O Sinal do Cristão é a Santa Cruz – Cartas do Padre Jesus Priante

Era assim que aprendíamos nos catecismos antes do Concílio Vaticano II, embora de maneira desvirtuada, pois acrescentávamos: “porque nela Cristo nos remiu”.

Era outro o sentido evangélico professado pelos primeiros cristãos no rito do Batismo. Para uma pessoa aderir à Fé cristã, era preciso reconhecer o sentido salvífico da própria vida, talhada na madeira dos problemas, dores e limitações. Nessa Cruz, na qual somos crucificados com Cristo, acontece nossa Salvação.

Ela é o leito de cada noite e os remos de cada dia para navegarmos sobre as movediças águas deste mundo. A Cruz (nossa própria história) é o caminho necessário escolhido por Deus para nos Salvar. Os catecúmenos (postulantes do Batismo) das primeiras gerações cristãs, eram interpelados pelo presidente da comunidade: “Qual é sua cruz?”. E eles narravam sua história. “E para que te serve essa tua cruz?” – Eles respondiam: “Para minha Salvação”. Quem não tinha clara a razão e o sentido salvífico da própria cruz ou do seu problema existencial, não podia professar a Fé cristã, pois esta maneira positiva e gloriosa de encarar a vida presente é sinal singular que distingue um cristão do resto das pessoas. Só o cristianismo interpreta a história, pessoal dos povos e da Criação, de maneira positiva e otimista.

O Parto

O sofrimento da vida presente cumpre a função de parto para uma nova vida, gloriosa e eterna (Rm.8). São Paulo, em 1Cor.1-2, qualifica a cruz (a dor da História) de sabedoria de Deus, que é loucura para os gregos (razão humana) e escândalo para os judeus (crenças religiosas). Infelizmente, a chamada Teoria da Satisfação de Santo Anselmo, da qual se fizeram herdeiros nossos catecismos e nossa educação religiosa, desvirtuou o profundo e sábio sentido da Cruz, vendo Nela o lugar no qual Jesus sofreu e morreu para “satisfazer” a justiça de Deus, lesada pelos nossos pecados. A Cruz deixava de ser caminho e plano salvífico de Deus para se tornar tortura ou sofrimento meritórios da nossa redenção, escurecendo a graça (dom gratuito divino) da própria Salvação. Santo Anselmo (séc. XI) escreveu, para fundamentar sua tese, um emblemático livro titulado “Cur Deus homo?” (Por que Deus se fez homem) afirmando que, não podendo pagar a dívida contraída para com Deus por causa de nossos pecados, pois nossos méritos, na condição de criaturas finitas, jamais alcançariam a dimensão infinita que Deus merece. Teve de vir o próprio Deus na pessoa de Jesus, para completar nosso pagamento redentivo. Nada mais anticristão e antievangélico.

Bem outra era a visão de Santo Irineu (séc. II) que entendeu a vinda de Cristo, Deus feito homem, como divinização de nós mesmos. Em Jesus de Nazaré, Deus se uniu “onticamente ” a nós e nós a Ele. É o que exprimimos com o termo Nova e Eterna Aliança, comunhão vital com Deus.

Cristão não é adjetivo, título ou cultura, mas identidade existencial.

Por isso, na teologia, afirmamos que o Batismo, no qual nascemos divinizados, imprime caráter, isto é, nos marca de maneira indelével e irreversível como filhos de Deus. Nascido em Cristo, já não nos podemos matar nem sermos mortos. A Cruz de nossos pecados, limitações, dores e morte se faz gloriosa. Este é o sinal e estandarte a portar pelo verdadeiro cristão para dar sentido e esperança ao mundo, que fez da Cruz lugar de desespero. Na década de 1970, o Papa Paulo VI falava da necessidade de todos os batizados serem evangelizados, “como se tudo começasse de novo”, dizia ele. Com esse espírito evangelizador, tentamos com estas nossas reflexões dominicais dar sentido salvífico à nossa Fé, que nos faz enxergar na Cruz a glória da Ressurreição.

