D. JAIME DE BARROS CARDEAL CÂMARA

             Neste ano de 2021, no dia 18 de fevereiro, celebramos 50 anos da partida de D. Jaime Cardeal Câmara para a eternidade na data que celebrava 25 anos de cardinalato, Depois de 76 anos de vida, 51 de presbiterado, 36 de episcopado e servindo à nossa Arquidiocese durante 28 anos.

             Sua Eminência Reverendíssima o Senhor Dom Jaime, Cardeal da Santa Romana Igreja de Barros Câmara, Terceiro Cardeal Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ, nasceu em 03 de julho de 1894, no município de São José, no Estado de Santa Catarina, é filho da segunda união matrimonial do Sr. Joaquim Xavier de Oliveira Câmara e da Sra. Anna de Carvalho Barros, que era da cidade de São Salvador na Bahia.

    Pertencente a uma modesta família local, cedo viu-se órfão de pai, o que mais ainda agravou a situação financeira da família: foi com esforço que Ana Câmara educou os cinco filhos.

    Após fazer os estudos primários em sua cidade natal, Jaime Câmara ingressou em 1906 no Ginásio Catarinense de Florianópolis, onde concluiu o curso ginasial em 1912. No ano seguinte iniciou-se no magistério, dando aulas nesse mesmo colégio, no qual exerceu também as funções de administrador. Em 1914, transferiu-se para a cidade gaúcha de São Leopoldo, onde ingressou no Seminário de Nossa Senhora da Conceição, pelo qual se diplomou, cinco anos depois, em filosofia e teologia.

             O então vocacionado Jaime, fez, portanto, seus estudos eclesiásticos na cidade de São Leopoldo, no Estado do Rio Grande do Sul, vindo a ser ordenado em 1º de Janeiro de 1920, pelas mãos de Dom Joaquim Domingues de Oliveira em celebração realizada na catedral Metropolitana de Florianópolis, tendo presidido sua primeira missa no dia seguinte, na igreja de São José. Sua vida sacerdotal desenvolveu-se a partir de então em Santa Catarina, iniciando-se com a substituição do cura da catedral de Florianópolis por um curto período de tempo. Depois disso, Jaime Câmara foi coadjutor da paróquia de Tijucas (SC) — onde exerceu o cargo de presidente da sociedade que dirigia o hospital municipal —, capelão das Irmãs da Divina Providência, cura da catedral Metropolitana, capelão do Hospital de Caridade de Florianópolis e secretário do bispado dessa cidade. Em 1927, com a criação do Seminário Menor de Azambuja, no município de Brusque (SC), foi nomeado seu primeiro reitor, função que desempenharia até 1935. Dois anos depois dessa indicação, foi designado cônego.

    Teve como grande e honrosa missão a reitoria do Seminário Nossa Senhora de Lourdes na região de Azambuja/Brusque e, também, foi reitor do Santuário de Nossa Senhora do Caravaggio de Azambuja no período de 1926 a 1936. E em junho de 1935, Jaime Câmara foi nomeado camareiro secreto de Papa Pio XI, utilizando assim o título de Monsenhor.

    Ainda, no ano de 1935 em 19 de dezembro, foi chamado ao ministério episcopal, sendo nomeado bispo da diocese de Mossoró, no Estado do Rio Grande do Norte. A ordenação episcopal no dia 2 de fevereiro de 1936 na cidade de Florianópolis, tendo como ordenante principal o mesmo que lhe ordenara presbítero e como co-ordenantes Dom Pio de Freitas Silveira, CM – bispo de Joinville e Dom Daniel Henrique Hostin, OFM – bispo de Lages. Tomou posse na diocese em abril e aí passando a desenvolver uma linha de atuação preocupada basicamente com dois aspectos: o das vocações e o da ação social junto aos trabalhadores das salinas locais.

    Em relação às vocações, dom Jaime procurou intensificar o recrutamento de religiosos, determinando, entre uma de suas primeiras medidas, a fundação e a edificação de um novo seminário, do qual foi também o primeiro reitor e professor. Inaugurado em 2 de fevereiro de 1937 com 24 alunos, esse seminário em três anos duplicaria seu número de internos.

    O segundo aspecto da atuação de dom Jaime em Mossoró visava promover a aproximação entre a Igreja e os trabalhadores das salinas. Para tanto, foi criado o Círculo Operário de Mossoró, um tipo de associação civil de trabalhadores, de inspiração católica, que começou a surgir em todo o país durante a década de 1930.

