Coleta para os Lugares Santos

    Na celebração da Sexta-Feira Santa não há ofertório, até porque não há celebração de Missa. É o único dia do ano em que a Igreja não celebra a Missa, mas somente a Ação Litúrgica da Paixão do Senhor e a Adoração da Cruz. Mesmo assim, somos convidados a contribuir com a Coleta para os Lugares Santos durante e após a adoração à Santa Cruz, antes da comunhão.

    Os Lugares Santos são igrejas e edifícios sagrados de forte apelo popular, localizados em várias partes do mundo, sobretudo na Terra Santa. Esses locais, para se manterem, precisam da ajuda da Igreja, para que os templos possam estar sempre bem conservados e preparados para receber os fiéis.

    Principalmente no período da Semana Santa e da Páscoa, os Lugares Santos recebiam muitos fiéis e agora necessitam da ajuda do povo de Deus para manter os religiosos que neles trabalham, conservar os templos, manter as despesas em dia e acolher bem os peregrinos que procuram esses locais. Infelizmente, neste ano, devido à guerra no Oriente Médio e à tensão instaurada na Faixa de Gaza, o número de peregrinos diminuiu muito e até mesmo zerou. Mesmo assim, a Igreja permanece presente ali, e é necessário manter os templos. Os responsáveis pelos lugares santos nos pedem generosidade para ajudarmos os nossos irmãos católicos em todos os serviços litúrgicos e sociais na terra santa.

    Sejamos generosos em nossa coleta na Sexta-Feira Santa, tendo a certeza, em nosso coração, de que o dinheiro que iremos doar não ficará na paróquia, mas será destinado à Cúria Diocesana, que o encaminhará aos responsáveis pelos lugares santos. A Terra Santa é o berço do cristianismo, e essa coleta resulta em diversas ações: desde a acolhida dos peregrinos até a aquisição de material litúrgico e tudo o que é necessário para a missão dos religiosos naquela região assim como muitos trabalhos educacionais e sociais.

    As coletas acontecem todos os anos, geram muitos frutos e costumam ser generosas. Inclusive, durante a pandemia da Covid-19, as paróquias destinaram contribuições significativas. Novamente, neste ano, pede-se a colaboração de todos os fiéis para a Sexta-Feira Santa, dia 3 de abril, diante do cenário de guerras e conflitos que vivemos. Cristo morreu na Cruz por amor a todos nós; por isso, também devemos amar o próximo e ajudar as igrejas que acolhem os peregrinos.

    Ao longo de todo o ano, a Igreja conta com a ajuda do povo de Deus em cinco coletas principais: Coleta para a Evangelização (Advento), Coleta da Campanha da Fraternidade (Domingo de Ramos), Coleta para os Lugares Santos (Sexta-Feira Santa), Óbolo de São Pedro (Dia do Papa) e Missões e Santa Infância (outubro), além das promovidas pelas igrejas particulares, de acordo com o calendário da Conferência Episcopal. No Brasil, há a coleta para as vocações, em agosto, destinada aos seminários diocesanos. São ocasiões em que todo o povo de Deus é chamado a contribuir, como membros da Igreja.

    A Coleta para os Lugares Santos foi instituída por São Paulo VI, em 25 de março de 1974, por meio da Exortação Apostólica Nobis in animo. O Papa Paulo VI nutria grande preocupação pela Igreja de Jerusalém e temia que os templos ali existentes ficassem sem manutenção adequada e, com isso, diminuísse a presença de fiéis naquele lugar, berço da nossa fé. Por meio dessa Exortação Apostólica, ele incentiva toda a Igreja a olhar com atenção e carinho para a missão, sobretudo nos Lugares Santos.

    “A Igreja de Jerusalém ocupa um lugar de eleição na solicitude da Santa Sé e na preocupação de todo o mundo cristão, enquanto o interesse pelos Lugares Santos, e em particular pela cidade de Jerusalém, emerge mesmo nos grandes consensos das nações e nas maiores organizações internacionais”, afirmou o Santo Padre na Exortação Apostólica.

    Ao contribuir com a Coleta para os Lugares Santos, cumprimos o mandato de Jesus e nos tornamos missionários. Mesmo não estando fisicamente no campo de missão, colaboramos para que o Reino de Deus seja anunciado naquele lugar. O termo “católico” significa universal: a Igreja não anuncia o Evangelho apenas em um local, mas no mundo inteiro. Esse caráter universal também expressa comunhão, ou seja, a união de todos os fiéis com Cristo. Ao fazermos a nossa parte, contribuindo com essa coleta, vivemos essa comunhão com Cristo e com todos os cristãos.

    Esse dinheiro arrecadado é necessário não apenas para a manutenção dos templos, mas também para sustentar sacerdotes e religiosos, garantindo a celebração da Eucaristia e a continuidade da missão e para os vários serviços sociais e educacionais. Sem os sacerdotes, não há Eucaristia; sem os religiosos, não há presença junto aos enfermos nem anúncio do Reino de Deus. Por isso, a Igreja, com sabedoria, realiza essa coleta na Sexta-Feira Santa, para que Cristo, que morreu e ressuscitou, continue presente naquele lugar.

    A Coleta para os Lugares Santos é também uma forma concreta de vivermos a caridade, tão recomendada durante o tempo quaresmal. Na Quaresma, somos convidados a praticar três dimensões essenciais: oração, jejum e caridade, que estão profundamente unidas. A coleta realizada na Sexta-Feira Santa é uma expressão concreta dessa caridade. A Igreja é, por sua natureza, caridosa; a caridade está em seu centro, e por isso ela olha com especial atenção para aqueles que mais necessitam — e o povo da Terra Santa, hoje, necessita de nossa ajuda.

    Assim, com a colaboração de toda a comunidade, a Igreja poderá manter viva a evangelização na Terra Santa e nos demais locais de missão. A Igreja Católica, sendo universal, conta com o apoio dos fiéis nos quatro cantos do mundo e está presente em toda a terra.

    Sejamos generosos na coleta desta Sexta-Feira Santa, conscientes de que estaremos exercendo a caridade quaresmal. O que ofertarmos não ficará na paróquia nem com o sacerdote, mas será destinado à missão da Igreja, especialmente na Terra Santa, onde nasceu a nossa fé e que tanto necessita de ajuda neste tempo de guerras e conflitos. Lembremo-nos também de que muitos inocentes estão morrendo por causa da guerra, e inclusive a Igreja Católica ali presente corre grandes riscos.

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