Dia Mundial do Doente

    vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei de aliviar-vos” (Mt 11, 28).

    No dia 11 de fevereiro, celebramos, juntos com toda a Igreja, a memória Litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes. O santuário de Lourdes, na França, é conhecido até hoje como um lugar onde muitos enfermos vão procurar se banhar e beber das águas que brotam da Gruta de Massabielle, cavada por Santa Bernadete a pedidos da Virgem Maria, que se apresenta então como a Imaculada Conceição.   Nesta data, dirigimos nossas orações especialmente por todos os doentes e todos aqueles que padecem de alguma dor, seja no corpo ou seja na alma, celebrando o dia mundial do doente.

    A data foi instituída em 11 de fevereiro de 1992, pelo Papa João Paulo II. Na carta de instituição do Dia Mundial do Doente, o Papa João Paulo II lembrou que a data representa “um momento forte de oração, de partilha, de oferta do sofrimento pelo bem da Igreja e de apelo dirigido a todos para reconhecerem na face do irmão enfermo a Santa Face de Cristo que, sofrendo, morrendo e ressuscitando, operou a salvação da humanidade”.

    Como já é de costume, todos os anos o Papa envia uma mensagem especial por ocasião desta data, mensagem esta marcada por um tema inspirado nas sagradas Escrituras. Este ano o tema é tirado de Mt 11, 28: “Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei de aliviar-vos.

    As palavras desta passagem vem expressar a solidariedade de Cristo em relação àqueles que sofre,  indicando também o caminho  misterioso da Graça de Deus, onde a todos aqueles que estão cansados, exaustos ou feridos no corpo ou na alma, Cristo convida: Vinde a mim! O Papa Francisco, na oração do Angelus do dia 06 de Julho de 2014, assim dizia comentando esta passagem: “Quando Jesus pronuncia estas palavras, tem diante dos seus olhos as pessoas que encontra todos os dias pelas estradas da Galileia: muita gente simples, pobres, doentes, pecadores, marginalizados pelo ditame da lei e pelo opressivo sistema social. Este povo sempre acorreu a Ele para ouvir a sua palavra, uma palavra que incutia esperança.”  Neste dia em que voltamos nossos olhares e nossas orações pelos enfermos, Cristo volta a dirigir este convite, oferecendo aos que necessitam não o peso da Lei, mas sua misericórdia, uma oportunidade de alívio.

    Recorda ainda o papa que Cristo tem esses sentimentos em relação aos que sofrem por ter Ele mesmo sofrido em sua existência terrena, como nos recorda o episódio da agonia no Getsêmani e o drama da paixão., onde ali recebe alívio por parte do Pai. A presença de humanidade no trato com os que sofrem direta ou indiretamente ajuda a amenizar as dores daqueles que as padecem.

    Prossegue o papa Francisco, apresentando uma ideia básica da teologia do sofrimento, onde a dor torna-se caminho privilegiado de encontro com Deus e de participação no mistério da redenção:

    “Queridos irmãos e irmãs enfermos, a doença coloca-vos de modo particular entre os «cansados e oprimidos» que atraem o olhar e o coração de Jesus. Daqui vem a luz para os vossos momentos de escuridão, a esperança para o vosso desalento. Convida-vos a ir ter com Ele: «Vinde». Com efeito, n’Ele encontrareis força para ultrapassar as inquietações e interrogativos que vos surgem nesta «noite» do corpo e do espírito. É verdade que Cristo não nos deixou receitas, mas, com a sua paixão, morte e ressurreição, liberta-nos da opressão do mal.”

    Dentro deste contexto, além de olhar diretamente para a realidade do enfermo, vale a pena recordar da figura dos profissionais de saúde, que tem um papel primordial no auxílio imediato àqueles que padecem no corpo e na alma: “Queridos profissionais da saúde, qualquer intervenção diagnóstica, preventiva, terapêutica, de pesquisa, tratamento e reabilitação há de ter por objetivo a pessoa doente, onde o substantivo «pessoa» venha sempre antes do adjetivo «doente». Por isso, a vossa ação tenha em vista constantemente a dignidade e a vida da pessoa, sem qualquer cedência a atos de natureza eutanásica, de suicídio assistido ou supressão da vida, nem mesmo se for irreversível o estado da doença. (…) Quando não puderdes curar, podereis sempre cuidar com gestos e procedimentos que proporcionem amparo e alívio ao doente”

    A data de hoje é também uma oportunidade de recordar a tantos de nossos irmãos que estão perto de nós ou que estão espalhados pelo mundo e que, pelos mais variados motivos, vivem sem possibilidades de acesso aos cuidados médicos, principalmente por razões econômicas, onde o lucro fala mais alto que a justiça social.

    Pedimos a intercessão de Nossa Senhora de Lourdes por todos aqueles que carregam o fardo da doença, aqueles que os acompanham juntamente com os profissionais da saúde que cuidam deles.  Que o sofrimento oferecido pelo bem dos homens seja motivo de santificação para todo o povo de Deus.

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