Papa: Card. Martini promoveu sinodalidade sem temer diferenças

O Cardeal Carlo Maria Martini (1927-2012) era “atento em promover e acompanhar no interno da comunidade eclesial o estilo de sinodalidade tão auspiciado pelo Concilio Vaticano II. Isso requer, de um lado, ouvir e discernir o que o Espírito move na consciência do povo de Deus, na variedade de seus componentes; de outro, o cuidado a fim que as diferenças não enveredem em um conflito destrutivo. Sem ter medo das tensões ou das contestações, que todo impulso profético traz consigo (pro veritate adversa diligere era o seu lema episcopal), o cardeal sempre procurou desarmar a carga explosiva e, com sensibilidade e afeto pela Igreja, transforma-las em ocasiões importantes de um processo de mudança e de crescimento na comunhão”.

Foi o que escreveu o Papa na introdução que o Pontífice quis fazer à Obra Completa do biblista que foi Arcebispo de Milão de 1979 a 2002, cuja apresentação da primeira parte – “Cátedra dos que não crêem” –, foi publicada nesta segunda-feira (19/10) na Itália pelo jornal Corriere della Sera. Trata-se de um documento particularmente significativo uma vez que atesta a estima que o jesuíta Bergoglio tem pelo falecido coirmão jesuíta Martini.

“Também diante de situações contrastantes – escreve o Papa – ele sempre evitou a contraposição, que não conduz a nenhuma solução, pensando, ao invés, de forma criativa em termos de alternativas. Ele não queria fazer concessões a modismos ou a pesquisas sociológicas: no fundo trazia somente uma pergunta: ‘De que maneira Jesus Cristo, vivo na Igreja, é hoje fonte de esperança?’, assumindo com fidelidade a missão da Igreja de anunciar misericórdia e verdade. Ao mesmo tempo tinha consciência da presença na Igreja de tantas diferentes sensibilidades de acordo com os contextos culturais, que não podem ser integradas sem um debate livre e humilde. Propunha a necessidade de um instrumento de confronto universal e credível para afrontar os temas ‘com liberdade’ no pleno exercício da colegialidade episcopal, escutando o Espírito e olhando ao bem comum da Igreja e de toda a humanidade’. Quando se procura a vontade de Deus existem sempre pontos de vistas diversos e é preciso procurar espaços para escutar o Espírito Santo e permiti-Lo de operar em profundidade, como estamos experimentando em ocasião dos Sínodos sobre a Família. Com este estilo pastoral e espiritual de diálogo, o cardeal Martini não procurou somente envolver os membros da comunidade eclesial”, concluiu assim Francisco o seu prefácio.

Fonte: Rádio Vaticano

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