Como a semente vislumbra na sombra da sua própria morte seu glorioso renascer, também nos no morrer da cruz. Dissociar a ressurreição da paixão e morte só pode criar decepção ,dúvida e descrença da nossa salvação.Pela cruz à luz, costumavam repetir os primeiros cristaos.

“TODA MANHÃ O SENHOR ABRE MEUS OUVIDOS PARA FICAR ATENTO COMO DISCÍPULO” (Is. 50,4-9)

O profeta Isaías é qualificado biblicamente como verdadeiro evangelista, anunciador da Boa Nova da Salvação, vislumbrando, esta Salvação, paradoxalmente, através de um Messias servo e sofredor. De passagem, nos versículos que precedem ao texto de hoje, se nos revela a Salvação, como dom e graça de Deus, de maneira sublime: “Assim diz Javé: Onde está o papel de divórcio, provando que me separei da mãe de vocês? A quem dos meus credores eu vendi a vocês?… Será que minha mão ficou tão curta e sem forças para não poder salvar vocês?” Maravilha de Evangelho que os Lecionários litúrgicos (dominical, ferial e santoral) esqueceram de inserir para nos comunicar a boa notícia da nossa Salvação.

A Salvação que nos foi revelada não tem o sentido de redenção ou resgate ao preço dos nossos sacrifícios e méritos nem do próprio Cristo. Ela é verdadeira aliança de comunhão vital com Deus, historicamente realizada pela sua Encarnação em Jesus de Nazaré. A Igreja Católica Ortodoxa fundamenta sua Fé mais neste acontecimento de Cristo do que na sua Ressurreição.

Mas retornamos ao texto deste domingo, denominado Terceiro Cântico do Servo de Javé. Frente ao Messias anunciado pelo profeta Daniel, glorioso e triunfante, esperado para o fim dos tempos, Isaías o anuncia, nos

capítulos 42, 49, 50, 53, como servo sofredor que percorre o caminho da cruz a ser trilhado por todo ser humano e toda a Criação para atingir sua glorificação. Essa narrativa foi qualificada de cântico ou poema. Algo paradoxal, pois ninguém canta e exulta na sua dor e fracasso existencial. Neste terceiro cântico, se diz do seu protagonista, que toda manhã o Senhor abre seus ouvidos para que aprenda a verdadeira lição da vida. Não só tem de aprender a levar o sofrimento inerente à condição humana, como também o infligido injustamente pelos outros. O verdadeiro servo de Deus, diz Santo Inácio de Loiola, não só é humilde como também humilhado. A perseguição, junto com a Cruz e a renúncia, segundo Oscar Culmann, são constitutivos do ser cristão. “O Senhor abre meus ouvidos para aceitar os insultos e as agressões dos inimigos”. Algo inaudito, revela o mesmo profeta no seu quarto Cântico (Is.53) que ninguém racionalmente pode acreditar. Suportar estoicamente o sofrimento deste mundo é difícil, mas dar-lhe sentido positivo e salvífico é humanamente impossível, mais ainda, se nos vier infligido gratuitamente pelos outros. E, no entanto, esse é o plano salvador de Deus, madeira seca da Cruz, que se tornou árvore verde da vida gloriosa e imortal. Esta lição a ser repetida cada dia nunca acabaremos de aprender, mas é a única
maneira de poder entender e dar sentido à nossa existência. De um lado trágica e, de outro, gloriosa.

Deus age sub-contrário.

