PERFEITOS COMO O PAI CELESTE

    A seus seguidores Jesus propôs um ideal sublime para o qual todos precisam tender sem esmorecimento. Claras foram as suas palavras: “Sede perfeitos como é perfeito vosso Pai celeste” (Mt 5, 38-48).  Trata-se da busca incessante da santidade existencial, vencendo cada um com galhardia as dificuldades naturais a criaturas humanas contingentes, finitas, limitadas.  Estas sem a graça divina nada de bom podem realizar nesta trajetória terrena. Ao dar a referida ordem o Mestre divino acentuou a singularidade filial dos seres humanos que, em consequência, tendo consciência desta filiação, devem se sentir irmãos. Aí o fundamento de toda fraternidade para com o próximo. Eis aí a maneira de ver e agir que Jesus propõe a seus discípulos que devem viver na mais absoluta fraternidade. Donde a razão de ser de sua determinação peremptória: “Amai vossos inimigos e rogai pelos que vos perseguem, para serdes verdadeiramente filhos do vosso Pai que está nos céus”. Cumpre imitar a imensa bondade deste Deus “que faz nascer o sol sobre maus e bons e chover sobre justos e injustos”. Quem assim procede acumula méritos para o céu que é o destino de todos os que praticam em plenitude a caridade. Jesus deu exemplo deste amor fraterno que inclui os inimigos. Condenado injustamente à morte ignominiosa da Cruz, Ele rogou ao Pai pelos seus torturadores: “Pai perdoa-lhes porque não sabem o que fazem” (Lc 23,34). Este modo de proceder multiplica através dos tempos gestos magníficos a anistiarem os opressores, os perseguidores. Uma multidão que na alheta do Filho de Deus perdoa de coração seus malfeitores. Neles o verdadeiro cristão reconhece sempre irmãos e irmãs a serem indultados. Neles contemplam a dignidade de filhos e filhas de Deus. É que há em todo o ser humano, mesmo no pior dos inimigos, um valor, uma presença universal do Pai celeste que conduz acima de todos os condicionamentos de ofensas, inclusive de raça, ideologia, religião, ultrapassando todas as barreiras que possam impedir um amor generoso. É a esta atitude que deve levar uma fé profunda integrada no pensamento maravilhoso de Jesus cujo ensinamento ultrapassou a legislação mosaica. É esta fé que permite compreender o que o Mestre divino quis ensinar. Esta fé induz a viver em harmonia com todos. As atitudes dos seus discípulos devem ter uma tonalidade dignificante que apaga o ódio e toda e qualquer queixa de uns para com os outros. O Deus ao qual Jesus manda imitar é um Deus misericordioso, bondoso, sempre pronto a ajudar os que a Ele se ligam. Este Deus prioriza sempre a ternura, a compreensão. O cristão tem então a missão de espalhar por toda parte este amor divino pelo qual se deve agir em favor dos irmãos e irmãs. Todos os gestos do cristão precisam ser o reflexo do desvelo do Pai celeste. Mesmo vivendo num contexto agressivo como o atual o comportamento dos seguidores de Jesus precisa ser diferente num mundo tão hostil e violento. Cumpre não se deixar envolver pela mentalidade de hostilidade que os meios de comunicação social apresentam, incitando vingança e represálias de toda sorte. Cumpre priorizar menos nossos interesses pessoais, mas dar lugar aos interesses daqueles que são menos favorecidos que nós. É preciso agir mais com o coração do que com uma razão deturpada e desumana. É através dos bons sentimentos que Deus age em cada um e pelas atitudes gentis, cordiais é que o cristão se aproxima da perfeição divina. O apelo de Jesus é então que se integrem no amor de Deus todos os nossos comportamentos cotidianos, unida nossa vontade à vontade santíssima do Pai que está nos céus. Este Pai provoca sempre atitudes altruístas pelas quais Ele se faz presente nas relações mútuas dos verdadeiros cristãos. É deste modo que se contribui para que a sociedade evolua harmoniosamente dentro dos parâmetros indicados por Jesus em seu Evangelho.

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