Eis o tempo de conversão

             Com a quarta-feira de Cinzas, neste tempo tão diferente devido a COVID-19, começamos a Quaresma, tempo de penitência e de renovação interior para prepararmos a Páscoa do Senhor. A liturgia da Igreja convida-nos com insistência a purificar a nossa alma e a recomeçar novamente.

              Diz o Senhor Todo-Poderoso: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração, com jejum, lágrimas e gemidos de luto. Rasgai os vossos corações, não as vossas vestes; convertei-vos ao Senhor vosso Deus, porque ele é compassivo hoje. E quando o sacerdote impuser as cinzas sobre nossas cabeças, recordar-nos-á as palavras do Gênesis, depois do pecado original: “lembra-te, ó homem, de que és pó e em pó te hás de tornar” (Gn 3,19).

             Lembra-te, e não obstante às vezes esquecemos que sem o Senhor não somos nada. Sem Deus, nada resta da grandeza do homem senão este montinho de pó sobre um prato, numa ponta do altar, nesta quarta-feira de Cinzas, com o qual a Igreja nos deposita na cabeça como que a nossa própria substância.

             O Senhor quer que nos desapeguemos das coisas da terra para que possamos dirigir-nos a Ele, e que nos afastemos do pecado, que envelhece e mata, e retornemos à fonte da vida e da alegria: “O próprio Jesus Cristo é a graça mais sublime de toda a Quaresma. É Ele quem se apresenta diante de nós na simplicidade admirável do Evangelho.

             Dirigir o coração a Deus, converter-se, significa estarmos dispostos a empregar todos os meios para viver como Ele espera que vivamos, a não tentar servir a dois senhores, a afastar da vida qualquer pecado deliberado. Jesus procura em nós um coração contrito, conhecedor das suas faltas e pecados disposto a eliminá-los. Então lembrar-vos-eis do vosso proceder perverso e dos vossos dias que não foram bons. O Senhor deseja uma dor sincera dos pecados, que se manifestará antes de tudo na Confissão sacramental: Converter-se quer dizer para nós procurar novamente o perdão e a força de Deus no sacramento da reconciliação e assim recomeçar sempre, avançar diariamente.

             O Senhor também nos pede hoje um sacrifício um pouco especial: a abstinência e, além dela, o jejum, pois o jejum fortifica o espírito, mortificando a carne e a sua sensualidade; eleva a alma a Deus; abate a concupiscência, dando forças para vencer e amortecer as suas paixões, e prepara o coração para que não procure outra coisa senão agradar a Deus em tudo.

    Com a quarta-Feira de Cinzas, começa oficialmente o tempo da Quaresma que nos conduzirá ao Ciclo Pascal. Quaresma, uma vez mais! Tempo forte na caminhada do ano eclesiástico-litúrgico. Convite e apelo para o silêncio, a prece, a conversão. E quando se fala em Quaresma, geralmente a gente tem uma ideia de uma coisa negativa e triste. É tempo de reconfigurarmos nossas vidas com o Senhor, tempo de recomeçar, de renovar nossa vida batismal.

             Quarenta dias antes da Páscoa, a Igreja, Mãe e Mestra, abre solenemente o tempo de penitência, chamado Quaresma, em preparação para a celebração da Páscoa: quarta-feira de Cinzas.

        Neste dia, após a Liturgia da Palavra, em que se proclama o trecho do Evangelho em que Cristo recomenda a oração, o jejum e a esmola como exercícios de conversão (cf. Mt 6,1-18), realiza-se o rito da imposição das cinzas. Elas são sinal de que aceitamos entrar neste tempo de penitência, no sentido de conversão. A conversão consiste, sobretudo, no reconhecimento de nossa condição de criaturas limitadas, mortais e pecadoras. No gesto de imposição das cinzas sobre a cabeça das pessoas, o sacerdote, neste ano, dirá uma única vez para todos: “Convertei-vos e crede no Evangelho” ou “lembra-te que és pó, e ao pó hás de voltar”. Depois disso espargirá individualmente as cinzas sobre a cabeça de cada um. A conversão consiste em crer no Evangelho. Crer é aderir a ele, viver segundo os ensinamentos do Senhor Jesus. Numa das orações de bênção das cinzas se diz: “Reconhecendo que somos pó e que ao pó voltaremos, consigamos, pela observância da Quaresma, obter o perdão dos pecados e viver uma vida nova, à semelhança do Cristo ressuscitado”.

             Que Deus nos ilumine neste tempo de quaresma que se inicia, que possamos fazer e cumprir com os nossos propósitos para assim termos um coração cada dia mais preparado para o Senhor e para ser fermento neste mundo que tanto necessita do amor e da misericórdia de Deus.

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