Nove dias em que o Brasil inteiro se volta para a Palavra que salva
Caros irmãos e irmãs, de todos os cantos do nosso Brasil. Outubro chegou, e com ele chega também aquilo que mais aquece o coração do nosso povo: a Novena de Nossa Senhora Aparecida. De 3 a 11 de outubro, milhões de famílias, em capelas simples do interior e em grandes santuários das cidades, vão parar por alguns minutos do dia para rezar, escutar e se colocar diante da Mãe que Deus escolheu para nós.
Ainda me emociona pensar na história daquela pequena imagem encontrada nas águas do Rio Paraíba do Sul, há mais de trezentos anos, por três pescadores humildes. O que começou como um gesto simples de fé transformou-se no maior santuário mariano do mundo, e Nossa Senhora Aparecida se tornou, desde 1930, Padroeira do Brasil. Ela é sinal de que Deus não olha para o tamanho das coisas, mas para a fé de quem as recebe.
Primeiro passo: a Palavra que se faz caminho: Este ano a novena caminha junto com um projeto que atravessou oito anos de trabalho no Santuário Nacional, a Jornada Bíblica. O tema que resume tudo é bonito e direto: “Com Maria, em comunidade, conhecer e praticar a Palavra”. Os primeiros dias da novena nos lembram que somos parte viva da história da salvação, que Maria é discípula perfeita no cuidado com a vida e com a Casa Comum, e que somos chamados a construir a paz onde existe divisão. Como está escrito em 1Sm 3,10, a atitude que Deus pede de nós é simples e exigente ao mesmo tempo: “Fala, Senhor, que teu servo escuta.” Escutar antes de agir. Essa é a escola de Maria.
Segundo passo: a fé que se faz vida cotidiana: No meio da novena, os temas nos aproximam do dia a dia de cada família brasileira. Fala se de sermos redimidos pela Palavra que se fez carne entre nós, de levar o terço e a Bíblia juntos, na mão e no coração, e de valorizar a piedade popular que o nosso povo guarda com tanto carinho, as romarias, as procissões, as novenas rezadas em família. Não existe piedade popular verdadeira sem Palavra de Deus, assim como não existe leitura da Escritura que não desague na vida concreta das pessoas. Maria uniu essas duas coisas com perfeição, e por isso continua sendo mestra para nós.
Terceiro passo: a comunidade que se lança em missão: Os últimos dias da novena olham para frente. Somos convidados a nos reconhecer como Igreja de irmãos, reunidos pela Palavra e pelo pão da vida, a praticar a justiça social como compromisso concreto de amor, e a nos deixar enviar, em família, para evangelizar. Como recorda o apóstolo Paulo em Rm 1,5-6, todos fomos chamados para o apostolado pela graça de Cristo. Não é privilégio de poucos. É vocação de todo batizado.
Uma Mãe para um Brasil que precisa de esperança: Sei que muitas famílias brasileiras atravessam dias difíceis. O trabalho que falta, a saúde que preocupa, a violência que fere tantas cidades. Justamente por isso a novena tem tanto valor. Ela nos ensina que a fé não é fuga da realidade, mas força para enfrentá-la com esperança. Maria não resolveu os problemas de Caná com um milagre à distância. Ela se aproximou, percebeu a necessidade e intercedeu junto ao Filho, como está em Jo 2,3-5. É esse o seu jeito de agir também hoje, no meio do nosso povo.
Convido cada família, cada comunidade, cada pastoral e movimento a reservar um momento, entre 3 e 11 de outubro, para rezar esta novena. Não é preciso grande estrutura. Basta um terço, uma Bíblia aberta e um coração disposto a escutar. Que possamos chegar ao dia 12 de outubro renovados, mais unidos como Igreja e como Nação, seguindo aquilo que sempre repito como caminho de vida: caminhai no Senhor.
Que Nossa Senhora Aparecida interceda por cada lar brasileiro e nos ajude a sermos, como ela foi, servidores atentos da Palavra que salva.




