Nesta quarta-feira de cinzas iniciamos o tempo da Quaresma, e como acontece todos os anos o Papa escreve uma mensagem dirigida para toda Igreja recordando-nos a importância deste tempo favorável. Um tempo que deve ser vivido com intensidade, praticando as três virtudes neste tempo de deserto que é a Oração, Jejum e Esmola, como nos recorda a Palavra do Evangelho deste dia. Recordando, sobretudo, por quem fazemos este sacrifício, em memória de Jesus, do seu sacrifício por nós no calvário, que culminou na Cruz. Ele aceitou livremente a paixão em reparação aos nossos pecados, por isso durante a Quaresma devemos entregar os nossos pecados na Cruz de Cristo e ressurgir com ele para uma vida nova. Apoiados dessa maneira pela Oração, Jejum e esmola. A Quaresma é um tempo de reconciliação com Deus, devemos nos deixar reconciliar por esse Deus. Procurarmos o sacramento da confissão, que é se reconciliar com o amor de Deus. Se pecamos é porque nos afastamos do amor de Deus, rompemos nossa relação com ele, e por meio da confissão nos reaproximamos dele. Durante a Quaresma é forte o apelo a penitência, a conversão e a mudança de vida. Somos convidados a entrar de uma maneira na Quaresma e chegar no Domingo de Páscoa de outra. “Em nome de Cristo, suplicamos-vos: reconciliai-vos com Deus” (cf. 2 Cor 5, 20). Este é o tema da mensagem do Papa Francisco para a Quaresma deste ano, nos convidando a prática da reconciliação com Deus. Assim como acontece na relação dos pais com os filhos ou do esposo e da esposa, que por vezes brigam e logo depois fazem as pazes, porque, sobretudo, ali reina o amor, assim é nossa relação com Deus ele nos perdoa, nos reconciliamos com ele, porque nossa relação com ele é uma relação de mútua de amor. O Papa nos convida nesta quaresma a fixar os nossos olhos na Cruz de Cristo, o que aconteceu com Jesus não é algo do passado, mas se faz presente hoje, principalmente em cada Santa Missa onde é atualizado o sacrifício de Cristo por nós no altar. Lembrar que os braços abertos de Jesus na Cruz e como se ele estivesse abraçando a cada um de nós e nos convidando a fixar os olhos nele e entregar no altar, no momento do sacrifício os nossos pecados. O Papa insiste que a misericórdia só pode ser alcançada através de um diálogo sincero com o Senhor crucificado e ressuscitado. Um diálogo de coração a coração, por meio do Espírito Santo Ele ressuscitou e continua vivo dentro de cada um de nós. Ele nos dá o seu perdão sincero. Nós só conseguiremos essa intimidade com o Senhor vivenciando a sua Palavra, tendo contato direto com ele, pois por meio da sua Palavra se abrirá espaço para a nossa Salvação. Mesmo em meio as dificuldades da vida, em meio aquilo que vemos nas redes sociais, internet ou televisão, não devemos desistir desse nosso encontro íntimo com o Senhor. Temos que reservar um tempo para meditar a Sua Palavra e conversar com Ele, fortalecendo assim a nossa relação com Ele. Dessa maneira poremos em prática uma das virtudes da Quaresma que é a Oração. Do mesmo modo se nos encontrarmos num momento de dificuldade em que as coisas não estejam dando muito certo para nós, não devemos desistir dessa relação de intimidade com o Senhor, pelo contrário, aí que ela deve aumentar. E é claro, não ser somente no período Quaresmal, mas durante o ano todo. Mas este tempo favorável nos ajuda a procurar colocar em dia nossa vida espiritual cristã. O Papa insiste em colocarmos o mistério pascal no centro da nossa vida, podemos ver Jesus no próximo, naquele que está doente, no pobre, abandonando. Enfim, naqueles que se encontram feridos em sua dignidade. Podemos assim como Jesus estender as mãos para essas pessoas, devolvendo a elas a sua dignidade de filhos de Deus. Devemos ser sinal de ressurreição para os outros e não de morte. Nesse sentido, no Brasil, temos a Campanha da Fraternidade que nos ajuda a dar passos em nossa conversão também com uma presença social comprometida com Cristo e com os irmãos. O Papa nos chama a atenção para a partilha, que devemos ter a distribuição igualitária de bens, não como acontece hoje que alguns tem muito e outros tem pouco ou quase nada. O Papa Francisco fala diretamente aos economistas, para que ajudem junto com os políticos de seus países a ter a distribuição igualitária de bens. A política sendo bem feita pode ser uma forma de caridade, que também é uma das práticas dessa Quaresma. Para isso ele convocou os jovens para um estudo sobre a economia de Francisco nas terras de Assis no final deste mês de Março. De maneira particular aqui no Brasil além de iniciarmos a Quaresma na próxima quarta-feira, iniciaremos também a campanha da Fraternidade que tem como tema “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (cf. Lc 10,33-34) e como lema “Fraternidade e vida: dom e compromisso”. Isso é viver intensamente o mistério pascal de cristo, sendo sinal de Ressurreição para quem encontrarmos, curando e cuidando de suas feridas, assim como Jesus faz conosco. Que o exemplo de Santa Dulce dos pobres, cuja figura consta no cartaz oficial da CF, nos ensine a acolher indistintamente todos, com ternura evangélica, com amor-compaixão-misericórdia-perdão-reconciliação. Iniciemos bem nossa Quaresma colocando em prática as propostas, como Oração, Jejum e esmola. E como nos pede o Papa Francisco termos intimidade com Jesus e com sua Palavra e sendo sinal dele à quem encontrarmos. A íntegra da mensagem pontifícia pode ser acessada no endereço: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2020-02/mensagem-papa-francisco-quaresma-2020.html Caminhando com o Senhor, pelo deserto quaresmal, deixemos de lado tudo aquilo que nos afasta da companhia do Senhor Ressuscitado! Por isso o Papa Francisco, “neste tempo quaresmal, …. estende a todos os cristãos o que escreveu aos jovens na Exortação apostólica Christus vivit: fixar os braços abertos de Cristo crucificado e deixar-se salvar sempre de novo. “A Páscoa de Jesus não é um acontecimento do passado: pela força do Espírito Santo é sempre atual e permite-nos contemplar e tocar com fé a carne de Cristo em tantas pessoas que sofrem.” https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2020-02/papa-francisco-mensagem-quaresma-2020.html, último acesso em 24 de fevereiro de 2020.) Deixemo-nos “fixar os braços ao Cristo Crucificado!”: «Em nome de Cristo, suplicamo-vos: reconciliai-vos com Deus» (2 Cor 5, 20). Uma Santa Quaresma a todos!!

