O que a quarentena me ensinou sobre a importância da família

Uma pandemia pode nos arruinar ou nos fortalecer como indivíduos e como família. Nós é que escolhemos

Estou em quarentena com minha família. Eu já mencionei que temos seis filhos pequenos? Então…Eles são maravilhosos e eu os amo até o fundo do meu coração. Mas não sei como passar o dia todo, todos os dias com eles.

Ontem, por exemplo, passei uma hora com as crianças. Elas preencheram o tempo jogando cartas no chão e depois exigindo que eu as pegasse. Qualquer outra atividade que eu sugeria fera recebida com desprezo. A coleta de 52 cartas era literalmente tudo o que elas estavam dispostas a fazer Normalmente, após um período tão emocionante, eu olhava para o relógio e percebia convenientemente que precisava trabalhar. Afinal, papai precisa de seu espaço.

Mas estou tentando aproveitar toda a alegria que posso neste momento de bônus com a família. Espero que todos vocês também estejam gostando de passar esse tempo com seus filhos. Porém, não há nada errado em passar um pouco do tempo sozinho – isso nos fortalece. A solidão, agora, é  muito mais difícil de alcançar, o que é uma bênção e um desafio. Estamos no meio de um enorme teste de estresse. É como um aconselhamento matrimonial gratuito e intensivo que ninguém queria ou pediu.

Tomemos, por exemplo, as notícias da China de que a quarentena causou um aumento no número de divórcios porque os casais passam muito tempo juntos. Meu amigo David Zahl, em Mockingbird, tem outro exemplo de um fenômeno estranho relacionado ao furacão Hugo. Em 1989, Hugo devastou vários condados da Carolina do Sul. O Journal of Family Psychology observa que um número maior do que o esperado de casais nos condados devastados se divorciaram no ano seguinte.

Entretanto, isso não é tudo. Mais pessoas se casaram e houve um aumento de nascimentos depois do furacão – o que me deixa empolgado com a possibilidade do boom de bebês daqui a nove meses. Parece que uma pandemia coloca-nos em novos e diferentes relacionamentos com nossos entes queridos. Isso nos arruinará ou nos tornará mais fortes – cabe a nós qual o caminho a seguir.

Vou usar minha própria falha como exemplo. Estar em casa o dia todo com crianças que constantemente exigem atenção me incomodou a princípio. Acostumei-me a um ambiente tranquilo e contemplativo no meu escritório, onde me concentro na leitura e na escrita. A semana passada foi exatamente o oposto. Tentei escrever em casa enquanto as maiores jogavam blocos de plástico na tela do meu computador e a menor, de cinco anos, me implorava para levá-la para fora. Fiquei incomodado, mas depois reconsiderei meu aborrecimento. Eu fiz algumas perguntas difíceis. Por que eu esperava que a vida continuasse como sempre? E por que no mundo eu teria reagido tão negativamente aos meus filhos pedindo atenção? Então eu mudei. Decidi ter uma grande oportunidade diante de mim.

Também estou vendo muitas outras famílias aproveitando essa oportunidade. De repente, liberadas de serem ocupados demais, as pessoas estão no jardim conversando, passeando, brincando no parque. Isso me faz pensar em como devemos aproveitar tudo isso antes de voltarmos à vida como de costume. Estamos sendo forçados a ter mais momentos de lazer juntos, e isso é muito, muito agradável.

O tempo em casa não precisa ser estressante e certamente não deve nos destruir. Tudo depende de nossa atitude. Então, eis o meu conselho: se você puder, vá lá fora e pratique um esporte. Jogue bola no quintal, dê um passeio. Mas quando estiver dentro de casa, se jogue nas brincadeiras com seus filhos.  Minha filha de cinco anos considera os jogos sua linguagem do amor. Há muitas risadas nos nossos jogos.

Enquanto as crianças não estão na escola, essa é também uma ótima chance de aprender novas habilidades – cozinhar em equipe, mostrar a elas como lavar a roupa e ajudá-las nos projetos domésticos. Sem pressa de estar em qualquer lugar pela manhã, comece o dia com um bom café da manhã. Chega de tigelas apressadas de cereais. Bacon e ovos para todos. Converse no café da manhã. Faça um breve período de oração em família antes ou depois.

Eu tenho visto muitas fotos na semana passada de casais jovens. As imagens são todas semelhantes. Um homem e uma mulher de mãos dadas. Ele está vestindo um terno e ela está usando um vestido branco. Eles estão se afastando de um altar da igreja e de um padre. Eles acabaram de se casar. As únicas outras pessoas à vista podem ser da família – pais ou irmãos. Nos rostos desses casais, em letras grandes para todos verem, há pura alegria. Tudo e todos que eles precisam estão ali nessa foto. Acontece o mesmo conosco!

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