Jesus semeia à beira do caminho, nas pedras, nos espinhos e na terra boa!

    Neste 15º. Domingo do Tempo Comum a Igreja nos convida a meditar a partir de uma das parábolas mais belas e profundas narradas por Jesus: a parábola do Semeador, que, sendo por excelência o próprio Jesus, sai a espalhar a vida à beira do caminho, nas pedras, nos espinhos e na terra boa (Mt 13,1-9). Se olharmos atentamente para esta parábola com os olhos de quem se dedica à nobre missão de formar mentes e corações, percebemos que Jesus não está apenas nos dando uma lição de espiritualidade; Ele está nos revelando as bases da Pedagogia Divina. A partir desta liturgia convido-vos a passar do campo para a sala de aula, fazendo da relação entre a fé e a educação um farol para os nossos dias.

    No contexto da educação, a figura do Semeador se associa perfeitamente à imagem do pedagogo. Na perspectiva cristã, o educador não é um mero transmissor de conteúdos técnicos ou um fiscal de disciplinas; ele atua ao estilo do próprio Deus na pessoa de Jesus, manso e humilde de coração. Jesus, o Pedagogo Divino, conhece a realidade de cada solo. Ele não força a semente a brotar, nem desiste do terreno que parece difícil. Atuar ao estilo de Jesus significa olhar para cada estudante não pelo que ele produz imediatamente, mas pelo potencial que carrega escondido. É o educador que, mesmo diante do cansaço, sai todas as manhãs para “semear”, movido por um ato de fé pura na humanidade.

    Se o educador é o semeador, o ato de ensinar é a dimensão do plantio. Transmitir um conhecimento, partilhar uma virtude ou provocar o pensamento traduz-se como um sublime exercício de plantio cuja colheita, quando oportuna, é sempre farta e generosa. Mas como fazer essa semente vingar em tempos de tanta distração, ansiedade e imediatismo? É aqui que entram os métodos pedagógicos, que funcionam como o exercício de lavrar a terra. Lavrar a terra é trabalho pesado, paciente e criativo, e assim o é também nas esteiras pedagógicas.

    Quando o pedagogo usa a empatia, ele está retirando as pedras da indiferença; quando contextualiza o ensino com a realidade do aluno, está quebrando a terra dura do asfalto para que o conhecimento crie raízes; quando acolhe as fragilidades emocionais e sociais do estudante, está arrancando os espinhos que sufocam o desejo de aprender. Os métodos pedagógicos, sob a ótica cristã, são os instrumentos de amor com os quais o educador prepara o terreno para que a verdade faça sentido na vida de quem aprende.

    Por fim, olhemos para a razão de ser de toda a educação: os discentes. Os nossos alunos, crianças, jovens e adultos, não são recipientes vazios que devemos encher de informações. Eles são canteiros vivos, dinâmicos, cheios de mistério e promessa em torno aos saborosos frutos que deles advêm. O mundo em que vivemos se renova e se transforma a uma velocidade assustadora, trazendo novos desafios éticos, tecnológicos e sociais. Onde encontrar esperança diante das crises atuais? A resposta está nesses canteiros. É de dentro de cada estudante, quando bem cultivado, que germina a novidade. Eles trazem as respostas que a nossa geração ainda não conseguiu dar. Deles brotam a criatividade para curar as feridas do planeta, a sensibilidade para combater as injustiças e a audácia de construir uma sociedade mais fraterna.

    Irmãos e irmãs, a Parábola do Semeador nos ensina que educar é, essencialmente, um ato de esperança. Quem planta uma semente não vê a árvore no dia seguinte, mas trabalha sabendo que ela virá. Que Deus abençoe os nossos pedagogos e educadores, para que nunca percam o ardor de lavrar a terra com ternura e técnica. E que as nossas comunidades saibam apoiar a escola e a família, protegendo esses canteiros sagrados que são os nossos jovens, para que a semente da Verdade cresça, floresça e dê frutos a trinta, sessenta e cem por um, perpetuando intentos e esforços positivos em favor do Bem e do Reino de Deus. Amém.

    + Antônio Carlos Altieri, SDB

    Arcebispo Emérito de Passo Fundo, RS

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