O seu santo padroeiro pode ajudá-lo a viver melhor a quarentena

Modelo, elemento de identidade e intercessor: o santo padroeiro pode ocupar um lugar discreto, mas real, na vida de cada cristão. Podemos tentar conhecê-lo melhor e nos tornar amigos dele de diferentes formas

Os santos padroeiros estão mais próximos de nós do que pensamos. Eles não são gigantes inacessíveis, pelo contrário. Jacques Gauthier, poeta e teólogo, dá algumas dicas e motivos do porque se interessar por nossos santos padroeiros e estabelecer um relacionamento real com eles.

Devemos nos interessar pelo nosso santo padroeiro?

A palavra “padroeiro” vem do latim “pater” e normalmente designa um santo que cuida de nós como pai ou mãe. Então, sim, devemos estar interessados em conhecer mais o nosso santo padroeiro, que pode ter sido escolhido com carinho por nossos pais.

Nosso nome não é neutro, ele nos distingue como pessoa. Ouvi-lo é sentir-se vivo de dentro para fora. Nós não podemos dar um nome esdrúxulo aos nossos filhos. Batizado “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28, 19), o cristão recebe seu nome na Igreja. É um novo nascimento em Deus.

As famílias cristãs podem escolher para seus filhos o nome de um santo padroeiro que será seu protetor e modelo, apoio e intercessor. Acima de tudo, teremos que imitar o amor dele por Deus e pelos outros. Na verdade, foi ele que nos escolheu de maneira a nos levar adiante, em direção a esse Deus de amor que nos conhece pelo nome.

O nome batismal também pode expressar um mistério cristão, como Pascal ou Noel; ou uma virtude, como Constança ou Clemente. É um chamado para que a pessoa que leva esse nome viva ainda mais intensamente o mistério ou a virtude que se relaciona com Cristo, “o primogênito dentre os mortos”.

Como fazer crescer uma amizade com seu santo padroeiro?

É importante ler os escritos de seu santo padroeiro ou sua biografia, aprender o significado etimológico de seu nome, descobrir melhor a missão dele e a sua. A amizade é nutrida invocando seu santo. É o que se faz durante a ladainha que se segue à profissão de fé batismal ou durante a oração eucarística na missa, quando o santo padroeiro da paróquia é nomeado.

Podemos também nutrir a nossa amizade com nosso santo padrinho, o tomando como intercessor e protetor perante a Deus. Junto ao nosso anjo da guarda, há um sinal de Deus ao nosso lado. Ele nos acompanha pelas estradas sinuosas da vida.

Essa amizade se desenvolve obtendo uma imagem ou medalha que o representa e que nos lembra pelo seu exemplo que nada pode nos separar do amor de Deus. Ao montar um altar ou cantinho de oração em casa ou no quarto de uma criança, podemos colocar fotos de cada um de nossos santos padroeiros.

Nutrimos especialmente a amizade com nosso santo padroeiro, orando a ele, pois estamos em comunhão com ele e ele nos ajuda nas provações da vida. Mas não acredite que a sua intervenção é como mágica. Pelo contrário, trata-se de um ato de confiança e amor e nos estimula a começar de novo e de novo a partir de Cristo.

Desenvolver uma amizade com nosso santo padroeiro nos traz esperança. Não estamos sozinhos ao crer em Deus. É encorajador saber que pessoas como nós estão próximas de Deus e que estão nos acompanhando aqui, que estão nos levando a Cristo. Eles são da mesma família que nós. Eles são amigos, próximos a nós, não gigantes inacessíveis. O Cura d’Ars nos disse: “De bom grado, abro espaço para os santos aqui embaixo, para que eles possam abrir para mim um pequeno espaço no céu“.

Por que a Igreja dá tanta importância aos santos?

Essa “nuvem de testemunhas” (Hb 12, 1) é fruto da santidade universal da Igreja que reflete a de Deus. Os santos tornam visível essa santidade da Igreja presente em todo o mundo. Nós já os encontramos aqui embaixo através de em um país que eles amavam, uma cidade que leva seu nome, uma estrada que eles seguiram, uma peregrinação que reúne seus amigos, de uma profissão da qual eles são o chefe, de uma doença para invocá-los, de um dia para celebrá-los.

Existem santos padroeiros para todos os gostos: aqueles que realizaram milagres ou curas; bispos e pregadores; mártires e missionários; enclausurados e itinerantes; doentes e saudáveis; analfabetos e estudiosos; ricos e servos; artistas e visionários; jovens e velhos; místicos e misericordiosos; conhecidos e desconhecidos; padres e leigos; monges e casais. Quão grande alegria será no céu quando encontrarmos e reconhecermos nossos amigos, os santos!

Entrevista por Cyril Douillet

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