Muito dinheiro gasto para morte

    “Somos condicionados a confiar que nossos médicos e nossos governos cuidam de nós e acreditamos que os meios de comunicação são nossos amigos. A verdade é que vivemos enganados” escreve o renomado historiador holandês Robin de Ruiter (1).
    Gastamos muito dinheiro com tratamento para as pessoas normais, os “doentes de preocupação”, que vão ser prejudicados por essas drogas, enquanto faltam recursos para quem está de fato doente e desesperado por tratamento. Dois terços que têm depressão severa não são tratados, e muitos dos que sofrem de esquizofrenia acabam na prisão ou nas ruas, sem moradia.
    Milhões de pessoas sadias estão sendo prejudicadas com diagnósticos psiquiátricos equivocados e tratamentos desnecessários enquanto os que têm doenças mentais verdadeiras não têm acesso às terapias que precisam. O alerta vem do psiquiatra norte-americano Allen Frances, 73, professor emérito na Universidade Duke, na Carolina do Norte (EUA), autor do livro “Voltando ao normal” (Versal Editores), recém-traduzido para o português (2).

    GUERRA E TERRORISMO

    “Dinheiro público é como água benta: todos querem colocar a mão”.
    (Provérbio Italiano)

    “Estamos mais seguros?” A cada novo aniversário dos ataques que ceifaram 2.977 vítimas na manhã de 11 de Setembro de 2001, os americanos repetem a mesma pergunta. Os EUA gastaram US$ 7 bilhões na segurança de aeroportos e trilhões na guerra ao terrorismo em países como Iraque, Afeganistão e Síria. A população, contudo, nunca se sentiu tão insegura. Segundo o Centro de Pesquisa Pew, 40% dos americanos creem que terroristas estão mais preparados para um ataque mais espetacular que o realizado em 11/09 – o maior índice da série histórica, iniciada em 2002. Medo justificado?
    Em partes, afirma o professor do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) John Tirman. “Há vulnerabilidades. Vêm-me a mentes grandes complexos industriais ou usinas nucleares.”
    Quinze anos após o 11/09, a ameaça do terrorismo se diversificou, tornou-se mais imprevisível e difícil de ser contida. A invasão do Iraque ordenada em 2003 por George W. Bush permitiu o surgimento da facção terrorista Estado Islâmico (EI), beneficiada depois pela ressaca da Primavera Árabe, em 2011, que mergulhou a Síria e a Líbia no caos. “A chamada guerra contra o terror deflagrou um movimento jihadista global. Não digo que as pessoas devam parar de sair de casa, mas a probabilidade de um atentado é bem maior”, afirma à Folha Loretta Napoleoni.
    Economista, Napoleoni se especializou em rastrear as finanças dos grupos terroristas. Ela estima que a “economia do terrorismo” seja equivalente a 8% do PIB mundial, ou mais de US$ 1,7 trilhão. Um terço tem origem em negócios legítimos, mas terrorismo e crime estão muito mais “interconectados” hoje que 15 anos atrás, diz ela. Disse o ex-presidente americano Richard Nixon: “O governo não pode dar nada ao povo que primeiro dele não tenha tirado”.

    BRASIL
    “As leis abundam em Estado corrupto”,
    Tácito, isigne historiador latino.

    Interrompida a marcha de insensatez que caracterizou a gestão das empresas estatais nos últimos anos, parece iniciar-se uma restauração. Será um longo caminho, em vista do colosso de prejuízos nas duas principais empresas, Petrobras e Eletrobras.
    A Petrobras é a mais vistosa, não só pela rapinagem trazida à luz pela Operação Lava Jato, mas pela deterioração dos processos decisórios, que passaram a responder apenas a ditames políticos, não a orçamentos e custos.
    Em conjunto, as decisões erradas e os danos decorrentes de corrupção já levaram a petroleira a reconhecer prejuízos próximos de R$ 100 bilhões. Nessa estimativa entram desde propinas da ordem de R$ 6 bilhões até reavaliações de projetos que estouraram os orçamentos, com a refinaria de Abreu e Lima e o complexo petroquímico do Rio de Janeiro.
    Da mesma forma, a Eletrobras padeceu sob o ímpeto intervencionista do governo passado, que desarticulou todo o setor elétrico. Foi forçada a investimentos perdulários e a reduções insustentáveis de tarifas. Suas subsidiárias operacionais, onde se concentra o dinheiro, sempre foram alvo da cobiça de políticos em grau de cupidez ainda por estabelecer. O resultado foi um prejuízo de R$ 30 bilhões nos últimos quatro anos. Enquanto isso, o país ficou para trás nos notáveis avanços tecnológicos que prometem uma revolução na geração e na distribuição de energia (3).
    Peter Drucker, escritor, professor, consultor administrativo e considerado como o pai da administração moderna afirmou: “O governo é um mau gerente”.

    Pe. Inácio José do Vale
    Professor, psicanalista e conferencista
    Sociólogo em Ciência da Religião
    Irmãozinho da Visitação da Fraternidade de Charles de Foucauld
    E-mail: pe.inacio.jose@gmail.com

    Notas:
    (1)    Ruiter, Robin de. O Anticristo: poder o culto por trás da Nova Ordem Municipal. São Paulo: Editora Ave-Maria, 2005, p. 217.
    (2)    Folha de S. Paulo, 11/09/2016, p. B8.
    (3)    Folha de S. Paulo – Opinião, 11/09/2016, p. A2.

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