Vigília de Pentecostes

    O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo seu Espírito que habita em nós, aleluia! (Rm 5,5; 10,11)

    Celebramos neste sábado, dia 22 de maio, a Solene Vigília de Pentecostes, que é uma das vigílias mais importantes e belas da Igreja, pois acontece na noite antes do grande dia de Pentecostes, que é a manifestação do Espírito Santo sobre nós.

    O Papa Francisco pediu que nesta noite a Igreja se unisse à celebração na Igreja de Santo Estêvão em Jerusalém promovida pelos Ordinários católicos na Cidade Santa e rezássemos pela Paz na Terra Santa. Aqui em nossa Região Metropolitana acrescentamos também o pedido por esta nossa região como dissemos em mensagem ao nosso povo no dia de ontem.

    As vigílias sempre acontecem antes de uma celebração importante do calendário cristão, para que todos os fiéis possam entrar no clima e preparar o seu coração para a celebração tão importante do dia seguinte. Algumas vigílias que temos na Igreja são a Vigília da Páscoa (celebrada no Sábado Santo à noite) e a Vigília do Natal (celebrada na noite do dia 24 de dezembro), além da Vigília de Pentecostes. Existem algumas outras que, por tradição também acontecem. Em geral são lucernários que falam da importância de sermos iluminados pelo Cristo, luz do mundo.

    A vigília, normalmente, é celebrada à noite, após as 18h, para perdurar durante a noite toda, mas é claro que devido a nossa realidade atual, as vigílias duram cerca de duas a três horas para não expor as pessoas ao risco. O sentido da vigília é de fato se celebrar à noite ou madrugada, para aguardar em oração o grande dia que vai chegar ao amanhecer. É na verdade uma abertura do nosso espírito à oração e ao diálogo com Deus. Em algumas ordens religiosas sempre a véspera de grandes festas também se prepara com jejum e penitência.

    Jesus disse aos discípulos: “Vigiai e orai, para não cairdes em tentação”. A intenção de passarmos a noite em vigília é preparar o nosso coração e o nosso espírito para não cairmos em nenhuma tentação e estarmos com o coração purificado para a grande festa do dia seguinte. Quantas vezes nos é relatado no Evangelho que Jesus passou a noite em oração, pedindo ao Pai a plenitude do Espírito, e é exatamente isso que fazemos na Vigília de Pentecostes: pedimos que o Espírito Santo venha com todos os seus dons sobre nós.

    A celebração de Pentecostes coroa as celebrações do Tempo Pascal, que é o centro do calendário cristão. Celebramos com o dia de Pentecostes a plenitude do Espírito Santo que veio até nós com todos os seus dons. Jesus, ao voltar ao Pai, promete aos discípulos que não os deixaria órfãos, mas enviaria do céu, o defensor. Assim, pedimos durante a celebração de Pentecostes que esse Espírito Santo venha até nós e nos livre de todos os perigos.

    Para primeira leitura dessa vigília são oferecidas 4 leituras à escolha. Alguns, inclusive, em tempos normais, costumam lê-las todas.  A primeira sugestão é a do livro de Gênesis (Gn11,1-9), e nos apresenta a construção da chamada “Torre de Babel”. Todas as pessoas da terra falavam uma língua só. Eles queriam que com a construção da torre eles ficassem famosos, pois o cume da torre atingiria o céu. Vendo aquilo, o Senhor resolve intervir e ver que cidade e que torre eles estavam construindo. O Senhor percebe que aquele era só o começo de seus empreendimentos e o Senhor decide descer à terra e misturar as suas línguas, ou seja, cada um falaria uma língua, de modo que não se entenderiam. E o Senhor os dispersou pela superfície da terra e eles cessaram de construir a torre. O modo como o autor sagrado fala da multiplicidade das línguas reflete o egoísmo e a ganância das pessoas.

    O Salmo Responsorial 103 (104) nos diz em seu refrão: “Enviai vosso Espírito, Senhor, e da terra toda a face renovai”. Ainda mais nesses tempos que vivemos atualmente, principalmente devido à Covid-19, precisamos que o Senhor envie o seu Espírito e tudo seja renovado. Que tudo possa se fazer novo, sobretudo, o coração de cada ser humano, abrindo sempre mais o espaço para o amor.

    Na segunda (ou quinta) leitura, (Rm 8,22-27), Paulo relata em sua carta aos romanos que toda a humanidade está gemendo, como em dores de parto. Um contexto bem atual para os nossos dias de hoje que necessitamos de unidade e de paz, frutos do Espírito Santo.

    Com a celebração de Pentecostes, aguardamos ansiosamente a libertação de tudo isso que estamos passando e poderemos celebrar os frutos que esse Espírito deixará em nós. Que possamos nutrir em nós a esperança em dias melhores, uma esperança que advém do Espírito Santo.

    No Evangelho (Jo7,37-39), Jesus é a fonte de água viva que sacia a sede da humanidade. Muitos se perguntavam como Ele poderia se dar em comida e bebida. Isso só era possível graças à ação do Espírito Santo. Igualmente, nos dias de hoje, somente pela ação do Espírito Santo temos o corpo e sangue de Cristo.

    O Espírito Santo nos ilumina com a fé e, por meio da fé, podemos acreditar que aquele pão e vinho apresentados ao altar se tornaram, pela ação do Espírito, em corpo e sangue de Cristo. Que o Espírito Santo de Deus renove a nossa fé e a nossa esperança e possamos sempre ter na igreja a presença real de Jesus Cristo, através da Eucaristia. Que possamos abrir os nossos olhos para a fé. Que a ação do Espírito Santo encontrando corações abertos em nossas comunidades nos dê tempos de paz e bonança e que o Senhor nos guarde na palma de Sua mão e faça de todos instrumentos de Sua Paz.

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