São Lourenço – O exemplo de vocação

    Agosto é o mês das vocações e vocação é sinônimo de entrega e doação. Neste mês vocacional celebramos o padroeiro dos Diáconos: São Lourenço – martirizado em 10 de agosto de 258, em Roma. Fazia parte dos primeiros diáconos da Igreja, onde tinha um olhar protetor e guardião para as coisas da Igreja e, também, um dispensador de ajuda para os pobres. É interessante analisarmos a etimologia dos nomes e, neste caso, Lourenço significa coroa feita de louro, como aqueles que venciam disputas.

    Não restam dúvidas de que Lourenço alcançou sua vitória no seu martírio. E essa vitória veio não só porque se doou até o fim, mas porque toda a sua vida foi pautada no Evangelho. Com um testemunho sem máculas, sua preocupação foi de grande atenção aos que estavam aderindo à religião, pois precisavam de testemunhos para abraçarem a fé.

    Vemos isso no capítulo 6 dos Atos dos Apóstolos, quando estavam organizando as primeiras comunidades e seus líderes. Eram escolhidos entre os irmãos, homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, para administrar o cuidado com os pobres, órfãos e viúvas, ou seja, o tesouro precioso do Senhor. Estes homens foram chamados de diáconos. São Lourenço era um deles.

    O que chama mais a nossa atenção e deve nos motivar num seguimento e obediência é o testemunho.de vida. É na verdade o Evangelho vivido no dia a dia, com a própria existência. Em 257, os cristãos começaram a ser perseguidos e mortos por ordem do imperador Valeriano I. Em 258, o Papa Sisto II foi decapitado. Conta a história que, ao caminhar para o lugar da execução, São Lourenço caminhava junto ao Papa Sisto II e dizia: Aonde vai sem seu diácono, meu pai? Jamais oferecestes o sacrifício da missa, sem que eu vos acolitasse (ajudasse)! O Papa Sisto II, comovido com essas palavras de dedicação filial, respondeu: Não estou te abandonando, meu filho! Deus reservou-te provação maior e vitória mais brilhante, pois és jovem e forte. Velhice e fraqueza fazem com que tenham pena de mim. Em três dias, você me seguirá.

    Não nos falta mais nada, mas ainda temos carência de colocar em nossa rotina, grandes histórias de superação e testemunho. Ainda há um longo caminho pela frente, mas não podemos achar que tudo é impossível ou difícil de praticar.

    Vejamos a história de Lourenço. Depois da morte do Papa Sisto II, o imperador exigiu que a Igreja lhe entregasse todos os seus bens, dentro de três dias. Vencido o prazo, São Lourenço apresentou os pobres que eram acudidos pela Igreja e disse ao imperador: estes são os bens da Igreja. Valeriano, então, com muita raiva, ordenou que Lourenço fosse queimado vivo. O santo manteve a alegria no momento da execução, mostrando sua profunda fé na vida eterna, no encontro com Jesus Cristo. Por isso, no momento mais angustiante de sua vida – aos olhos do mundo – Lourenço, feliz, dizia aos soldados: agora podem me virar, este lado já está assado. Uma multidão acompanhava o martírio de São Lourenço. E, no meio do povo, grande foi o número dos que se converteram a Jesus Cristo ao verem o testemunho do jovem São Lourenço.

    Fico a imaginar toda essa cena. Penso no escândalo, penso no alvoroço, na agitação que permearam toda a região. Isso sim era motivo para se escandalizar de verdade. Alguém morrendo por defender sua fé. Quais têm sido nossos reais escândalos? O que hoje nos deixa atordoados? Tenho quase a certeza de que não são motivados por grandes feitos assim. Tudo hoje é motivo de escândalo, é motivo de pavor, coisas pequenas, banais se tornaram motivo de grandes comentários e fofocas. Quando alguém está morrendo por acreditar em sua fé, não damos a devida e necessária importância. Celebramos dias atrás o Dia Mundial de oração pelos cristãos perseguidos sem grandes repercussões em nosso meio.

    São Prudentius, contemporâneo de Lourenço, confirmou este fato quando escreveu que o exemplo de São Lourenço levou vários romanos à conversão. Ele foi sepultado no cemitério de Siriaca, em Agro Verão, na Via Tiburtina, em Roma, onde mais tarde foi erigida uma basílica em sua honra. A basílica, por graça de Deus, que honra seus santos, foi construída por um outro imperador romano: Constantino.

    Que lindo perceber o curso da história! De um grande acontecimento, nasceram outros. Precisamos de Lourenços, de Claras, de Franciscos, de Dulces, de Terezas. Precisamos de testemunhas! E não é de testemunhos de fora, mas que comece por nós mesmos. Ser testemunhas da ressurreição: Cristo está vivo e disso nós somos testemunhas.

     Na memória de São Lourenço, queremos pedir a Deus que abençoe todos os nossos diáconos – transitórios e permanentes – para que continuem com ardor servindo ao altar, a caridade e a misericórdia! Deus abençoe nossos diáconos e que tenhamos muitas e santas vocações para este ministério.

    Caminhamos nessa vida cristã para um dia possamos também contemplar a Deus e viver na visão beatífica como um dom d’Aquele que nos criou. São Lourenço é o padroeiro dos diáconos. Que seu exemplo nos motive ainda hoje a sempre defendermos a nossa fé e a Igreja.

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