Perdoar e acolher com misericórdia!

    A liturgia de hoje convida-nos à descoberta do Deus do amor, empenhado em conduzir-nos a uma vida de comunhão com Ele. Celebramos o chamado “Domingo da Alegria”, pois já estamos nos aproximando das festas pascais. Deus, em seu infinito amor, sempre nos acolhe e ensina-nos a fazer o mesmo. Por isso nos alegremos plenamente e deixemo-nos ser acolhidos por nosso Pai Misericordioso.

    Na época de Jesus a concepção de Deus era a de um Senhor e rei poderoso e severo juiz. Na parábola de hoje, Jesus revela a verdadeira face de Deus: um Deus bondoso e compassivo Pai; sim, justo, mas, que respeita as decisões dos filhos. Não se ofende, não maltrata quando um deles o considera morto (Cf. Lc 15,12) ou o trata com indiferença. Jesus apresenta Deus Pai com um coração amoroso de mãe! Mesmo depois do filho ingrato ter saído de casa e levando a metade da herança, o Pai nunca deixou de amá-lo; permitiu ao filho escolher livremente o seu caminho, mas todos os dias olhava a estrada na esperança da volta de seu filho. E quando o jovem, arrependido, volta desprovido de tudo, volta sem nada, o pai esquece sua ingratidão e desrespeito e o recebe com grande alegria. O filho mais velho, que permaneceu em casa sempre cumprindo as ordens do pai, quando vê seu irmão de volta e os festejos que o Pai lhe preparara, fica indignado e furioso com a atitude do pai e não quer participar da festa. O pai sai e, com o mesmo carinho com que recebera seu filho mais novo fujão, convida-o amorosamente para também se alegrar com uma grande festa. Neste momento o filho mais velho revela todo o seu ressentimento para com seu pai. Passou a vida toda servindo seu pai, mas nunca valorizou tudo o que também era seu. Triste realidade! O filho sabe cumprir os mandamentos de seu pai, mas não sabe amar, não aprendeu a acolher os que erram, não aprendeu a perdoar. Quantas pessoas hoje, até dentro da Igreja, gostam de apontar os erros alheios (muitas vezes para esconder os seus próprios) e não vivem o mandamento de Jesus para o perdão, a misericórdia e a acolhida.

    O Evangelho (cf. Lc 15,1-3.11-32) apresenta-nos o Deus/Pai que ama de forma gratuita, com um amor fiel e eterno, apesar das escolhas erradas e da irresponsabilidade do filho rebelde. E esse amor lá está, sempre à espera, sem condições, para acolher e abraçar o filho que decide voltar. É um amor entendido na linha da misericórdia e não na linha da justiça dos homens.

    A segunda leitura (cf. 2Cor 5,17-21) convida-nos a acolher a oferta de amor que Deus nos faz através de Jesus. Só reconciliados com Deus e com os irmãos podemos ser criaturas novas, em quem se manifesta o homem Novo.

    A primeira leitura (cf. Js 5,9a.10-12), a propósito da circuncisão dos israelitas, convida-nos à conversão, princípio de vida nova na terra da felicidade, da liberdade e da paz. Essa vida nova do homem renovado é um dom do Deus que nos ama e que nos convoca para a felicidade.

    Quem perdoa não é insensível! Perdoar é um ato de amor! Em nossa vida de batizados, nós que somos discípulos de Jesus, devemos aprender a amar e acolher particularmente os pecadores. Façamos este esforço, particularmente, na Quaresma, para iluminar nosso caminho quaresmal e melhorar o nosso testemunho cristão!

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