Ó Senhor, vós sois bom, sois clemente e fiel” (Sl 85-86)
Celebramos neste domingo o décimo sexto do Tempo Comum. Estamos na metade desse tempo, que é composto por trinta e quatro domingos, e também na metade deste mês de férias escolares e de pausa para o início do segundo semestre. Somos convidados, em mais um domingo, a nos aproximarmos da mesa da Palavra e da Eucaristia. A Eucaristia nos dá força para enfrentarmos as batalhas da semana, e o encontro com o Senhor nos santifica e nos torna pessoas melhores.
Todos os domingos temos o nosso compromisso com o Senhor, assumido desde o nosso Batismo. É muito bonito ver as famílias reunidas participando da Missa dominical. Lembremos sempre que os primeiros catequistas dos filhos são os pais e que a família é a Igreja doméstica. Façamos com que o Reino de Deus cresça entre nós, conforme Jesus nos ensina no Evangelho de hoje. Ao longo do Tempo Comum, acompanhamos Jesus anunciando o Reino de Deus e nos ensinando a fazer o mesmo.
Conforme dissemos acima, a liturgia de hoje fala a respeito do Reino de Deus, que não vem de forma ostensiva nem faz barulho, mas se expande no silêncio. Não precisamos fazer barulho para anunciá-lo; é no silêncio que fazemos com que ele aconteça. O Reino de Deus crescerá a partir de nossas atitudes, ou seja, respeitando o próximo, praticando a caridade, trilhando o caminho da justiça e levando a Palavra de Deus aos nossos vizinhos, amigos e familiares. Não precisamos fazer barulho para anunciar a Palavra de Deus; é no silêncio, de forma discreta, que ela cresce. É rezando com nossos filhos, levando-os à Santa Missa e ensinando-lhes a importância da Palavra de Deus e da Eucaristia que o Reino de Deus acontece entre nós.
A oração da coleta da Missa de hoje, que é a primeira oração do dia, antes do hino de louvor, e que “colhe” os pedidos de oração de toda a assembleia, diz que devemos pedir ao Senhor que nos encha de fé, esperança e caridade. Dessa forma, guardaremos fielmente os seus mandamentos. Tudo isso é dom de Deus concedido a nós, e a maneira de correspondermos a essa graça é guardando os seus mandamentos.
A primeira leitura da Missa deste Domingo é do Livro da Sabedoria (Sb 12,13.16-19). Esse trecho fala a respeito da grandeza de Deus e de que não há outro deus maior do que o nosso Deus, que criou tudo o que existe, nos julga com justiça e nos ensina a seguir os seus caminhos. Esse Deus não nos castiga, mas perdoa todas as nossas faltas. Ele nos ama infinitamente e nos ensina o caminho do amor.
O Livro da Sabedoria fala dessa forma a respeito de Deus porque o povo de Israel era um povo de cabeça dura e acabava adorando outros “deuses”, que não eram o verdadeiro Deus de Israel, aquele que os libertou da escravidão no Egito. O Deus de Israel é quem salvaria todo o povo, e não os “deuses” que eles criavam para si. Era desejo de Deus edificar o seu Reino aqui na terra, para que depois todo o povo pudesse contemplá-lo plenamente no céu.
O Salmo responsorial é o 85 (86), que nos diz em seu refrão: “Ó Senhor, vós sois bom, sois clemente e fiel”. Nesse salmo, o salmista reconhece a grandeza de Deus e como o Senhor salvou o povo do Egito e o conduziu à Terra Prometida. O Senhor é bondoso e fiel para sempre, e não há outro além dele.
A segunda leitura deste Domingo é da Carta de São Paulo aos Romanos (Rm 8,26-27). Paulo continua tratando da ação do Espírito Santo na vida de cada cristão e nos ensina que devemos conduzir a nossa vida segundo a orientação do Espírito Santo, pois, se nos orientarmos pelos desejos da carne, cairemos no pecado. O Espírito Santo vem em socorro de nossa fraqueza e intercede por nós segundo a vontade de Deus.
O Evangelho deste Domingo é de Mateus (Mt 13,24-43). Jesus conta à multidão uma parábola a respeito do Reino de Deus. O Reino de Deus pode ser comparado a uma semente de mostarda: ela é a menor de todas as sementes, mas, depois de lançada na terra e cultivada, cresce abundantemente. O Reino de Deus não cresce fazendo barulho, mas no silêncio.
A semente do Reino de Deus é lançada na terra, e cabe a cada um de nós colher os frutos desse Reino. Os frutos do Reino de Deus são a bondade, a mansidão, o amor, a paz e a justiça. Para isso, não é preciso fazer barulho, pois tudo isso se constrói no silêncio. Para que o Reino de Deus se edifique, é preciso que as sementes caiam em “terra boa” e não em terreno “pedregoso”. O terreno em que a semente do Reino de Deus é lançada é o nosso coração. Para que o Reino produza frutos, é necessário que a “terra” do nosso coração esteja limpa, sem espinhos nem pedregulhos que impeçam a semente de crescer e gerar frutos.
A semente do Reino de Deus é lançada em nosso coração todas as vezes que participamos da Santa Missa. Se participarmos da Missa por inteiro, deixando as preocupações mundanas do lado de fora e nos concentrando na celebração, a Palavra de Deus fará morada em nosso coração, e a semente do Reino produzirá frutos. Agora, se durante a celebração da Missa deixarmos que as preocupações do mundo nos distraiam e não permanecermos atentos à celebração, a semente do Reino cairá em terreno pedregoso e não produzirá os seus frutos.
Atendendo ao convite da celebração de hoje, façamos com que o Reino de Deus cresça e produza frutos em nossa vida. Não deixemos que a semente do Reino caia em terreno pedregoso, mas em terra boa, capaz de produzir muitos frutos. A edificação do Reino de Deus não precisa de barulho; nós podemos ser o “adubo” que fortalecerá a semente da Palavra lançada no coração do próximo.
Vivamos o Reino de Deus aqui na terra, para vivenciá-lo de maneira plena no céu.




