Obrigado, Cardeal Robert Sarah!

O prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos apresentou a sua renúncia devido à idade de 75 anos

Obrigado, Cardeal Robert Sarah! Esta gratidão é devida ao homem que, desde 2014, esteve à frente da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos como prefeito. Neste último sábado, dia 20 de fevereiro, a Santa Sé confirmou que, devido à idade de 75 anos, ele havia apresentado a sua renúncia, conforme a tradição, ainda em junho do ano passado. Agora, ela foi aceita oficialmente pelo Papa Francisco.

Vocação

Robert Sarah nasceu em Ourous, na República da Guiné, em 15 de junho de 1945. Em 1957, entrou no Seminário Menor de Santo Agostinho de Bingerville, na Costa do Marfim. Ele tinha 12 anos e lá estudou até os 15 anos. A propósito desse período de discernimento vocacional, ele próprio testemunhou em seu livro “Deus ou nada“:

“Foi no contexto da cotidiana Eucaristia que o padre Bracquemond, descobrindo o meu ardente desejo de conhecer a Deus e talvez impressionado com o meu amor pela oração e com a minha fidelidade à Missa diária, me perguntou se eu queria entrar no seminário. Com a surpresa e espontaneidade características das crianças, eu lhe respondi que adoraria, mesmo sem saber direito com que estava me comprometendo, porque nunca tinha saído do meu povoado nem conhecia a vida de um seminário”.

Trajetória de desafios

A concretização da sua trajetória vocacional, porém, não seria fácil.

Em 1960, as relações diplomáticas entre a Costa do Marfim e a sua Guiné natal ficaram bastante tensas, o que obrigou Robert Sarah a retornar ao seu país. Em agosto de 1961, o governo guineense desapropriou os imóveis da Igreja, incluindo o seminário Dixinn, onde ele estudava. Robert teve de passar a estudar em casa, mas, já em março de 1962, a Igreja conseguiu instalar os seminaristas numa escola pública e, depois de muita negociação, reabriu um seminário.

Em agosto de 1964, Robert foi enviado para o Seminário Maior de Nancy, na França, mas… novamente foi forçado a interromper os estudos por causa de novas tensões políticas, agora entre o seu país natal e a França. Foi assim que o futuro cardeal teve de se mudar para mais um país, agora o Senegal, onde continuou os estudos teológicos de outubro de 1967 até junho de 1969.

Em 20 de julho daquele ano, aos 24 anos de idade, ele recebeu o sacramento da ordenação sacerdotal. Dez anos depois, São João Paulo II o nomearia arcebispo de Conacri, a capital guineense: o jovem arcebispo tinha apenas 34 anos de idade. Sua ordenação episcopal foi conferida em plena Solenidade da Imaculada Conceição, no dia 8 de dezembro de 1979.

Em 2001, o mesmo São João Paulo II o nomeou secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos. Em 2010, o Papa Bento XVI o criou cardeal e lhe confiou o cargo de presidente do Pontifício Conselho Cor Unum. Finalmente, em 23 de novembro de 2014, o Papa Francisco o nomeou prefeito da importantíssima Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.

Obrigado, Cardeal Robert Sarah!

Como responsável pela fiel preservação da liturgia e do tesouro dos sacramentos tais como foram instituídos por Cristo, o cardeal Robert Sarah se tornou reconhecido pela firmeza com que defendeu o culto divino em coerência com a plenitude da doutrina católica. Além de promover a disciplina litúrgica, ele se mostrou ferrenho defensor da liberdade religiosa, da família e do direito à vida desde a concepção até a morte natural, criticando as narrativas e abordagens que relativizam e diluem os conceitos-chave sobre a pessoa humana.

Nesse contexto, ele pronunciou uma histórica homilia na catedral francesa de Chartres, que reproduzimos na seguinte matéria:

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