RÉQUIEM ÁS MULHERES ANÔNIMAS

(a dolorosa realidade do assassinato de mulheres)

Pe. Luiz Roberto Teixeira Di Lascio

Na tarefa de domesticar um elefante, o criador submete o animal (que é uma prenda preciosa no lucrativo mercado do entretenimento), ainda em tenra idade, a um regime de condicionamento.  O domador usa a técnica da corda amarrada nas patas do elefantinho, condicionando-o num processo repetitivo de submissão x obediência.  Quando adulto o elefante – que se condicionou a obedecer –, mesmo que esteja amarrado a uma corda frágil, prosseguirá nesse comportamento de submissão e obediência. Está completamente dominado e entregue ao comando de seu dono para ser explorado e torturado até a morte.

Imaginem um elefante adulto, quando livre na natureza, ele é capaz de devastar uma floresta, valendo-se de  seu peso, tamanho e força,  Nada o impedirá, nada o deterá. Porém, uma vez domesticado é entregue ao fracasso, Portanto, mesmo adulto e de porte e força descomunais, se estiver amarrado com uma simples corda, não tentará se libertar, pois, está condicionado. Apenas, aceita passivamente essa condição, e se permite ser abusado e degradado.

Essa parábola associativa nos ajuda a compreender o que está por trás da apatia, omissão e indiferença de centenas de milhares de mulheres que estão condicionadas e se tornaram reféns de homens perversos e de mentalidade assassina. Mulheres caladas e amordaçadas no anonimato, impedidas de reagir e denunciar a violência sofrida, mediante gravíssimas ameaças de morte e de tortura física.

O aumento do número de ocorrências de feminicídio é assustador e, mais terrível ainda, é a acomodada situação da impunidade do agressor, o que garante a esses monstros a liberdade de continuar a viver em sociedade, depois de pagar à Justiça uma fiança irrisória e… continuam soltos, e continuam com as ameaças e torturas.

Neste exato momento uma mulher está sendo ameaçada e violentada em seus direitos. Acuada, indefesa, jurada de morte por esses predadores que vivem atormentados pelos demônios. Mentes insanas à mercê do Mal que as povoa e as incitam à prática dessas crueldades, infernizando e vilipendiando a Paz na sociedade.

Este texto quer ser um sinal de denúncia e solidariedade para com todas as mulheres que estão sofrendo algum tipo de violência física, moral e espiritual. Eis aqui um alerta à população, um recado para dizer que todos nós somos responsáveis e portanto devemos fazer algo pela Cultura da Vida, pela Paz. 

Atenção, Mulheres! Sinal de alerta! 

Correi, mulheres, correi da violência doméstica! Correi, mulheres, correi da surra brutal dos homens predadores!

Correi, mulheres, correi das torturas e das porradas na cara e do mata-leão!

Correi, mulheres, correi das pauladas, das facadas, das queimaduras!

Correi, mulheres, para não serdes pegas e apedrejadas!

Correi, mulheres, correi para não serdes maltratadas e desfiguradas!

Correi, mulheres, correi para não serdes amarradas e estupradas!

Correi, mulheres, correi e fugi da ira desses homens sanguinários!

Correi, mulheres, correi para não serdes abusadas e vendidas nas ruas e nas calçadas!

Correi, mulheres, correi! para não serdes aprisionadas, deformadas e assassinadas!

Correi, mulheres, correi para não vos tornardes irreconhecíveis, e dadas como “desaparecidas”!

Correi, mulheres, o vosso tempo se esgotou e tudo se acabou

Eis o que restou: um grito de socorro num corpo sem rosto

O silêncio chegou, e assim como entrou, saiu e ninguém encontrou

Enfim descansou a mulher que sofreu

E correu e  gritou… Por socorro  pediu  e ninguém atendeu

O silêncio ecoou, a omissão dominou. Somos o que restou.

 

Todos estamos convocados a aderir a esta causa. Qualquer primeiro passo à frente para o combate ao feminicídio e a toda e qualquer situação de ameaça à vida das mulheres. Faça a sua parte, denuncie! Disque 180.

 

Padre Luiz Roberto Teixeira Di Lascio

Vigário paroquial na Basílica – Nª. Srª. do Carmo

Arquidiocese de Campinas – São Paulo

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