SER LUZ E NÃO TREVAS

              “Há homens que são como as velas; sacrificam-se, queimando-se para dar luz aos outros”.

                                                                      Padre António Vieira (1608-1697)

                                                                       Ínclito orador e escritor português

             Há 2400 anos, o grande filósofo grego Platão (428/427-348/347 a.C.), usou a associação de luz e erudição para escrever o ‘Mito da Caverna’. Na parábola, os seres humanos teriam nascido em uma caverna, presos diante de uma parede que só mostra sombras do mundo exterior, projetadas pelos escassos feixes de luz que adentram a penumbra. Só aquele que se libertasse e caminhasse em direção à claridade de fora teria contato com a realidade tal qual ela é. Pela alegoria, o ser humano só pode se livrar da ignorância, representada pela escuridão, ao observar e reter a luz da verdade.

             Os maiores pensadores da história das ciências e das artes, refletiram, direta ou indiretamente, sobre o enigma da luz. Santo Agostinho de Hipona (354-430), associava Deus à iluminação da razão humana. Escreveu: “A verdade habita no coração do homem. E, se não encontras senão a tua natureza sujeita a mudança, vai além de ti mesmo. Em te ultrapassando, porém, não te esqueças que transcendes tua alma que raciocina. Portanto, dirigi-te à fonte da própria luz da razão”. (Confissões).

            Thomas Edison (1847-1931), físico americano, inventou o fonógrafo e a lâmpada incandescente, disse: “A inteligência, a criatividade, a invenção e o empreendimento estão conectados com a luz e a glória para o bem comum”.

             “Fiat lux”, no latim. “Haja luz” é o que, pela narrativa bíblica, decretou Deus no primeiro dia da criação. E fez-se a luz, antes mesmo do sol, criado no quarto dia. Deu-se, desde o início de tudo, do Gênesis, a luminosa distinção entre as trevas e a claridade (Gn 1, 3.4). Na Bíblia, a escuridão representa o mal, a ignorância, enquanto seu avesso é o bem, a sapiência. “Aquele que pratica a verdade, o amor e a justiça segue a Luz” (Jo 3,21;12,46). Luz é sinônimo de sabedoria e de vida justa. Se um sujeito é iluminado e justo, ele é possuidor de habilidades, normalmente intelectual, acima do comum e que seu talento é divino e tem como objetivo o bem-estar de toda comunidade.

               Deus é Luz (1 Jo 1,5). Toda sabedoria para o bem comum procede do Pai das Luzes (Tg 1,5 e 17). O que ama o seu irmão permanece na luz, mas o que odeia seu irmão está nas trevas e não sabe aonde vai, porque as trevas cegaram os seus olhos (1 Jo 2, 10. 11). Quantas pessoas estão na escuridão por aceitar o mal, a violência, as drogas, a traição, o ódio, a soberba, o egoísmo, a difamação e calúnia do próximo. O Sistema do Príncipe das Trevas tem escravizados, derrotados e destruídos muitos por não querer viver na Luz do Príncipe da Paz.

             Ser luz é caminhar na graça e no conhecimento de Jesus Cristo e iluminar os outros no amor e na verdade do Evangelho de Cristo. Rejeitar radicalmente as trevas do sistema diabólico é não compactuar com o mundo da escuridão, ou seja, da perdição. Ser iluminado por Cristo é possuir a felicidade da luz eterna. Que brilhe com muita intensidade a luz dos seguidores de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo!

    Frei Inácio José do Vale, FCF

    Fraternidade Sacerdotal Jesus Cáritas

    Sociólogo em Ciências da Religião

    Trabalha como Professor e Psicanalista Clínico na

    Comunidade de Ação Pastoral – CAP.

    Autor do livro Terapia Psicanalítica: Demolindo a Ansiedade, a Depressão e a Posse da Saúde Física e Psicológica

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