Hosana ao Filho de Davi!

    Chegamos a mais uma Semana Santa. O Domingo de Ramos este último domingo convida-nos a contemplar esse Deus que, por amor, desceu ao nosso encontro, partilhou a nossa humanidade, fez-Se servo dos homens, deixou-Se matar para que o egoísmo e o pecado fossem vencidos. A cruz (que a liturgia deste domingo coloca no horizonte próximo de Jesus) apresenta-nos a lição suprema, o último passo desse caminho de vida nova que, em Jesus, Deus nos propõe: a doação da vida por amor.

    Com os ramos nas mãos, seguimos os passos de Jesus em sua entrada em Jerusalém e em seu percurso rumo à cruz. A solene liturgia nos introduz na Semana Santa, centro do grande acontecimento de nossa fé: o mistério da paixão, morte e ressurreição de Jesus!

    Concluímos a Campanha da Fraternidade e iniciamos hoje a Semana Santa, com a entrada de Jesus em Jerusalém e a leitura da Paixão. É chegada a “hora” de Jesus proclamar o seu messianismo, que se baseia na simplicidade e não nos esquemas de poder. Jesus realiza alguns gestos proféticos, como purificar o templo e amaldiçoar a figueira que não produziu frutos; gestos que mostram a purificação e a conversão que Israel precisa. O povo entende o gesto e reconhece a atitude de Jesus como profeta; as autoridades, porém, consideram o gesto com receio e confusão. A Semana Santa é o grande momento da nossa espiritualidade. Vale a pena vivenciá-la em profundidade.

    A primeira leitura(Is 50,4-7) apresenta-nos um profeta anônimo, chamado por Deus a testemunhar no meio das nações a Palavra da salvação. Apesar do sofrimento e da perseguição, o profeta confiou em Deus e concretizou, com teimosa fidelidade, os projetos de Deus. Os primeiros cristãos viram neste “servo” a figura de Jesus.

    A segunda leitura (Fl 2,6-11) apresenta-nos o exemplo de Cristo. Ele prescindiu do orgulho e da arrogância, para escolher a obediência ao Pai e o serviço aos homens, até ao dom da vida. É esse mesmo caminho de vida que a Palavra de Deus nos propõe.

    O Evangelho (Mt 27,11-54) convida-nos a contemplar a paixão e morte de Jesus: é o momento supremo de uma vida feita dom e serviço, a fim de libertar os homens de tudo aquilo que gera egoísmo e escravidão. Na cruz, revela-se o amor de Deus – esse amor que não guarda nada para si, mas que se faz dom total.

    Jesus cumpre a sua missão oferecendo-se a si mesmo como vítima inocente em prol de todos. Por sua obediência e amor, Deus o exaltará e glorificará; e, com os irmãos salvos, Ele louvará o Senhor em sacrifício de ação de graças aberto a todos. Como a Palavra de Deus hoje proclamada nos faz ver que Jesus é nosso Salvador? O que resgata a sua morte, o que a transfigura é o imenso peso de amor com que faz o dom da vida, para libertar-nos da violência e do ódio, do fanatismo e do medo, do orgulho e da autossuficiência; para tornar-nos, com Ele, disponíveis a Deus e aos outros, capazes de amar e perdoar. Caminhemos com Jesus e não fujamos do julgamento, do sofrimento, da cruz e até da morte, para sairmos vitoriosos com Ele.

    Muitas vezes deve ecoar em nossa consciência o grito de Jesus: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?” Senhor, nesta Semana Santa, ajudai-me a seguir teus passos e não te abandonar até a cruz e a ressurreição. Nós, os seguidores de Jesus, devemos nos identificar com Cristo e amar a Deus como ele, para acolher, defender e proteger os mais vulneráveis da sociedade, sem dar as costas aos que perdem seus empregas, suas casas, sua dignidade. Não basta acenar e saudar o Cristo triunfante, precisamos também acolher e amar o Cristo, que padece na Cruz. O mesmo Cristo, que está no altar para a nossa adoração, está em nossas ruas, sofrendo, a nossa espera.

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