Oração e Silêncio no Sábado Santo

    O Sábado Santo é um dia de recolhimento, oração e silêncio. Iniciado no final da celebração da Quinta-Feira à noite, esse clima de silêncio e oração continua até a proclamação da Páscoa no sábado à noite. Por isso, na Quinta-Feira à noite iniciamos o Tríduo Pascal, que terminará no final da vigília ou do domingo.

    Podemos ainda fazer jejum neste Sábado Santo, ou seja, comer com parcimônia e continuar as práticas penitenciais que iniciamos na Quaresma. No sábado à noite, após a proclamação da Páscoa, aí sim estaremos liberados do jejum e das práticas penitenciais quaresmais.

    Podemos ainda, ao longo deste Sábado Santo, rezar o terço nos mistérios dolorosos, meditar as Sete Dores de Nossa Senhora e também a Via-Sacra. Podemos reunir a família e rezar juntos ou em comunidade, podendo meditar ainda as Sete Palavras de Cristo na Cruz. Neste sábado, não é dia de fazer muitas coisas nem de passear ou sair, mas é um dia de reflexão e oração. O nosso costume é celebrar o Ofício de Trevas.

    O sábado é um dia de oração e silêncio porque o Senhor foi tirado do meio de nós. O Senhor Jesus está no túmulo e desceu à mansão dos mortos. Nós sabemos que Jesus ressuscitou e está vivo, mas vivemos essa expectativa em silêncio e oração até a noite. Logo mais, na Vigília Pascal, entoaremos o tão esperado “Aleluia”, que não cantamos durante toda a Quaresma. Preparemo-nos, ao longo do dia, para entoarmos com alegria esse Aleluia na Vigília Pascal.

    O mundo está nas trevas, o Senhor foi tirado do meio de nós, a luz se apagou — mas por um momento. Logo mais, na Vigília Pascal, a luz voltará. Se, na celebração da Paixão de ontem, cantamos: “Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo”, na Vigília Pascal de logo mais cantaremos: “Eis a luz de Cristo”, a luz de Cristo que veio para iluminar as trevas do mundo.

    Todas as celebrações da Semana Santa têm um significado especial e todas elas nos remetem ao mistério pascal de Cristo. No Ofício de Trevas, que celebramos toda a Igreja vai ficando no escuro e, no final da celebração, permanece uma única vela acesa, que representa a luz de Cristo que não se apaga e vem iluminar as trevas. Quando meditamos as Dores de Maria, o Sermão do Encontro, enfim, em todas essas celebrações, o silêncio e a meditação devem se fazer presentes, e contemplamos o mistério pascal de Cristo. Neste sábado, sabemos que a luz de Cristo foi tirada por um tempo do nosso meio, mas, à noite, essa luz ressurgirá e virá iluminar as trevas.

    As paróquias também usam o Sábado Santo para limpar e ornamentar a Igreja para a celebração da Vigília à noite — é claro, tudo sendo feito com parcimônia e sem muito barulho. Algumas paróquias ainda meditam as Sete Palavras de Cristo na Cruz. A Igreja, neste dia, está em oração pelo Senhor que desceu ao sepulcro, foi às profundezas da mansão dos mortos a fim de resgatar aqueles que lá se encontravam. Ele se entrega na Sexta-Feira e ressurge glorioso na madrugada do domingo. A Igreja permanece em oração neste dia, pedindo a Deus que tudo se renove com a ressurreição do Senhor.

    A Vigília só pode iniciar depois do por do sol e deve se concluir antes do nascer do sol, pois o Senhor ressuscitou na madrugada de sábado para domingo. Durante todo o sábado, devemos nos guardar por meio da meditação e da oração para celebrar a grande Vigília da Ressurreição. Não devemos deixar de participar da Vigília Pascal: ela é a mãe de todas as vigílias e a celebração mais importante do ano.

    O Sábado Santo também é conhecido como “Sábado de Aleluia”, porque, durante a Quaresma, a Igreja não canta o Aleluia nem o Glória; ambos os cânticos retornam na solene Vigília Pascal. Durante a Vigília do Sábado de Aleluia, finalmente se canta o Aleluia para anunciar a alegria da Páscoa.

    No Sábado Santo, os discípulos estavam muito tristes, pois Jesus estava “morto”. Eles não tinham compreendido aquilo que Jesus havia dito: que era necessário que o Filho do Homem sofresse tudo aquilo para nos salvar. Apesar de acontecerem coisas difíceis em nossa vida, nunca devemos perder a esperança; devemos acreditar que é necessário passar pelo calvário para se chegar à glória da ressurreição.

    O Sábado Santo é um dia de recordarmos o amor de Deus por nós, a tal ponto de entregar o seu Filho para morrer em favor de toda a humanidade. Neste dia, temos a certeza de que Jesus que morreu na cruz na Sexta-Feira Santa e ressuscitará logo mais à noite. Diferente do que aconteceu quando Jesus morreu, os discípulos, apesar de tudo o que Ele lhes havia falado, tinham certo medo de que Ele não ressuscitasse.

    Aproveitemos este sábado para nos recolhermos um pouco, procurar um lugar sossegado em casa, na Igreja ou em alguma praça, e escutar Deus falar conosco. Meditemos no grande presente de amor que o Pai nos deu: permitiu que seu Filho morresse na Cruz para nos salvar. Quando nos sentirmos envoltos em “trevas”, quando acharmos que as coisas não têm saída, procuremos o silêncio, escutemos Deus falar conosco, para que possamos ver a luz.

    O silêncio neste Sábado Santo nos ajuda a compreender que a morte não é o fim, mas o começo de uma nova vida. Não é um silêncio de luto, mas um silêncio orante e de confiança na vida eterna. Por meio do silêncio, poderemos encontrar respostas para os momentos que estamos atravessando em nossa vida.

    Preparemo-nos neste Sábado Santo por meio do jejum e da oração silenciosa para a grande Vigília Pascal que celebraremos logo mais à noite. Tenhamos a certeza de que, durante o dia, o Senhor está no sepulcro, mas, à noite, na madrugada, Ele o deixa vazio. Lembrando que este dia ainda não é momento de festa, de qualquer tipo de comemoração ou de excessos. O Sábado Santo ainda é dia de recolhimento e oração. Aproveitemos para rezar pelo nosso país e pelo mundo, que tanto precisam de oração.

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