No texto, bispos apelam às paróquias para que realizem coletas de alimentos, materiais de higiene e outros insumos para doar aos hospitais
Os bispos das dioceses do regional Norte 3 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que compreende o estado do Tocantins, divulgaram na última sexta-feira, dia 26 de agosto, nota sobre a situação da saúde pública na região.
No texto, os bispos chamam a atenção para a falta de vagas, de leitos, de materiais, de insumos, de médicos e de medicamentos, sobretudo para a falta de alimentação para os pacientes e acompanhantes. “O fato é que nosso povo está sofrendo”, dizem os bispos.
Ainda no texto, os bispos recordam o Ano da Misericórdia, especialmente duas obras de misericórdias corporais: “dar de comer a quem tem fome” e “visitar a quem está doente”. Como gesto concreto de solidariedade, apelam às paróquias para que sensibilizem os paroquianos para uma coleta de alimentos não perecíveis, materiais de higiene e outros insumos, para doar aos hospitais.
Leia o texto na íntegra:
Nota dos Bispos do Regional Norte III, da CNNB, Estado do Tocantins
A SAÚDE DO TOCANTINS ESTÁ DOENTE E COM FOME
Nós, Bispos do Regional Norte III, da CNBB, Estado do Tocantins, assistimos, pelos meios de comunicação, e presenciamos, com os olhos de pastores, com pesar, quase impotente e com indignação, a situação pela qual passa a saúde pública no Estado do Tocantins. Embora admitamos não ser exclusividade do nosso Estado, a falta de vagas, de leitos, de materiais, de insumos, de médicos, de medicamentos são recorrentes e corriqueiras nos noticiários e nas redes sociais. No entanto, o que mais nos chama a atenção é a falta de alimentação para os pacientes e acompanhantes.
O fato é que nosso povo está sofrendo. A saúde é um dos direitos básicos do cidadão, assegurado pela Constituição Federal do Brasil. O Sistema Único de Saúde – SUS, a quem defendemos, embora revele seus limites, não suporta e não permite improvisação. Esta situação virou caso de polícia e gerou comentários e críticas nas grandes redes de comunicação do Brasil. A saúde, a doença e a fome não podem esperar. O que fazer? A quem responsabilizar? A quem recorrer? Como nos posicionarmos?
É difícil não admitir que as crises política, social e econômica pela qual passa o Brasil, ligadas às questões locais de má gestão dos recursos públicos, à falta de transparência, às denúncias de corrupção, à excessiva burocracia e aos problemas decorrentes de licitação e contrato com empresa prestadora de serviço à Secretaria de Saúde, contribuem, para o agravamento da situação do atendimento aos usuários do sistema de saúde no nosso Estado. A Auditoria que foi submetida à Secretaria de Saúde, embora não conheçamos o resultado, é um indicativo plausível de como os recursos destinados à saúde podem ter sido desviados para outras finalidades.
Enquanto ouvimos com perplexidade, a notícia do aumento de salário e de outras vantagens para alguns servidores públicos, ver a situação em que se encontra a saúde neste Estado, demonstra cabalmente que ela não é prioridade. Vemos também com preocupação o Estado basicamente parado, devido à greve geral dos servidores públicos.
Estamos em pleno Ano da Misericórdia. E o objeto desta Nota incide sobre duas obras de misericórdias corporais: “dar de comer a quem tem fome” e “visitar a quem está doente”. Por isto, como gesto concreto da nossa solidariedade, fazemos um apelo às paróquias para que possam sensibilizar os paroquianos para uma coleta de alimentos não perecíveis, materiais de higiene e outros insumos, para doarmos aos Hospitais.
Como dissemos na Campanha da Fraternidade de 2012: “que a saúde se difunda sobre a terra” (Eclo 38,8).
Que Nossa Senhora da Saúde e dos Remédios nos inspire, com palavras e ações, para tratar com dignidade as pessoas que procuram as Unidades de Saúde do Estado do Tocantins.