    Dom Jaime consagrou-se, ainda nessa diocese, a outras instituições de caráter assistencial, tendo sido responsável pela construção do Asilo Amantino Câmara, edificado com a herança deixada por seu irmão, que falecera recentemente no Rio de Janeiro, e pela organização da Ação Católica local.

             No dia 15 de setembro de 1941, o Papa Pio XII, o nomeou Arcebispo de Belém do Pará, a posse se deu em 1º de janeiro de 1942, ou seja, no dia em que completava 22 anos de ordenação sacerdotal. No pouco tempo que ficou a frente da metrópole paraense, Dom Jaime promoveu a tão desejada reforma dos estudos eclesiásticos do Seminário Arquidiocesano, também no seu governo foi adquirido o Colégio Progresso Paraense, que tornou-se o conceituado Colégio Santa Maria de Belém, com grande êxito também conseguiu a sede do Círculo Operário e o Seminário Ferial, que depois foi conhecido como Centro de Treinamento Tabor, na cidade de Icoaraci, hoje uma casa de encontros da Arquidiocese. Organizou ainda, por ocasião do Congresso Eucarístico de Manaus, uma peregrinação fluvial, que, ao longo de 11 dias, levou para a capital amazonense o Santíssimo Sacramento.

    Em 17 de outubro de 1942, a morte do cardeal dom Sebastião Leme, que se destacara à frente do episcopado brasileiro, deixou vaga a Arquidiocese do Rio de Janeiro (então Distrito Federal), que permaneceu sem titular durante quase um ano.

             O Papa Pio XII o nomeou em 03 de julho de 1949 Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, sede do Governo Federal, justamente no dia em que completava 49 anos de vida, vindo a ser empossado em no dia 15 de setembro de 1943, justamente no dia em que completava dois anos da sua nomeação a Arcebispo da Arquidiocese de Belém do Pará.

             Nosso querido Dom Jaime, foi o grande protagonista pelo estabelecimento da Igrejas Orientais no Brasil, e isso ocorreu quando, teve a honra e a alegria de erigir a Igreja de São Basílio, que pertence ao rito greco-melquita, e na qual ele fazia questão de chamar de joia rara.

    A atuação de dom Jaime na arquidiocese foi assinalada, mais uma vez, pela atenção dada à questão da formação sacerdotal, da qual resultou a reformulação material e intelectual do Seminário do Rio de Janeiro. As novas instalações do estabelecimento permitiram a realização, pela primeira vez, de um congresso nacional de reitores de seminários, em janeiro de 1948. Por outro lado, dom Jaime deu ênfase ao ensino religioso, quer ministrando pessoalmente aulas de religião no Instituto de Educação da Prefeitura do Distrito Federal, quer estimulando os cursos de formação catequética já existentes.

             Dom Jaime juntamente com Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, foram criados Cardeais da Santa Romana Igreja em dezembro de 1945 e a investidura ocorreu em 18 de fevereiro de 1946, e no dia 22 de fevereiro do mencionado ano, era instalado como Cardeal-Presbítero da Igreja São Bonifácio e Aleixo, assim como seus antecessores e o seu predecessor, e que futuramente um dos seus sucessores iria se intitular da mesma Igreja. É importante ressaltar que tal Igreja sempre foi confiada aos cardeais do Rio de Janeiro, mas com a nomeação de Dom Eugenio, que já era Cardeal e por já tinha a sua Igreja na cidade de Roma, tal Igreja ficou aos cuidados de dois grandes Cardeais que serviram a Igreja de São Salvador da Bahia. Ou seja, Cardeal Avelar Brandão Vilela e Cardeal Frei Lucas Moreira Neves, OP. Dom Jaime tornou-se dessa forma o terceiro cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, passando nesse mesmo ano a integrar e a presidir a comissão episcopal para a Ação Católica Brasileira (ACB), cuja reformulação promoveu. Implantada em 1935 pelo cardeal Leme, em resposta às solicitações do Papa Pio XI no sentido de que fossem criadas em todos os países associações leigas vinculadas à Igreja, sem qualquer filiação política e encarregadas de promover a “evangelização das nações”, a ACB já vinha apresentando, bem antes da morte de dom Leme, em 1942, sinais de declínio, evidenciados na pequena mobilização que conseguira provocar. Durante o ano de 1946, foram elaborados, com o auxílio da comissão episcopal, os novos estatutos da associação, que, aprovados pelo Vaticano, foram adotados no I Congresso da ACB, realizado no Rio de Janeiro nos meses de maio-junho.

