos nós somos convidados a refletir sobre a importância da família e da responsabilidade da paternidade e do matrimônio. Aqui em nossa Arquidiocese abrimos a Semana da Família no sábado, em nossa Catedral Metropolitana com representantes da pastoral familiar de todos os 13 vicariatos e mais os representantes dos movimentos familiares.
Sabemos que o dia dos Pais é uma data com conotação comercial, mas nós, como igreja sabemos da importância da paternidade e da família. Porém sabemos que o Dia dos Pais do mesmo modo que o Dia das Mães ou dos Avós deve ser todos os dias. Devemos lembrar sempre de nossos pais e cuidar deles até a velhice.
A Igreja como sempre é sábia e utiliza da data comercial para catequisar os fiéis sobre a importância da família e da vocação a paternidade. O Dia dos Pais está inserido dentro do mês vocacional, especial para a Igreja. Na primeira semana recordamos a vocação ao ministério ordenado: padres, diáconos e bispos, na segunda semana a vocação a família e ao matrimônio iniciando no domingo dia dos pais, na terceira semana a vocação a vida consagrada e religiosa e na quarta semana o chamado ao ministério laical e no quinto domingo dia nacional dos catequistas.
O tema dessa Semana Nacional da Família é “Família, torna-te aquilo que és” e o lema “O amor jamais acabará (1cor 13,8)”. Essa temática foi escolhida em sintonia com os 10 anos da publicação da Exortação Apostólica Amores Laetitia, do Papa Francisco e os 45 anos da Exortação Apostólica Familiaris Consortio de São João Paulo II. O Papa Leão XIV chamou a Roma os presidentes das Conferência e os Patriarcas das Igrejas Orientais para discutir o efeito desses documentos na humanidade.
A família sempre foi e ainda é muito querida para a Igreja, a Igreja nutre um carinho especial por todas as famílias, por isso, desde sempre o magistério da Igreja através dos papas e bispos publicaram exortações apostólicas tratando do tema sobre o amor que deve existir nas famílias. Como vemos há 45 anos São João Paulo II publicou a Familiaris Consortio e há 10 anos o Papa Francisco publicou a Amores Laetitia.
O Papa São João Paulo II afirmava que a família é a igreja doméstica e que os primeiros catequistas dos filhos são os pais e ainda, família que reza unida permanece unida. Na família deve haver espaço para o amor e a reconciliação. Sabemos que nenhuma família é perfeita e que as dificuldades sempre existirão, até mesmo as brigas corriqueiras do dia a dia, mas além da briga deve haver espaço para o amor e a reconciliação.
Conforme nos indica o lema da Semana Nacional da Família, o amor não deve acabar nunca, os filhos devem colocar em prática o quarto mandamento da lei de Deus que diz que devemos honrar pai e mãe. Os filhos devem cuidar de seus pais até na velhice, até quando estiverem perdendo a lucidez, devem ter paciência com eles e respeitá-los acima de tudo. Somente devem colocá-los numa casa de loga permanencia (asilo) em último caso, quando não tiver condições de cuidar deles em casa, mas não pode esquecer os pais nesses locais, mas visitá-los com frequência.
Lembremos que o Dia dos Pais deve ser todos os dias, mas sobretudo nesse dia a eles dedicado busque eles em casa participem com eles da Santa Missa e faça uma refeição com eles. Caso morem longe façam uma ligação, mas lembremos que mais que o presente material o que vale é nossa presença física. Se caso forem falecidos reze uma Ave-Maria por eles na Santa Missa e lembre deles no momento dos falecidos. Mas, o importante é a lembrança, e como nos recorda São Paulo que o amor nunca acabe.
A Semana Nacional da Família é promovida pela Comissão Nacional da Pastoral Familiar (CNPF), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e é considerada um dos momentos mais importantes do calendário pastoral das paróquias em todo o país. A proposta dessa semana é promover momentos de oração, palestras, formação e confraternização entre as famílias. Esses eventos buscam envolver todas as gerações familiar e motiva as famílias a encontrarem o seu valor. É todo um trabalho de formação sobre a família e ajudar a todas as pastorais e movimentos familiares a se unirem nessa missão. Além disso é uma oportunidade de proclamar para fora dos muros das igrejas o que nós compreendemos como família humana e a importância dela na sociedade.
As famílias são convidadas a serem missionárias, ou seja, chamar outras famílias conhecidas e que se encontrem afastadas da Igreja para que retornem e escutem a Palavra do Senhor. Uma família vai animando e encorajando a outra, pois o lugar da família é na Igreja.
Para orientar as atividades dessa Semana Nacional da Família, a CNPF disponibilizou o subsídio “Hora da família 2026”, as paróquias podem adquirir esse subsídio pela loja da pastoral familiar e pelo site da CNBB. Por isso, é importante que as paróquias tenham a pastoral familiar, para que possa preparar os momentos celebrativos dessa semana. Se a sua paróquia ainda não tem a Pastoral Familiar converse com o seu pároco para que seja implantada. A Pastoral Familiar pode começar com um grupo de dois ou três casais, mas depois pode ir aumentando. É importante que tenha a pastoral familiar nas paróquias, as famílias são a continuação do futuro da Igreja. Por isso dissemos que as famílias são missionárias. Temos a dimensão familiar que engloba todos os tipos de trabalhos pastorais e de movimentos para ajudar às famílias.
As paróquias que ainda não se reuniram, podem e devem se reunir ao longo dessa semana para preparar a Semana Nacional da Família. O pároco é convidado a reunir alguns casais, e pensar nas possibilidades de ações que podem acontecer ao longo dessa semana. O importante é que todas as famílias se sintam bem e acolhidas, e que a igreja caminha com elas e está sempre em comunhão.
Essa semana é a oportunidade de refazer os laços sobretudo com quem está mais afastado e recuperar em cada lar o sentido da amizade entre pais e filhos. Que em cada lar haja espaço para o perdão e reconciliação e que nunca falte o amor, tanto entre o casal, como entre os pais e os filhos. Participemos da Semana Nacional da família desse ano de 2026 e rezemos para que as famílias vivam unidas e o amor nunca acabe.
Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


