O ano litúrgico na Igreja encerra-se na semana da Solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo, último domingo do Tempo Comum, e o novo ano litúrgico inicia-se no primeiro domingo do Advento com as primeiras vésperas. Normalmente, o ano litúrgico termina entre o penúltimo e o último domingo de novembro, e o novo ano litúrgico começa entre o último domingo de novembro e o primeiro de dezembro.
Os anos litúrgicos na Igreja são divididos na liturgia dominical em A, B e C, e para cada ano é escolhido um evangelista sinótico: Mateus, Marcos ou Lucas. No ano litúrgico A, acompanhamos o Evangelho segundo Mateus; no ano B, o Evangelho segundo Marcos; e, no ano C, o Evangelho segundo Lucas. Para entendermos melhor: em 2026 será o ano litúrgico A, em 2027 o ano litúrgico B, em 2028 o ano litúrgico C e, em 2029, volta o ano litúrgico A, porém inicia no final do ano anterior, pois o ano litúrgico não coincide com o ano civil.
A Igreja procede assim para enriquecer ainda mais a liturgia da Palavra, e para que os anos litúrgicos, do mesmo modo que a nossa vida, sejam cíclicos. Assim, através dos tempos litúrgicos, acompanhamos todos os mistérios da vida pública de Jesus. Ao longo da semana, as leituras também não são as mesmas todos os anos, mas dividem-se em ano par e ano ímpar na primeira leitura. A Igreja organiza o ano litúrgico dessa forma para que, se cada fiel participar da missa todos os dias durante três anos, passará por toda a Sagrada Escritura.
O Evangelho de João aparece mais no tempo pascal, nas festas e solenidades. A Igreja faz isso para que, a cada ano, os fiéis possam conhecer a forma como cada evangelista apresenta Jesus, pois cada um possui uma maneira particular de falar de Cristo. Muitas coisas são semelhantes, mas não idênticas.
A cada ano, aos domingos, as leituras mudam, e escutamos a proclamação do Evangelho segundo a visão de um evangelista sinótico, conforme mencionamos acima. Dessa forma, a liturgia da Igreja não é repetitiva, e podemos participar da missa diariamente ou semanalmente aos domingos sem a sensação de que “será sempre a mesma coisa”. Sempre alguma Palavra do Senhor tocará o nosso coração e, certamente, o Espírito Santo suscitará em nós o amor pela Palavra e pela Eucaristia. Mesmo que o texto seja o mesmo, o contexto e a nossa disposição será diferente. O Espírito nos fala em nossa realidade de Kairós.
O ano litúrgico inicia-se com a celebração do tempo do Advento; em seguida, vem o tempo do Natal, até a festa do Batismo do Senhor. Após essa festa, inicia-se a primeira parte do Tempo Comum, que vai até a terça-feira de Carnaval. A partir da Quarta-feira de Cinzas inicia-se o tempo da Quaresma, que vai até a Quinta-feira Santa e culmina com o tríduo pascal. A partir da Páscoa inicia-se o Tempo Pascal, que vai até Pentecostes; depois, retoma-se o Tempo Comum. Além disso, ao longo do ano litúrgico, acontecem celebrações de festas e solenidades que orientam e fortalecem a vida dos fiéis.
As cores litúrgicas variam de acordo com o tempo que está sendo celebrado. A cor roxa usa-se no Advento e na Quaresma; a cor branca, no Natal, na Páscoa e nas solenidades; a cor verde é usada durante o Tempo Comum; e a cor vermelha é utilizada na Sexta-feira Santa, no Domingo de Ramos e na festa dos santos mártires e dos apóstolos. A divisão das cores litúrgicas ajuda os fiéis a adentrarem no mistério celebrado.
O centro do anúncio dos evangelistas durante o ano litúrgico é o Reino de Deus. Mesmo que cada evangelista tenha sua particularidade e sua forma própria de apresentar Jesus e os textos sagrados, por trás de todos eles está o anúncio do Reino. Somos chamados por Deus a construir o Reino de Deus aqui na terra, para vivenciá-lo de maneira plena no céu. Esse Reino é constituído por amor, misericórdia, perdão e paz. Isso é o que Jesus anunciava e o que os evangelistas transmitem.
O foco de Mateus, evangelista escolhido para este ano litúrgico A, é apresentar Jesus como o “Filho de Deus”, enviado para tirar os pecados do mundo. Seu objetivo também era converter os judeus e fazê-los acreditar que Jesus era o Messias esperado. Aqueles que se converteram aceitaram a pregação de Mateus. Ele ainda precisava lidar com aqueles que não haviam se convertido e que criticavam os que haviam abraçado a fé; sua missão era também anunciar a esses.
O Evangelho de Mateus é o único a mencionar a palavra “Igreja” e possui passagens muito conhecidas, como alguns relatos da infância de Jesus e o famoso texto das Bem-aventuranças, em Mateus capítulo 5. Os outros evangelistas sinóticos também apresentam as Bem-aventuranças, mas o relato mais completo é o de Mateus. Bem-aventurado é todo aquele que faz a vontade de Deus. Mateus, com a passagem da multiplicação dos pães, ensina à comunidade a importância da partilha, remetendo à Igreja, que partilha a Eucaristia. Se, durante a missa, partilhamos a Eucaristia, devemos também partilhar o alimento material com aqueles que pouco ou nada têm.
O Evangelho de Mateus foi escrito em grego e posteriormente traduzido para o latim, até chegar ao texto que temos hoje. Ele tem alguns pontos culminantes que são de maior destaque para os leitores.
- O Sermão da Montanha (capítulos 5, 6 e 7).
- As instruções para a missão dos doze apóstolos (capítulo 10).
- O discurso das parábolas (capítulo 13).
- As instruções para a comunidade (capítulo 18).
- O Sermão do Monte das Oliveiras (capítulos 24 e 25).
Celebremos com muita fé e esperança na misericórdia de Deus este ano litúrgico A, que iniciaremos no domingo, dia 30 de novembro. Fiquemos atentos aos textos litúrgicos e peçamos que a graça de Deus nos alcance. Participemos ativamente de todas as etapas deste ano litúrgico. Que a Virgem Maria nos acompanhe e que o Espírito Santo nos ilumine para celebrarmos os mistérios da nossa fé.
A experiência de vivenciar um ano litúrgico é sempre uma dádiva e uma grande graça de Deus. É oportunidade de agradecer a Ele por mais um ano de vida e conhecer ainda mais os mistérios do Reino. Viver é uma grande graça de Deus; por isso, diremos, a partir de 30 de novembro, que estaremos iniciando liturgicamente “o ano da graça do Senhor de 2026”. Aproveitemos este ano, meditemos a Palavra do Senhor e vivenciemos com fé as principais celebrações deste percurso espiritual.