“A FÉ SEM OBRAS ESTÁ MORTA.” (Tg.2,14-17)

Esta afirmação de Tiago aparentemente contradiz a grande tese de São Paulo: “Somos salvos pela Fé e não pelas obras da lei. ” (Rm.5) Mas em realidade ambos partilham a mesma opinião. A Fé consiste em viver unidos a Cristo na sua morte e na sua Ressurreição. Não é teoria ou mero sentimento, mas nosso existencial ou maneira de viver o mistério da Páscoa: passo da morte (fracassos, doenças, injustiças, dores, carências, velhice e tudo aquilo que nos limita e mata) para a Vida Eterna que a Ressurreição nos brinda. Sem este processo operativo da Páscoa, nossa fé é vazia e morta. Usando o mesmo exemplo, Paulo diz que Abraão foi justificado (salvo) pela fé e não pela suas obras, como teria sido ter levado a efeito o sacrifício do seu filho Isaac. O que não aconteceu. Tiago, entretanto, vê a fé operária de Abraão no fato de tê-la oferecido no altar para ser imolado a Deus. Por tanto, realizou um sacrifício incruento, mas real. De qualquer maneira nos defrontamos mais uma vez com o Mistério da nossa Salvação, que excede às nossas possibilidades humanas. É mistério, porque a única justiça que podemos conceber racionalmente consiste em dar a cada um o que lhe pertence ou merece. A razão rege-se pela Ética do dever, ditado pela Lei Natural, conhecida pela consciência ou pela Revelação de Deus. Por este caminho, como São Paulo, fanático seguidor da lei, constatou pela sua própria experiência, que ninguém se pode salvar, porque ninguem é capaz de equacionar sua conduta ao imperativo do dever ético. Ninguém poderá confessar, terminados seus dias, ter atingido a meta da santidade. De fato, “só Deus é Santo”. São Francisco de Assis, antes de morrer, se reconhecia o maior pecador do mundo. Todos morreremos pecadores e culpados. Por isso, permanece verdadeira e irrefutável a tese de São Paulo: “Somos salvos pela Fé e não pelas obras “, embora cumprir o dever ético é útil e necessário para viver neste mundo, mas ele é radicalmente insuficiente para termos a Vida Eterna. De fato, “a Salvação pertence a Deus”, o que é uma tradução da tese de São Paulo. Ele é quem nos salva e não nós, por nos mesmos.

Quem se poderá salvar? perguntaram os discípulos a Jesus. Ele respondeu: “Ao homem isso é impossível, não para Deus.” ( Mt.19)

O que a carta de Tiago nos revela é que a Fé é viva e real na medida em que vivemos de acordo com ela. Quem acredita que Deus o salva relativiza as coisas e a própria vida terrena e pode amar até seus próprios inimigos, pois sente-se imortal em Deus.

Todo egoísmo nasce do medo de morrer, por isso defendemos a vida terrena, assegurando nossos bens e até violando os bens dos outros. “A Fé é a posse dos bens que esperamos” ( Hb.1,1). Pela Fé, afirma Pascal, não só encontramos consolo na aflição como podemos consolar os outros. Um ateu, dizia Jean Gitton ao presidente francês François Mitterrand, não pode morrer, só pode ser morto, pois morrer é o nosso sublime ato de liberdade pelo qual escolhemos ir com Deus, nosso bem supremo. Kant, após ter passado toda sua vida refletindo sobre o caminho ético do dever buscando sua “salvação”, teve de deixar este caminho da razão para dar lugar à fé, e considerava que a única saída racional que tinha um ateu era o suicidio. Sem a fé, afirma Jung, não podemos ser mentalmente equilibrados. Fé não é crença religiosa mas modus vivendi de quem se sente filho de Deus. Essa nova identidade existencial nos vem somente de Cristo, o Filho de Deus feito homem que na sua própria carne nos divinizou.

A Salvação pela Fé tem um duplo sentido:

– Impossibilidade de poder salvar-nos com nossos méritos e recursos humanos e cósmicos. Por isso, afirma Kierkegaard, a Fé nasce na angústia existencial, quando tocamos o limite e não nos resta outra alternativa do que esperar a vida só de Deus. “Ninguém subiu senão aquele que desceu” ( Jo.3). Só quem desceu ao inferno pode subir ao Céu, proeza que só Deus pode realizar em nós. Precisamente Cristo, nosso Salvador, “desceu aos infernos” para dele nos libertar.

