Campanha da Fraternidade.

    Estamos celebrando, dentro da Quaresma, a Campanha da Fraternidade de 2018. A Campanha quer nos falar da violência e procurar propostas de construção de uma sociedade voltada para o entendimento comum e para a construção da paz. O tema é “Fraternidade e superação da violência”, tendo como lema “Em Cristo somos todos irmãos” (Mt 23,8).

    Quem é cristão deve ser um homem pacífico e repudiar a violência. O caminho de Jesus é um caminho de paz. Quando o ódio e a rejeição conduziram Jesus à paixão e à morte, Ele respondeu com o perdão e a compaixão. Jesus relembra que muitas vezes poderemos nos deparar com a rejeição e muitos obstáculos, mas devemos caminhar em frente, porque é o Espírito Santo, por quem o amor de Deus foi derramado que nossos corações que nos guia a fazermos a vontade de Deus, que é a vontade da construção de pontes e da solidificação de uma sociedade marcada pela paz, pela concórdia e pela convivência harmoniosa entre as pessoas diferentes.

    Quanta disputa e quanta maldade hoje assola a sociedade hodierna. A pior violência, sem sombra de dúvida, é o desrespeito pela vida humana. Hoje se mata por vilania, não se tendo nenhum respeito pela vida humana. As crianças são abortadas impiedosamente numa sociedade que prefere cachorros, gatos e animais do que conceber pessoas humanas. O futuro da humanidade está comprometido quando as gerações mais jovens não querem ter filhos, não querem ter compromisso de edificar uma família numerosa em nome de um falso comodismo e de uma falsa educação dos filhos.

    Observamos que todas as famílias numerosas são felizes e a terceira idade dos pais é alegre, porque é rodeada dos filhos, netos e bisnetos. Fechar-se a procriação é o maior egoísmo humano.

    O cerne da violência urbana, das guerrilhas, das milícias é porque as pessoas esqueceram-se de Deus e perderam o medo do castigo eterno, ou seja, da condenação ao inferno. Parece fora de moda falar de inferno, ou de condenação, mas Deus não dorme diante das injustiças. Ensina o Papa Francisco que: “O grande desafio dos nossos dias é ajudar as pessoas a abrir-se ao transcendente, ser capazes de olhar-se dentro em profundidade, conhecendo-se de tal modo a si mesmas que sintam a sua interconexão com todas as pessoas; dar-se conta de que não podemos permanecer isolados uns dos outros. Se devemos estar unidos, como é nosso propósito, é necessário superar todas as formas de incompreensão, intolerância, preconceito e ódio”(Cf. L’Osservatore Romano, número 48, página 6).

    A violência e o ódio não estabelecem relacionamentos humanos e sociais. Numa sociedade multifacetada como a nossa devemos, em primeiro lugar, saber ouvir, construir pontes e dialogar. Não podemos querer que o nosso pensamento seja o majoritário. Devemos ouvir a todos. Devemos respeitar a todos. Devemos conviver com todos e procurar estabelecer os pontos comuns que nos unem e não aquilo que nos divide.

    A convivência humana e a pacificidade são o centro das sociedades civilizadas. O respeito à lei, o cumprimento do dever legal, o respeito pelo direito de ir e de vir das pessoas são direitos humanos inalienáveis. Não cabe a quem quer que seja submergir a ação dos poderes estatais. Não cabe a ninguém subjugar as pessoas que vivem nas periferias com “pseudo-leis”.

    A violência surge quando não se respeita a lei e se vive o “leviatã”. Peçamos a Deus que sejamos construtores da paz, mensageiros da paz, homens e mulheres que a exemplo de Jesus, que pregou a paz e perdoou aqueles que o condenaram à cruz, possamos construir uma civilização da concórdia, do amor e da misericórdia. Vamos fazer a nossa parte, como uma sementinha, plantando nas nossas relações, no dia a dia, em casa, no trabalho, no transporte coletivo e no descanso o diálogo e a paz. Amém!

    Rezemos pedindo a paz: “Deus e Pai, nós vos louvamos pelo vosso infinito amor e vos agradecemos por ter enviado Jesus, o Filho amado, nosso irmão. Ele veio trazer paz e fraternidade à terra e, cheio de ternura e compaixão, sempre viveu relações repletas de perdão e misericórdia. Derrama sobre nós o Espírito Santo, para que, com o coração convertido, acolhamos o projeto de Jesus e sejamos construtores de uma sociedade justa e sem violência, para que, no mundo inteiro, cresça o vosso Reino de liberdade, verdade e de paz. Amém!

     

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