Lado vulnerável e desprotegido

    Em um mundo dilacerado, machucado e bombardeado por todos os lados, contemplemos Jesus de Nazaré, que chegou ao Rio Jordão vindo da Galileia, dos pagãos, e lá pediu o batismo a João Batista, dizendo que se conviria cumprir toda a justiça. Uma vez batizado, eis algo de maravilhoso: os céus se abriram e ele viu o Espírito de Deus descendo em forma de pomba e pousando sobre ele (cf. Mt 3, 13ss). É o céu que se abre à verdade e à justiça, no Reino implantado sobre a terra pelo Mestre da Galileia.

    Logo que li uma matéria, no domtotal.com, sobre Dom Alberto Taveira, fiz o seguinte comentário nesse site: “Que a verdade e a justiça prevaleçam”. O referido arcebispo disse que foi acusado de “crimes” de ordem moral, mas não ficaram claros esses crimes. Muito triste, sendo ele o maior referencial da Igreja da Amazônia, já tão sofrida, de quem só se esperavam coisas edificantes, tendo que sair em sua própria defesa. Lembro-me, vivamente, do nosso saudoso bispo, Dom Aloísio Lorscheider, ao se dirigir aos padres novos: “De vocês, padres, o povo só espera o que é bom e edificante”. Torço para que não seja mais “fogo” a queimar a bela região amazônica, muito querida por Deus.

    Infelizmente, encontra-se o outro lado, vulnerável e desprotegido: jovens na sua inocência, com prejuízo e marcas indeléveis, vindas de quem só se esperava o que era elevado e construtivo. Não se pode jamais esperar de um arcebispo, num discernimento vocacional, ensinamentos que causassem dúvidas, destruindo-lhes o excelso imaginário, já no seu íntimo sagrado. Acho uma prática abominável também o uso de seu poder de arquiepiscopal para se defender, com todo o seu aparato, mantido pelo povo de Deus. Dois pesos e duas medidas. Em sendo verdade, que venha a justiça divina, mas num processo paritário, segundo o mesmo Evangelho que o Senhor arcebispo se esqueceu de citar: “E, se alguém escandalizar um destes pequeninos que creem, melhor seria que fosse jogado no mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço” (cf. Mc 9, 42). Que Maria Nazaré interceda à Jesus em favor da Justiça verdadeira. Assim seja!

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