O precioso trabalho dos catequistas!

    Fim de tarde, sol se pondo, passadas as matérias básicas da escola, segue o catequista, com a Bíblia na mão, o rosário no bolso, indo devagar, mas confiante, ao encontro da criançada que adentra as humildes salas do distinto Salão Paroquial. É a partir desta recordação que convido você a esta última reflexão, concluindo o mês vocacional, momento em que nos voltamos, como Igreja, em profunda prece e gratidão a todos os catequistas, mas de modo muito especial aos catequistas cujas histórias nos levam por estradas de terra empoeiradas, ladeadas por ipês e pelo repicar suave dos sinos das capelas interioranas; memória afetuosa que nos faz olhar para trás e enxergar a silhueta daqueles velhinhos e velhinhas que, com uma paciência sem fim, desenharam nos corações de gerações inteiras o primeiro rosto de Deus.

    Em um tempo mais bucólico e calmo, a catequese se misturava à própria vida da comunidade e das escolas rurais. Como esquecer o antigo “Ensino Religioso” nas carteiras de madeira das escolinhas do interior, onde a professora ou o catequista, com giz, quadro-negro e o catecismo na mão, nos ensinava as primeiras orações? Eram aulas em que a disciplina se dava pelo respeito quase sagrado com que aqueles mestres falavam do Céu, decorando com os pequenos o Pai Nosso, a Ave Maria e os Mandamentos da Lei de Deus.

    Àqueles catequistas idosos que ainda seguem na ativa, com seus óculos na ponta do nariz e a voz mansa que desacelera a pressa do mundo moderno: a vocês, a nossa mais sincera reverência. Ver um senhor ou uma senhora de cabelos brancos com a Bíblia aberta na capela, acolhendo as crianças com o mesmo entusiasmo de décadas atrás, é a prova viva de que o amor de Deus não envelhece. A sabedoria dos seus anos é o adubo mais fértil para a fé dos nossos jovens.

    Dirigimos também um olhar cheio de ternura àqueles velhinhos catequistas que hoje se encontram enfermos, acamados ou recolhidos no silêncio de seus lares. O corpo já cedeu ao cansaço dos anos, as mãos trêmulas talvez não consigam mais segurar o livro e a memória pode até falhar para as coisas deste mundo, mas a alma permanece ofertada ao Senhor. A catequese de vocês continua, agora no altar do sofrimento e na profundidade da oração silenciosa pelas famílias e pela paróquia. Nenhum passo dado por vocês no passado foi em vão.

    E como não fazer memória daqueles que já partiram para a Casa do Pai? A morte física levou a presença, mas não conseguiu apagar o legado. Eles continuam vivos e presentes em cada sinal da cruz feito antes das refeições, em cada terço rezado em família e na conduta honrada dos homens e mulheres que, na tenra idade, aprenderam com eles o valor do bem, da verdade e da justiça. Eles foram os cimentos invisíveis sobre os quais a fé das nossas comunidades foi edificada.

    Por fim, homenageamos as famílias que têm o privilégio de guardar em suas casas esses tesouros vivos. Honrar esses idosos — que empenharam toda a sua juventude e maturidade na nobre missão de catequizar — é manter acesa a chama da Esperança que só Deus pode inspirar. Que a bênção das alturas repouse sobre cada catequista de ontem e de hoje, pois a história de salvação que eles escreveram continua ardendo no coração de quem aprendeu a amar a Deus por meio de suas vidas!

    + Antônio Carlos Altieri, SDB

    Arcebispo Emérito de Passo Fundo, RS

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