– A Fé é dom ou virtude (poder) de Deus, por isso, até a expressão “salvos pela Fé” tem de ser entendida não ativamente, isto é pertence a nós crer para sermos salvos, o que faria da Fé mais um mandamento impossível de cumprir e não seria Deus quem nos salva, mas graças aos méritos da nossa Fé. A Fé torna-se Ética a posteriori, na medida em que cremos, passamos a viver de acordo com ela. Como dom de Deus que nos salva, tem de ser pedida e desejada através da oração e procura prática do dever ético. “Nao estás longe do Reino de Deus”, disse Jesus a um mestre e cumpridor da lei. E se não estava longe, significa que não está dentro desse Reino ou Salvação, que pertence a Deus conceder-nos gratuitamente. Para que então esforçar-nos por sermos bons neste mundo? Para tornar possível nossa vida terrena, pessoal e social e não sermos condenados pela nossa consciência ou pelas pessoas que nos cercam. Eu não vos julgo, disse Jesus, tendes a Lei de Moisés (Ética do dever) que vos julga. Seguir e tentar cumprir a Ética da Lei, assim como a religiosidade natural inerente a todo ser humano, são preâmbulos da Fé. “Se não acreditam em Moisés (lei do dever) que nos chama a termos fé, ainda que um morto nos visitasse, não creditaríamos”, disse Jesus na parábola do rico e pobre Lázaro.

Salvos pela Fé significa que será o próprio Deus quem nos salva. Por isso, os que ainda nos movemos entre a Lei e a Graça, a religião e a Fé, e por isso, nutrimos certa dúvida sobre nossa própria Salvação, temos, ao menos, o consolo do postulado da Fé da nossa razão.

Se a nossa consciência nos acusa e condena, nos diz São João, saibam que temos a Deus que é maior do que a nossa consciência. E se o mundo vos julga e condena, eu, diz Jesus, não vos julgo nem condeno. “Todos ressuscitaremos (viveremos com Deus) justos (bons e crentes) e injustos (maus e descrentes)” ( At.24,15).

A diferença entre crer ou nao crer, nos diz Santo Agostinho, é a mesma que existe entre um vidente e um cego. Um enxerga e outro não. Diferença esta que não é pouca. Não é o mesmo acreditar que somos salvos por Deus do que viver frustrados e culpados por não nos poder salvar por nós mesmos ou, viver fadados a morrer, do que sentir-nos imortais, destinados a viver com Deus felizes eternamente.

“SE ALGUÉM QUER ME SEGUIR, RENUNCIE A SI MESMO, TOME SUA CRUZ E ME SIGA, POIS QUEM QUER SALVAR A SUA VIDA( terrena) VAI PERDÊ-LA; MAS, QUEM A PERDE POR MIM E O EVANGELHO, VAI SALVÁ-LA.” (Mc 8,27- 35)

Jesus assume a figura dos “Servo Sofredor de Javé” anunciada pelo profeta Isaías, para abrir o caminho da Salvação do mundo, até ele nunca conhecido.

As religiões, filosofias e ciências buscam como evitar o sofrimento, carências e todo tipo de males, mas jamais encontrarão neles o caminho que nos conduz à verdadeira vida.