Palmas, 26 de agosto de 2016
Dom Philip Eduard Roger Dickmans
Bispo de Miracema e Presidente do Regional Norte 3
Dom Pedro Brito Guimarães
Arcebispo de Palmas
Dom Romualdo Matias Kujawski
Bispo de Porto Nacional
Dom Giovane Pereira de Melo
Bispo de Tocantinópolis
Padre Manuca Neres Brito
Administrador da Prelazia de Cristalândia
Fonte: CNBB




![No Evangelho do quinto domingo da Páscoa deparamos o início do testamento espiritual de Jesus. Judas acabava de sair para se lançar nas trevas da traição e do desespero. Então, mais do que um discurso Cristo abre o seu coração numa conversa afetuosa com seus discípulos (Jo 13,31-35). O Pai iria glorifica-lo e, portanto, próximo estava o dia de sua partida deste mundo. Como legado Ele deixa para seus seguidores um mandamento novo. Glorificação do Pai porque o Filho manifestaria todo o seu amor, tendo amado os homens até o fim. Depois de sua morte, o Pai acolheria seu Filho bem amado na sua própria glória. Ele partiria deste mundo, mas um liame bem claro ficaria entre Ele e seus seguidores: “Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros, que assim como eu vos amei, vós também vos ameis uns aos outros”. Jesus apresenta um preceito que Ele diz novo. Isto embora no Livro do Levítico, Deus já tivesse ordenado: “Tu amarás teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18). Não obstante, tratava-se de um preceito novo, porque promulgado na nova aliança, aliança definitiva que Ele selaria, justamente pela sua morte e sua glorificação. O modelo do nosso amor ao próximo ficaria sendo o amor de Jesus por nós: “Como eu vos amei, vós deveis, vós também, amar uns aos outros”. Seu amor tinha um fundamento que lhe dava uma característica única, ou seja, Ele se sacrificaria por todos porque os recebera do Pai. Na oração feita por Ele ao Pai isto ficou bem claro: “Manifestei o teu nome aos homens que me deste, separando-os do mundo. Eram teus e os destes a mim, eles guardaram a tua palavra. […] Quanto a mim dei-lhes a glória que tu me comunicaste, para que sejam um como nós somos um” (Jo 17, 6.23). Nestas palavras rebrilha uma fraternidade nova, alicerçada numa nova concepção da dileção divina. Adite-se que Ele nos amou até o fim, quando se sacrificou no alto da cruz por toda a humanidade. Portanto, o amor ao próximo não deveria ter para seus discípulos nenhum limite. Como consequência o cristão deveria amar a todos indistintamente a começar dos mais próximos que são os que habitam sob o mesmo teto, os companheiros de trabalho ou dos lugares de diversão, enfim numa fraternidade universal, abrangendo inclusive os inimigos, envolvendo-os num laço de um perdão cordial. Este aspecto Ele deixou bem ressaltado na prece por Ele ensinada: “Perdoai-nos como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Por tudo isto, mandamento, de fato novo cuja prática deveria florir no serviço, na esperança, na paz. Isto sem querer seu discípulo enquadrar os outros em seus moldes mentais, manipulando o próximo ou simplesmente retribuindo às suas atenções. Além disto, interessando-se cada um pelas misérias alheias, apesar de das suas impertinências, das suas importunações. Mandamento novo a exigir devotamento, fidelidade, gratuidade. Amor, portanto, realista que se manifesta no cotidiano. Com este mandamento novo Jesus inaugurava um novo estilo de vida, uma nova atitude, tanto que Ele asseveraria: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos se vos amardes uns aos outros”. Jesus deixou como herança a seus seguidores um mandamento expresso num imperativo decisivo: “Amai-vos”. Tal a sua herança e a missão que dava para todas as etapas da vida do cristão. Amar, porém, como Ele ensinou nem sempre seria fácil, porque amar supõe total desinteresse pessoal. Amar é um ato que se dirige ao próximo que deve ser reconhecido como outro, respeitando-se sempre as diferenças. Assim cai por terra todo egoísmo. O amor como Jesus ensinou leva a entrar na fragilidade do próximo, passando por cima de suas vulnerabilidades. Isto supõe renúncia e abnegação contínuas. Esta atitude resulta então da certeza de que, assim praticando a caridade, se pode participar da verdadeira vida que é comunhão com Deus, o qual é amor, Esta dileção paira longe da sensibilidade, tornando-se uma responsabilidade, fruto de um mandato que repousa sobre o exemplo do Mestre divino. É deste modo que se reconhece que a palavra chave do cristianismo é o amor. Esta caridade é obra prima do gênero humano regenerado pelo sangue de um Deus. É o que há de mais nobre nas elucubrações da inteligência e o que existe de mais glorioso nos eflúvios do coração. Sacrificar-se pelo próximo. Ir de encontro de toda dor, de toda amargura, de todo desatino. Diminuir a estatística do sofrimento. Aumentar a crônica do bem. Irradiar por toda parte felicidade, serenidade, harmonia. Tudo isto é a maior manifestação da grandeza humana, o apogeu da perfeição evangélica, a atitude mais agradável a Deus, o ápice da perfeição do ser racional. A caridade é assim esplendorosa porque tem dimensões divinas. Envolve pensamentos, atitudes, palavras. Sorri com os alegres, pranteia com os tristes. Perdoa, desculpa e exalta as qualidades do outro. Faz do pecador um santo e eleva este santo a Deus. Ela ameniza, cura, distribui do muito, do pouco, “se faz tudo para todos para salvar a todos” (1 Cor 9,22). Onde resplandece assim a caridade, aí Deus está.](https://catolicanet.net/wp-cnet/wp-content/uploads/criança-13-768x435-324x160.jpg)