             Dom Jaime como Metropolita de São Sebastião do Rio de Janeiro, recebeu duas grandes missões ainda no Pontificado do Papa Pio XII em 06 de novembro de 1950, tornou-se o bispo referencial para o Vicariato Castrense do Brasil, ficando nesta função até 09 de novembro de 1963. É importante ressaltar que o Vicariato Castrense, passou a ser chamado de Ordinariato Militar, a partir de 21 de abril de 1986 através da Constituição Apostólica Spirituali Militum Curae. Datam dessa época seus contatos com diversas unidades militares — entre as quais as academias do Exército, da Marinha e da Aeronáutica —, para as quais preparou, e muitas vezes chegou mesmo a presidir, as celebrações da Páscoa.

             E em 14 de novembro de 1951, tornou-se o bispo referencial para as Igrejas de Rito Oriental sem Ordinário Próprio, missão esta que cumpriu com muito amor e zelo apostólico.

             Um dos maiores acontecimentos eclesiais do Brasil foi o XXXVI Congrego Eucarístico Internacional realizado na Arquidiocese em 1955. O Cardeal Câmara assim se expressou sobre o Congresso: “Ainda vive bem gravada em nossa memória e em nosso coração a lembrança do XXXVI Congresso Eucarístico Internacional. Pode-se proclamar, sem receio de exagero, que foi o maior acontecimento religioso da América, pois, jamais presenciáramos tal manifestação de fé, com aquele caráter de internacionalidade como o foi o Congresso Eucarístico do Rio de Janeiro. Sim, podemos dizer que uma das notas características do Congresso foi sua internacionalidade. Para o coração de bispo brasileiro e particularmente de arcebispo do Rio de Janeiro, uma das maiores consolações foi o sentir a compreensão que do Congresso tiveram nossos patrícios e queridos diocesanos. O interesse despertado em todos os setores é disto prova cabal” – (Rio, 12.03.1956).

             Ele foi um dos iniciadores da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil que foi fundada em 14 de outubro de 1952 no Salão Nobre do Palácio São Joaquim, sede da Arquidiocese do Rio de Janeiro e, ainda, foi o Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, mandato este que perdurou de 1958 a 1963.

    Dom Jaime também ajudou a organizar a primeira Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, que foi realizado na cidade do Rio de Janeiro no ano de 1955. Reunida entre 25 de julho e 4 de agosto, essa conferência decidiu a criação do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), para o qual dom Jaime foi eleito presidente, função que exerceria até 1960.

             Na condição de Cardeal participou de dois conclaves de 1958 e 1963, conclaves que elegeram São João XXIII e São Paulo VI, sem falar que participou de todas as sessões do Concílio Ecumênico Vaticano II, dando assim, a sua preciosa contribuição para aquele acontecimento histórico eclesial.

             Recordo de algumas obras pastorais de Dom Jaime como Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro: 1 – A Ação Social Arquidiocesana – ASA; 2 – A Universidade Católica, obra notável da Igreja no Brasil dando continuidade às Faculdades Católicas criadas por D. Leme; 3 – No Seminário Maior e as vocações, com a inauguração do novo edifício do Seminário Maior; 4 – O Sínodo Arquidiocesano; 5 – a nova Catedral Metropolitana, grande obra de seu mandato (Durante o ano de 1964, a Arquidiocese do Rio de Janeiro decidiu construir uma nova catedral Metropolitana. No início de 1965, em cerimônia realizada no dia 19 de janeiro no palácio São Joaquim, foram instaladas as comissões encarregadas da construção do novo templo. A cerimônia contou com a presença do governador da Guanabara, Carlos Lacerda, que também compareceu ao lançamento, no dia seguinte, da pedra fundamental da futura catedral); – 6 – a Previdência do Clero; 7 – o Amparo Maternal como trabalho social; 8 – as Capelanias Militares; 9 – o Apoio Fraternal para as atividades sociais da Arquidiocese; 10 – o Banco da Providência; 11 – A criação de 114 Paróquias na Arquidiocese, instaladas nas zonas mais afastadas do centro urbano, mais populosas e, portanto, mais abertas à evangelização e a criação de seis Vicariatos; 12 – Incremento da Campanha da Fraternidade; 13 – Escola Mater Ecclesiae; 14 – a participação do Concílio Ecumênico Vaticano II. D. Jaime foi um grande visitador das paróquias da Arquidiocese subindo e descendo os morros. Além disso a sua presença no Seminário chegando sem avisar e ministrando aulas foi uma das suas características. A visão missionária de presença da igreja no território da Arquidiocese o fez um grande arauto de novas presenças da igreja na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. A presença de D. Jaime no Rio de Janeiro daria muito livros de fatos, testemunhos e reflexão.

