O ser humano perante Deus

    Se pessoas não sem fé, muitas vezes, se posicionam contra Deus O ultrajando, pior se torna a atitude daqueles que creem, mas querem manipular o Ser Supremo das formas mais variadas. A mais comum é a revolta contra Ele quando surgem as provações e contrariedades inerentes à condição humana ou permitidas pela Providência divina no intuito de purificar aquele que proclama que O ama. Manifesta-se então uma audaciosa revolta contra o Senhor de tudo. O endeusamento dos bens terrestres ou uma falsa espiritualidade se opõem ao verdadeiro posicionamento da criatura perante o seu Criador. No primeiro caso, o homem, girando tudo em torno de si, aspira a posse de riquezas, de glórias, de prazeres mundanos, afrontando os preceitos do Decálogo. Na outra hipótese, Deus é trazido à barra do tribunal do fiel que arrogantemente quer impor a Ele sua própria vontade e faz da oração uma ordem atrevida Àquele que é o seu Soberano. As promessas transformam muitas preces num negócio com o Criador. Cristo ensinou simplesmente a pedir, a buscar, a bater humildemente na porta da Misericórdia divina. Graças obtidas devem, contudo, ser agradecidas num louvável hino gratulatório. O ser humano ignora ou se esquece de que o Onipotente deve ser objeto de um total amor, precisa ser continuamente adorado e servido e nele se deve ter a mais radical confiança. Isto por ser Ele o Ser Supremo, o único subsistente por si mesmo, Aquele que é, existindo desde toda a eternidade. Não se pode desconhecer que Ele é a regra, a medida e o centro de tudo e que não existe nada sem o seu querer todo-poderoso.  Possuidor de todas as perfeições e a fonte de todos os benefícios merece todo acatamento. Na sua infinita bondade Ele se dispõe sempre a dialogar com suas criaturas racionais, mas é naturalmente avesso a todo tipo de empáfia, fatuidade ou soberba. O orgulho humano bate, sacrilegamente, tantas vezes de frente com Seu domínio absoluto como se Ele fosse um seu rival a ser descartado ou até um escravo a receber ordens. A dependência que a própria razão exige perante Ele condena tais atitudes. Requer-se um mínimo de bom senso para saber conversar com Aquele que conhece o que é melhor para cada um e que tem o poder para vir de encontro às necessidades de quem nele deposita fé sem limites. É necessário não se deixar levar pela mesquinhez que paralisa a ação das graças, pois Ele resiste aos arrogantes como aparece claramente em inúmeras passagens da Bíblia. O orante deve se entregar sinceramente a Deus, repousar nos seus braços paternos, sabedor de que sem Ele ninguém é forte, ninguém é santo. É do contato humilde com o Todo-Poderoso que o cristão pode vencer o amor-próprio, fruto do pecado original e, fortificado pela luz divina, triunfar das paixões. Robustecida a vontade, já não se faz mais uso incorreto do dom da liberdade. As infidelidades vão desparecendo e as vitórias sobre satanás se multiplicam, mas são atribuídas unicamente aos auxílios celestes. O ser humano já não se apropria da ação de Deus e está convencido de que com Ele fará continuamente proezas, porque é Ele quem calcará aos pés os seus inimigos (Sl 108.13).  Estabelece-se, desta maneira,  uma relação frutuosa com a Santíssima Trindade. O cristão, que assim se situa perante o seu Senhor, crê no Espírito Santo, Doador de tudo, adorando-O juntamente com o Pai Onipotente e o Filho Salvador. Reconhece-se amado do Pai, guiado pelo Espírito, numa valorização a contínua dos méritos redentores da Cruz. São Paulo assim se expressou: “O próprio Espírito se une ao nosso espírito para testemunhar que somos filhos de Deus” (Rm 8,16). Assim o fiel goza a sabedoria e o gosto pela oração bem feita em todos os momentos. Resta sempre vigilante à espera do encontro definitivo com Deus na hora de deixar este mundo. Captando por toda parte os sinais da presença do Ser Supremo, conhece nesta trajetória terrena a integração perfeita entre fé e vida.  Então a presença divina se torna sem cessar princípio de vida sobrenatural e de luminosidade celeste. Isto porque, como se lê no Livro da Sabedoria, Deus “se deixa encontrar pelos que não o tentam, revela-se aos que nele têm fé. Os juízos tortuosos afastam de Deus e a Onipotência, posta à prova confunde os insensatos. (Sab 1, 3-4). Em síntese, o ser humano perante Deus necessita uma fé neste Deus pessoal e vivo que está presente por toda parte e que admite um afortunado diálogo entre Ele e sua criatura racional*Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

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