Viagem do Papa Francisco ao Iraque é um “sinal de esperança” para os cristãos perseguidos

A Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre disse que a próxima visita do Papa Francisco ao Iraque em 2021 é um “sinal de esperança para os cristãos” que sofrem perseguições há décadas e um gesto que lhes dará forças para permanecer na Terra Santa.

No dia 7 de dezembro, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, informou que o Papa Francisco fará uma viagem apostólica ao Iraque de 5 a 8 de março do próximo ano. O Santo Padre visitará a capital, Bagdá, a região de Ur, ligada à memória de Abraão, a cidade de Erbil, Mossul e Qaraqosh, na Planície de Nínive.

A viagem será a primeira que o Pontífice fará desde o início da pandemia COVID-19, já que em 2020 não pôde fazer nenhuma visita apostólica internacional como medida preventiva contra um possível contágio do vírus.

Para o presidente executivo da ACN International, Thomas Heine-Gelder, a notícia é muito aguardada pelos cristãos no Iraque e é um “sinal de esperança” em meio a uma realidade de perseguição que sofreram durante anos, desde que os terroristas islâmicos conquistaram e destruíram sua terra natal em 2014.

“Esta notícia da viagem apostólica do Papa ao Iraque enche-nos de grande alegria e gratidão. Os cristãos no Iraque esperavam ansiosos este anúncio. É um sinal de esperança para os cristãos aflitos que tiveram que enfrentar uma verdadeira via-sacra de perseguição e discriminação durante décadas”, afirmou.

Além disso, Heine-Gelder disse que com este gesto, o Santo Padre mostra que está próximo dos cristãos iraquianos e também garantiu que sua visita os ajudará a decidir por continuar vivendo em sua pátria, que atualmente está sendo reconstruída para que possa ser habitável.

“Esta viagem é mais um exemplo da proximidade e preocupação do Papa pelos cristãos do Oriente Médio. A visita vai fortalecê-los e dar-lhes uma nova coragem para permanecer em sua terra natal. Sem o apoio do Santo Padre e da Igreja Universal, essas comunidades que foram o berço do cristianismo estariam em perigo de extinção”.

A Fundação Pontifícia vem apoiando a missão da Igreja Católica no Iraque desde 2014, por meio da doação de fundos econômicos de seus benfeitores e da execução de projetos sociais que ajudaram a aliviar as necessidades mais urgentes dos cristãos e dos necessitados do país, especialmente nas zonas mais afetadas pelo terrorismo islâmico.

Atualmente, ACN encontra-se numa nova fase do seu plano de reconstrução, cujo “objetivo central é reconstruir a infraestrutura das instalações geridas pela Igreja Católica nas cidades cristãs e nas vilas da planície de Nínive”.

Segundo a ACN, das 363 instalações da Igreja designadas para reconstrução ou reparação, 34 foram totalmente destruídas; 132 queimadas; e 197 parcialmente danificadas. “87% [dos edifícios reconstruídos] terão uma função adicional de apoio social ou de bem-estar”.

Entre elas estão “os corredores paroquiais que servem como centros comunitários para atividades pastorais e sociais, os estabelecimentos educacionais, orfanatos, asilos, clínicas, residências para quem presta serviços a esses centros” como “os religiosos em qualidade de professores, profissionais de saúde ou profissionais de apoio psicossocial”, disse.

Segundo a ACN, de 2014 ao final de 2019 arrecadaram 46,5 milhões de euros (mais de 56 milhões de dólares) de seus benfeitores, valor que serviu para manter a presença cristã no Iraque e, em particular, na Planície de Nínive.

Segundo recorda a ACN, “no verão de 2014, os cristãos se encontraram em uma situação desesperadora depois de fugir do avanço do ISIS em direção a Mosul e à planície de Nínive”. Diante disso, e graças aos “esforços de ajuda de emergência, a instituição de caridade pôde ajudar a garantir a sobrevivência imediata de 11.800 famílias deslocadas internamente”, assinalou ACN.

Entre 2014 e 2017, a ACN destinou 34,5 milhões de euros (cerca de 43 milhões de dólares) em projetos de ajuda a famílias cristãs no Iraque, com os quais conseguiram atender às suas necessidades básicas de saúde e alimentação, prestando-lhes assistência médica, possibilitou moradia temporária (caravanas e subsídio de aluguel) e criou oito escolas em caravanas.

Além da ajuda financeira, por meio de seu Departamento de Relações Públicas, conseguiram fazer com que as organizações internacionais soubessem do “extermínio seletivo de cristãos e outras minorias pelo Daesh (ISIS) no Iraque”. Entre eles estão as Nações Unidas (ONU), as instituições da União Europeia (UE), os Estados-Membros da UE e o Governo dos Estados Unidos.

Este esforço foi reconhecido em fevereiro de 2016, quando o Parlamento Europeu reconheceu o genocídio de cristãos e outras minorias no Iraque numa resolução baseada no documento do Departamento de Relações Públicas da ACN. Esse documento foi posteriormente ampliado e enviado ao Departamento de Estado dos Estados Unidos, que também o reconheceu.

Publicado originalmente em ACI Prensa. Traduzido e adaptado por Nathália Queiroz.

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