             E em 29 de maio de 1959, Dom Jaime foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo de Portugal, honraria esta recebida por pouquíssimos purpurados. Dom Jaime sempre esteve muito atento a situação social, econômica e política do Brasil, até mesmo por ser Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, que era por excelência a primeira sede cardinalícia do Brasil. Esteve presente no tempo da revolução de 1964. Durante esse tempo e tantas manifestações nacionais ele também esteve presente com celebrações e manifestações.

    Na manhã de 16 de fevereiro de 1971, dom Jaime foi homenageado pelos bispos da CNBB pelo seu aniversário de cardinalato, o que lhe provocou, pela emoção, as primeiras dores cardíacas. Apesar do repouso que lhe fora recomendado pelo médico, dom Jaime manteve sua decisão de viajar para Aparecida (SP), onde rezaria missa com dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota, arcebispo daquela cidade e que, como ele, fora elevado ao cardinalato em 1946. No dia 18 de fevereiro de 1971, depois de celebrar a missa, dom Jaime tornou a ter problemas cardíacos, vindo a falecer no mesmo dia, ainda em Aparecida.

             Dom Jaime faleceu em 18 de fevereiro de 1971, justamente no dia em que completava 25 anos da sua investidura cardinalícia, morreu na Cidade de Aparecida, SP, pois tinha como grande compromisso celebrar ao lado do amigo e irmão, Cardeal Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, 1º. Cardeal Arcebispo Metropolitano de Aparecida, SP, o jubileu de prata cardinalício. Seu corpo foi transportado para o Rio de Janeiro onde foi sepultado na cripta da nova catedral.

             Em seus 35 anos de episcopado Cardeal de Barros Câmera ordenou 21 bispos, para toda a Igreja no Brasil, entre eles se destacam Dom José Newton de Almeida Baptista (Brasília), Dom Luis do Amaral Mousinho (Ribeirão Preto), Dom Alberto Gaudêncio Ramos (Belém do Pará), Dom Hélder Pessoa Câmara (hoje, servo de Deus), Dom José Vicente Távora, Dom Cândido Rubens Padín e Dom Waldyr Calheiros Novaes, entre outros.

    Dom Jaime de Barros Câmara foi membro do Sacro Colégio dos Cardeais da Santa Sé e do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Pertenceu também às congregações dos seminários, das universidades de estudo e da Fábrica de São Pedro e da Cúria Romana. Foi doutor honoris causa da Faculdade de Filosofia da PUC do Rio de Janeiro.

    Entre as diversas obras por ele publicadas, incluem-se: Apontamentos de história eclesiástica (1942), Manifesto do episcopado sobre o problema político e a questão social do Brasil (1945), Compêndio de teologia pastoral oferecido aos seminaristas do Brasil (1948), O clero em retiro espiritual (1955), Compêndio de teologia pastoral (1955), O sacerdote em viagem (1956), Problemas (1963), Os grandes campeões da fé (1966) e Reflexões para religiosos em viagem (2v., 1968).

             Duas marcas profundas do Cardeal Barros Câmara foi a humildade e a pobreza. Era pobre e humilde. Esse é um testemunho dos que o conheceram e viveram no seu tempo. Viveu uma vida modesta e toda a sua herança foi empregada em obras de caridade.

             Comemoramos neste dia 18 de fevereiro, os 50 anos de falecimento deste grande Cardeal Arcebispo que amou profundamente a Igreja de São Sebastião do Rio de Janeiro. Durante meio século como sacerdote, Dom Jaime de Barros Câmara comunicou a Palavra de Deus. Exerceu amplamente a vocação missionária levando Nosso Senhor Jesus Cristo e a Mãe Igreja aos pobres. A todos abria os braços. A uns, animava; a muitos confortava. Falou e escreveu, transmitindo a palavra paternal, o pensamento elevado, a doutrina pura e lúcida. Propagou a fé, estimulou a esperança e exaltou a caridade e a misericórdia.

             Eleito Bispo Dom Jaime escolheu como lema: “Ignem veni mittere” (Vim trazer o fogo). Passou a sua vida conduzindo todos os que cruzavam o seu caminho para o encontro com Deus. Amou os pobres e viveu uma vida com eloquente caridade e humildade.

             Dom Jaime começou o seu ministério na festa de Maria Mãe de Deus e o conclui aos pés da Virgem de Aparecida. Neste 50º aniversário de seu falecimento a homenagem e gratidão da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro.*

     

     

    *Fontes, citações e informações:

    Arquivo arquidiocesano

    Arquivo FGV, Regina Luz Moreira

    Vida e Obras de D. Jaime por Martins Alonso

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