A nossa Fé é viva e vivificante na medida em que cruzamos este “vale de lágrimas” de maneira otimista, na esperança de alcançarmos a plenitude da vida eterna e feliz em Deus. Viemos a este mundo chorando, mas retornamos para Deus cantando. Não poderíamos trilhar esse caminho sem Cristo. Ele é pioneiro nessa aventura, por isso nos convida a lhe “seguir”. Alguns biblistas afirmam que os escassos três anos da missão profética de Jesus foram passados numa viagem de Nazaré a Jerusalém, passando por diferentes povoados, como Ele mesmo manifestou várias vezes dizendo: “Eis que vamos a Jerusalém, onde Eu serei morto e ao terceiro dia ressuscitarei”. Nesse caminho pascal,de Nazaré a Jerusalém, foi instruindo Seus discípulos para que trilhassem com Ele o mesmo caminho. A Pedro que tentou contestar esse plano salvífico de Deus, lhe apelidou de “satanás”, porque não pensava como Deus mas como os homens”. E acrescentou as palavras que seriam válidas para todos os tempos: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz (sua própria existência com suas dores, limites, pecados e mortes) e me siga, pois quem quiser salvar a vida para este mundo, vai perdê-la, e quem a perder em mim, a salvará”.

Se tivéssemos de incluir Jesus na plêiade dos filósofos de todos os tempos e culturas, diríamos ter sido ele o único a explicar e dar sentido à vida do ser humano e da realidade do mundo que habitamos, pois só Ele transpassou a fronteira do sofrimento e a morte, onde a razão humana detém seu pensar.

O sofrimento e a morte nos mergulham no absurdo de uma noite interminável, como confessou Nietzsche, pois não só nega racionalmente a existência de Deus, como a razão da nossa própria existência e do universo. Não são poucos os filósofos que refugiam-se no nada para poder pensar. A longa noite do nada a que nos leva o sofrimento e a morte, foi iluminada pela Ressurreição de Cristo, “Luz do Mundo”, mas não sem antes passar por sua paixão e morte, não reduzidas ao curto trecho do Calvário dos seus últimos passos, pois, antes de aprender a dar seus primeiros passos em Belém, carregou com sua cruz os pecados do mundo… Sua vida terrena foi trilhada na encruzilhada dos problemas, das carências, limitações e dos sofrimentos que culminaram na morte de cruz, na qual não só suportou a dor como também os pecados do mundo, morrendo como malfeitor.

Somos cristãos, discípulos de Cristo, na medida em que encontramos sentido e esperança no caminho “absurdo” e trágico da Cruz, a ser trilhado não com “resignação” estóica ou fruto da fatalidade, nem como “castigo dos deuses”, nem como teste da nossa Fé ou a purificação de nossos pecados, mas como plano sábio e salvífico de Deus. Se o próprio Filho de Deus fez esse caminho, é porque por ele, nós e o universo, alcançaremos a meta da glorificação, nossa e a de Deus. “A cruz gloriosa do Senhor Ressuscitado” é leito de repouso e os remos para navegar mar adentro rumo ao porto seguro do Reino dos Céus. Levá-la com otimismo e esperança é o sinal que distingue o verdadeiro cristão, pois para o resto dos mortais será sempre maldita, da qual fugir.

O cristão é a única pessoa bem informada. Sabe que a vida é dor, como afirma o budismo, mas sabe também que nenhum progresso humano será capaz de fazer florescer o lenho seco da Cruz. Mais ainda, disse Jesus, quem pretenda salvar a vida para este mundo, certamente a perderá. Só existe uma saída: “sofrer e morrer com Cristo, para com Ele Ressuscitar”.

Outra forma de encarar e viver esta vida é a maior alienação e inútil paixão.”Tomar a cruz” significa encontrar e esperar a Vida Eterna na própria história: nosso corpo, família, trabalho, doenças, problemas,
fracassos, carências, limitações e até nós nossos próprios pecados.

Não é indiferença ao sofrimento ou doentio masoquismo, mas caminho necessário da Verdadeira Vida, que já neste mundo se faz mais humana, mais de Cristo e mais de Deus. O contrário à sabedoria da Cruz é a loucura da espada a pretender conquistar mundos sem paz e vida.

Padre Jesus Priante
Espanha
(Edição e intertítulo por Malcolm Forest. São Paulo.)
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