Mensagem do Papa Leão XIV para o dia Mundial da Paz

    “A paz esteja com todos vós: rumo a uma paz desarmada e desarmante”

    Foi divulgada na passada quinta-feira, dia 18 de dezembro, a mensagem do Santo Padre, o Papa Leão XIV, para o Dia Mundial da Paz, celebrado em 1º de janeiro. “A paz esteja com todos vós: rumo a uma paz desarmada e desarmante” é o tema da Mensagem do Papa Leão XIV para o Dia Mundial da Paz de 1º de janeiro de 2026.

    Essa é a primeira mensagem do pontificado de Leão XIV para essa data. Até 1º de janeiro de 2025, a mensagem havia sido do Papa Francisco. É comum os Papas publicarem uma mensagem para esse dia; esta é a 59ª Mensagem.

    O tema dessa mensagem do Papa Leão XIV, como não poderia ser diferente, é a paz, diante do cenário atual que vivemos, com o conflito entre Rússia e Ucrânia, que parece não ter fim; o conflito na Faixa de Gaza; a perseguição aos cristãos em diversas partes do mundo; e as guerras urbanas diárias que vemos em nossas cidades.

    Por isso, o Papa Leão XIV faz um grande apelo pela paz. Ele diz isso nesta mensagem de modo explícito e já o fez também nas celebrações natalinas, pedindo uma trégua em respeito ao nascimento de Jesus. O Papa reforça, antes de tudo, que os conflitos devem ser resolvidos por meio do diálogo, e não pelas armas.

    O Papa tem procurado contribuir para a resolução de alguns conflitos por meio do diálogo, recebendo autoridades de diversas nações, sobretudo daquelas que estão em conflito, ou pedindo que essas autoridades se reúnam e dialoguem sobre a possibilidade da paz.

    A promoção da paz pode começar em nós mesmos, em nossa casa, em nosso bairro, em nossa comunidade e em nosso trabalho, rezando por aqueles que nos perseguem ou com quem não nos damos tão bem. Em vez de respondermos às ofensas com violência e brigas, devemos rezar por aqueles com quem temos algum tipo de conflito.

    O Santo Padre recorda, em sua mensagem, que a paz de Cristo Ressuscitado é uma paz desarmada, que resiste à violência e às armas. A bondade que Cristo Ressuscitado traz é desarmante. Deus quis assumir a condição humana na forma de criança, pois a criança é inocente e pura, aquela que traz a paz em seu coração. Que o Jubileu da esperança e da misericórdia, que encerramos no último domingo, nos possibilite desarmar o nosso coração, a mente e a vida.

    De forma muito peculiar e com o intuito de chamar a atenção de todos, o Papa inicia a mensagem com a saudação que o próprio Cristo Ressuscitado dirigia aos seus apóstolos: “A paz esteja convosco”. Essa saudação significa estar bem consigo mesmo, com Deus e com a comunidade. Por isso, todos os habitantes do mundo são chamados a acolher essa saudação do Papa, que fala em nome de Cristo, e a viver em paz com todos, construindo pontes de reconciliação.

    “Cristo, nossa paz. A sua presença, o seu dom e a sua vitória reverberam na perseverança de muitas testemunhas, por meio das quais a obra de Deus continua no mundo, tornando-se ainda mais perceptível e luminosa na escuridão dos tempos”, ressalta o Papa Leão XIV.

    O sucessor de Pedro nos dias de hoje, que é o Papa, os sucessores dos apóstolos, que são os bispos, e os sacerdotes, que agem sacramentalmente na pessoa de Cristo, são chamados a transmitir essa paz que Cristo traz. As pessoas de bom coração devem acolher essa paz e transmiti-la aos irmãos.

    Por fim, o Papa cita ainda Santo Agostinho, que afirmava que os cristãos deveriam estabelecer uma amizade indissolúvel com a paz, para que, guardando esse sentimento no próprio íntimo, pudessem irradiar ao seu redor um calor luminoso. Desde muito antes já se fazia necessário rezar pela paz: Santo Agostinho viveu entre os séculos IV e V da era cristã e, ainda assim, exortava os fiéis a promoverem a paz.

    A paz, antes de ser um objetivo final, é, sobretudo, um caminho que se constrói aos poucos e que tem por finalidade estabelecer uma paz duradoura. A semente é lançada, e cabe a nós colher os frutos: em primeiro lugar, por meio da oração; depois, pelo diálogo; até chegar ao aperto de mão.

    O Papa afirma ainda que, sem a paz, aumentam-se os gastos com armas e o número de pessoas obrigadas a aderir ao serviço militar. Em vez de gastar dinheiro com armas, bombas e instrumentos de violência, deveríamos investir em saúde, educação, alimentação e trabalho para a população.

    A paz é um dom que precisa ser protegido, pois, se “não for uma realidade experimentada, guardada e cultivada, a agressividade espalha-se tanto na vida doméstica quanto na vida pública”, correndo-se o risco de cair no engano de acreditar que é preciso preparar-se para a guerra a fim de alcançá-la, incorporando a “irracionalidade de uma relação entre os povos baseada não no direito, na justiça e na confiança, mas no medo e no domínio da força”.

    O Papa recorda ainda que “Santo Agostinho recomendava não destruir pontes nem insistir em repreensões”, preferindo “a via da escuta e, na medida do possível, do encontro com as razões dos outros”.

    Para alcançar uma paz verdadeiramente desarmante, é necessário encarnar a mansidão, pois “a bondade é desarmante. Talvez por isso Deus se tenha feito criança”. A paz nasce da humildade evangélica. Em sua fragilidade, uma criança tem a capacidade de mudar corações, interpelar nossas escolhas e fazer com que baixemos nossas armas.

    O Papa Leão XIV nos lembra que a paz é possível, não utópica, e que o diálogo ecumênico e inter-religioso são caminhos privilegiados para alcançá-la. Não devemos esquecer também o “caminho desarmante da diplomacia, da mediação e do direito internacional”, que exige confiança mútua, lealdade e responsabilidade nos compromissos assumidos.

    “Esta é a paz do Cristo Ressuscitado: uma paz desarmada e desarmante, humilde e perseverante. Ela provém de Deus, o Deus que nos ama a todos incondicionalmente”, afirma o Papa Leão XIV.

    Sejamos construtores da paz. Comecemos em nossa comunidade e nos ambientes em que vivemos. Lancemos a semente, rezemos por quem nos persegue, até chegarmos ao aperto de mão. Rezemos pelo mundo inteiro, para que acolha a paz que o Ressuscitado traz e reflita sobre tudo o que as guerras produzem de destruição.

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