Florestas da vida

    Os cristãos são convidados a pensarem o mundo como se ele fosse uma grande floresta ou uma vasta selva: escura e áspera. Também devem pensar que estão colocados numa enorme avenida, muitas vezes assustadora e difícil de andar e trafegar, por ser engarrafada, com obstáculos e declives. Na fé e na esperança, em meio aos oceanos, fartos de riscos por suas incontáveis ondas, defronta-se a vida dos seres humanos, mas sem fugir da imagem de um clima árido, sem esquecer quão espinhosos e pedregosos são os seus trajetos. A prática solidária do amor, nas avenidas e florestas da vida, nos ajuda a romper barreiras: “Tudo aquilo que fizestes a um só destes meus irmãos pequeninos, a mim o fizestes”. Sejamos sensibilizados, evidentemente, pelas palavras do Evangelho, no que diz São João da Cruz: “No entardecer da vida seremos julgados pelo amor”.

    O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, na sua essência, quer colocar no coração das pessoas, por toda a extensão do mundo, o compromisso da missão, “quebrando a crosta do egoísmo”, sem se desviar da índole e alma da Igreja, num estreitamento sempre muito claro, no paradoxo ou jeito luminoso, pela ação e pela contemplação, naquela estrada delineada por Santa Teresa d’Ávila, ela que nos falou sobre a nova maneira de viver dos seguidores de Jesus de Nazaré, no seu modo mais completo e entrelaçado: caminho de perfeição. O desejo de viver a partir do que nos ensina o Cristo é o desafio maior, mas não à margem do mundo e de sua história, e sim tendo por eixo o curso da própria história humana. Precisa-se, desse modo, priorizar, no seu sentido mais amplo, o que a Igreja anuncia, mas numa fé lúcida, viva, franca e despretensiosa, acompanhada de uma mística sólida e consequente.

    Bem-aventurados os que abraçam a fé e que contam com a força misteriosa da graça de Deus. Bem-aventurados os que buscam a superação de tudo aquilo que parece obscuro e ariscado, nas contingências e condições humanas, mas querendo ser a manifestação da presença de Deus, ao estender sua mão redentora, dom maior para o mundo. Agora que se aproxima o Natal do Senhor, abramos nosso espírito, no sincero compromisso, o do discernimento, distanciando-nos das armas do ódio, do rancor e da violência, e que esse espírito seja muito verdadeiro, na busca da tolerância, da paz e da concórdia entre os povos. Assim seja!

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