“Será que não estamos nos acostumando com a agressão cotidiana à vida e com a morte em suas diversas formas?” Com essa pergunta provocativa o bispo auxiliar do Rio de Janeiro e secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Joel Portella Amado, deu início à sua fala na cerimônia de lançamento da Campanha da Fraternidade (CF) 2020 realizada hoje, dia 26 de fevereiro, na sede da entidade em Brasília (DF).

A Campanha da Fraternidade 2020 tem como tema: “Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso” e o lema bíblico extraído de Lucas 10, 33-34: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele”.

Segundo dados sistematizados no Texto-Base da CF 2020:
“No Brasil, 22,6% das crianças e adolescentes entre 0 e 14 anos vivem em situação de extrema pobreza.
11,7 mil crianças e adolescentes foram vítimas de homicídio em 2017.
Em 2016, houve no país 11.433 mortes por suicídio, uma média de 31 casos por dia.
Nos 6 primeiros meses de 2018, os acidentes de trânsito provocaram mil mortes e 20 mil casos de invalidez permanente no país.
Em 2017, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IGBE), o Brasil era 9º país mais desigual do planeta em distribuição de renda.”

O secretário-geral da CNBB disse ser necessário indagar se realmente são necessárias estatísticas para perceber que, em nossos dias, a vida vem sendo fortemente desrespeitada. Dom Joel citou, como exemplo, o tema da violência ostensiva – tema das Campanhas de 1983 e 2018. Para dom Joel, a lista de morte é grande e já a conhecemos: “mortes nas ruas através de balas perdidas, morte nas macas dos hospitais, morte por causa da fome, do desemprego, morte no campo, nas aldeias indígenas e morte entre os jovens”.

A Campanha da Fraternidade, destacou o secretário-geral da CNBB, quer alertar para duas atitudes, a indiferença e a crença de que a morte só é vencida pela própria morte. “Essa é atitude de quem se esquece da Campanha da Fraternidade de 2018 e acaba pregando a superação da violência através da própria violência”, disse.

Dom Joel citou o Papa Francisco para falar da importância de não naturalizar a indiferença e a violência. “O Papa pede de nós um outro rumo na Laudato Sí”, disse. De acordo com o bispo, a Campanha da Fraternidade aponta para esse outro rumo a partir da parábola do Bom Samaritano. “Em tempos de indiferença globalizada, a solução para os problemas da vida nunca virá através da violência e da morte. Ela virá do cuidado! Do zelo uns pelos outros e de todos pela sociedade e pelo planeta”, afirmou.

Como exemplo de quem cuidou da vida e referência do agir como bom Samaritano, o secretário-geral da CNBB falou que a Campanha deste ano se inspira em Santa Dulce dos Pobres, canonizada pelo Papa Francisco, em outubro de 2019 . “Ouvir, sentir compaixão e cuidar” são os verbos bíblicos que a Igreja Católica vai trabalhar na Quaresma este ano, por meio da Campanha da Fraternidade 2020.

Participaram da coletiva o bispo auxiliar do Rio de Janeiro (RJ) e secretário-geral da CNBB, dom Joel Portella Amado, a sobrinha da Santa Dulce dos Pobres e superintendente das Obras Sociais Irmã Dulce (Osid) na Bahia, Maria Rita Pontes, o frei Giovanni Messias, reitor do Santuário Santa Dulce dos Pobres, o coordenador executivo de Campanhas da CNBB, padre Patriky Samuel Batista e a representante do projeto social da CNBB “Correndo Atrás de um Sonho”, Dayse de Oliveira.

Secretário-geral responde aos jornalistas durante coletiva de imprensa. Fotos: Comunicação CNBB

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