Desde 11 de fevereiro de 1858, Lourdes deixou de ser apenas mais um pequeno vilarejo da França, perdido no meio dos Pirineus. Este lugar de consolação, de alívio e de misericórdia é um espaço onde o céu entra em perpétuo diálogo com a terra. Na gruta, a Bela Senhora apareceu dezoito vezes, e suas visões se encerraram em 16 julho de 1858.
quela”, como dizia Bernadette, havia lhe pedido a graça de ir a Massabielle durante quinze dias. Não foram quinze visões que Bernadette teve, mas dezoito. Seu último encontro com a Virgem Imaculada acontece em 16 de julho, dia da festa de Nossa Senhora do Carmo.
Respeitando as ordens das autoridades, Bernadette não queria desafiar as proibições. De fato, a gruta estava cercada por tapumes e já não era possível se aproximar dela como na época em que ia até lá para recolher lenha.
No entanto, como em cada encontro com a Virgem Maria, ela se sente atraída rumo à gruta. O desejo de ver a Bela Senhora no vão da rocha é invencível. Mas Bernadette não quer atrair olhares; ela quer permanecer na sombra. Assim, espera o anoitecer para ir a Massabielle.
Como a gruta não está acessível, ela precisa ficar do outro lado do rio Gave. Acompanhada por duas amigas e por sua tia, Bernadette ajoelha-se humildemente em meio aos grupos de peregrinos. Bernadette acende sua vela e, em seguida, as pessoas que a acompanham notam que seu rosto empalidece e depois se ilumina. Bernadette vê a Virgem; tudo acontece no silêncio. Depois, ela se levanta, seu rosto recupera a cor normal e ela retorna para a casa das irmãs do hospital. Enquanto caminha, ela diz: “Eu não via nem as tábuas de madeira, nem o rio Gave; parecia-me que eu estava na gruta, sem maior distância do que nas outras vezes. Eu só via a Santíssima Virgem”. Nesta última visão, nenhuma palavra em particular, apenas a doce presença da Rainha do céu.
O que reter desta última aparição?
A Virgem chama. A Virgem espera. Ela esperou até que fosse o momento certo para Bernadette. A Virgem também espera por cada um de seus filhos na gruta. Acolhida no vão da rocha, ela espera por nossas orações, nossas intenções e nos convida à conversão.
No silêncio, Maria age para consolar e cumular de bens cada um de seus filhos. Nem sempre são necessárias palavras para compreender. A exemplo de Bernadette, que ia todas as vezes com prontidão e confiança, sem sequer saber quem estava vendo no início, esta última aparição pode ser compreendida como um convite de Maria para nos ajoelharmos diante dela na Gruta para receber suas graças. Esta última aparição ecoa como um convite permanente para ali depositarmos os nossos fardos.




