O ENCONTRO COM DEUS

     Um tema recorrente na liturgia, sobretudo com a aproximação do Advento, é a vigilância na preparação do encontro com Deus, após a trajetória de cada um neste mundo. A parábola das virgens estultas e das virgens prudentes ilustra bem a reflexão sobre questão tão importante na existência do cristão (Mt 25,1-13). Trata-se da atenção ativa no que tange o momento no qual estará decidido o destino de cada um por toda a eternidade. As virgens imprevidentes não puderam entrar para a festividade do banquete nupcial. Claro o conselho de São Paulo na Carta aos Tessalonicenses para que todos sejam sóbrios, revestidos como de couraça, da fé e da caridade, tendo por elmo a esperança da salvação (1Tes 5,8). O que importa não é saber a hora em que o Senhor virá, mas se cada um estará ou não apto a acolhê-lo.  Jesus inculca a seus seguidores uma vigilância inteligente e confiante, atitude bem diferente da que tiveram as virgens descuidadas da parábola narrada pelo Filho de Deus. O amor com que se deve aguardar o encontro derradeiro com o divino Salvador aparta qualquer inquietação, mas também impede todo descuido que impede a entrada  um dia no banquete que Ele preparou para os que lhe forem fiéis nesta terra. Daí a necessidade de direcionar bem a liberdade e de agir com responsabilidade como quem espera confiante a chegada do grande Rei. Trata-se de fazer frutificar os dons que Deus concedeu a cada um. Então, amorosamente, o cristão pratica todas as virtudes por que deseja estar para sempre junto a seu Senhor. O tempo de vida que Deus concede a cada um é o precioso dom que Ele concede nesta preparação para o encontro definitivo com Ele. O que não se deve olvidar é a importância decisiva do instante da morte. Esta é, por assim dizer, o resultado, a súmula de todas as horas até então vividas  nesta terra praticando o bem. Cada ato de fé, de esperança e de amor a Deus e ao próximo, cada esforço para fazer ininterruptamente a vontade divina fulgirão naquele momento final para felicidade de quem foi virtuoso. Para os bons a morte firmará a relação filial com o Ser Supremo, garantindo-lhe a salvação eterna. Feliz aquele cuja vida tiver sido uma procura continua para conhecer e amar a Deus, pois se estará para sempre com Ele. Felizes na hora derradeira os que tiveram total gratuidade para com o grande Rei que os receberá para o festim dos eleitos. É de bom alvitre observar ainda que a Parábola das dez Virgens se desenrola em dois tempos: inicialmente na primeira parte da noite e daí as lâmpadas para aguardar o esposo e, depois, sua chegada. O esposo representa Deus.  A lâmpada significa a fé. O óleo simboliza a confiança. De plano, as dez jovens estavam tranquilas, confiantes. Suas lâmpadas iluminavam. Elas puderam até adormecer.  Tudo estava sereno.  Eis, porém, que chega o esposo, mas o óleo havia acabado, bem simbolizando a fé que pode se extinguir. Entretanto, cinco foram cautelosas e trouxeram suplemento deste óleo consigo, mas cinco tiveram que ir comprar aquele combustível e ao voltarem encontraram porta fechada. Daí a grande lição dada por Jesus: “a Vigiai porque não sabeis nem o dia nem a hora”.  Por vezes, o desânimo se torna insuportável, incompreensível, multiplicam- se as ilusões, os momentos de angústia, o abandono, o vazio, o temor! Não se pode ficar jamais sem o óleo da esperança para si e para os outros.  Os insensatos não terão outra chance, adverte Jesus, mostrando que se deve estar sempre prevenido. Cumpre ter sem cessar uma fé atuante alimentada pelo desejo da vida eterna e pelas preces contínuas.  A condição para poder participar das delícias eternas é não deixar adormecer as verdades perenes, pois, elas conduzem à liberdade, deixando sempre Deus agir em tudo.   Cumpre,continuamente, repetir com o salmista: “Pronto está o meu coração, ó meu Deus, quero entoar e cantar louvores. […] Despertai harpa e cítara! Quero acordar a aurora, quero louvar-vos sempre, ó Senhor! (Sl 56,8-9).

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