Lumen Gentium: A Igreja como rebanho de Cristo

Cidade do Vaticano (RV) – No nosso espaço Memória Histórica – 50 anos do Concílio Vaticano II, vamos continuar a tratar, no programa de hoje, da Constituição dogmática Lumen Gentium.

A Constituição Dogmática Lumen Gentium é a chave de leitura para todos os outros documentos do Concilio Vaticano II. Sem dúvida é o documento mais importante do Concilio Vaticano II, que fala do mistério da Igreja,  a sua missão para a salvação da humanidade. No programa passado, Padre Gerson Schimdt, que tem nos acompanhado na exposição deste documento, nos propôs a reflexão “Todos os homens são chamados a união com Cristo, luz do mundo”. No programa de hoje, o sacerdote, incardinado na Arquidiocese de Porto Alegre, nos apresenta outras figuras da Igreja propostas pelo documento conciliar. Ouçamos:

“Aqui fizemos já diversos comentários a respeito das imagens utilizadas pela Lumen Gentium para comparar a Igreja. Na interpretação do Concilio, nesses anos todos, se centrou muito a imagem da Igreja como Povo de Deus, esquecendo-se as outras. Aí se se prejudicou a visão mais global. Por isso aqui o fazemos, utilizando todas as imagens e comparativas da Igreja utilizadas pela Lumen Gentium. Já falamos sobre a Igreja como Corpo de Cristo, do qual Cristo é a cabeça, nós os membros. Também comentamos a Igreja que é comparada a uma Esposa. A verdadeira Esposa de Cristo. Cristo que amou a Igreja e se entregou por ela, imaculada, sem ruga e sem mancha.

A Lumen Gentium comenta ainda outras imagens da Igreja. Introduz essas comparativas dizendo assim, no número 6: “Assim como, no Antigo Testamento, a revelação do Reino é muitas vezes apresentada em imagens, também agora a natureza íntima da Igreja nos é dada a conhecer por diversas imagens tiradas quer da vida pastoril ou agrícola, quer da construção ou também da família e matrimônio, imagens que já se esboçam nos livros dos Profetas”.

A Igreja é ainda comparada a um redil, um rebanho, uma grei, onde Cristo é a porta das ovelhas. Embora por pastores humanos, as ovelhas de Cristo são conduzidas e nutridas pelo próprio Cristo, o Bom Pastor e Príncipe dos Pastores, que deu sua vida pelas ovelhas.

Nessa imagem da Igreja como rebanho de Cristo, é importante fazer um resgate inteiro das comparações infinitas da Sagrada Escritura que compara o Povo da Aliança como um rebanho. E há imagens significativas utilizadas pela Bíblia sempre comparando o Povo da Aliança como um rebanho apascentado por Deus. Os pastores humanos nem sempre são fiéis. Foram maus e não apascentaram o rebanho do Senhor. Não cuidaram das ovelhas doentes, das transviadas.

Sempre achei significativo um canto conhecido e cantado em nossas comunidades, na mais variadas regiões do Brasil: “Sou bom Pastor ovelhas guardarei, não tenho outro ofício, nem terei, quantas vidas eu tiver, eu lhes darei. Primeira estrofe: Maus pastores num dia de sombra, não cuidaram e o rebanho se perdeu vou sair pelo campo, reunir o que é meu, conduzir e salvar. Segunda estrofe: Verdes prados e belas montanhas hão de ver o Pastor, rebanho atrás junto a mim, as ovelhas terão muita paz, poderão descansar”. Sem dúvida um canto muito bonito que revela toda a linguagem da Sagrada Escritura que compara a família de Deus, o Povo escolhido como sendo um rebanho a ser apascentado.

O documento dogmático Lumen Gentium, quando usa essa imagem da grei-rebanho, referenda um texto bíblico do Novo Testamento que aponta a missão dos pastores a apascentar o rebanho Cristo, tirado da primeira carta de São Pedro, que diz assim:

“Eis a exortação que dirijo aos anciãos que estão entre vós, – anciãos leia-se aqui os presbíteros – porque sou ancião como eles, fui testemunha dos sofrimentos de Cristo e serei participante com eles daquela glória que se há de manifestar. Apascentai o rebanho de Deus, que vos é confiado. Tende cuidado dele, não por coação, mas de livre vontade, como Deus quer, nem por torpe ganância, mas por devoção, nem como senhores daqueles que vou couberam por sorte, mas antes como modelos do vosso rebanho. Assim, quando aparecer o supremo Pastor, recebereis a coroa imperecível de glória”(1Pdr 5,1-4).

Esse é o imperativo de São Paulo aos presbíteros: “Apascentai o rebanho de Deus, que vos é confiado”. Não por interesse, por coação, por ganância, ou instinto de dominação, comenta a nota de rodapé da Bíblia de Jerusalém. Mas por livre vontade, com dedicação, com devoção, como Deus o quer. Entenda-se devoção aqui nesse texto da Carta de São Pedro, não como um piegas espiritualismo, mas uma profunda dedicação com amor e ardor.

Cabe a cada pastor – cada presbítero na  linguagem paulina – apascentar como modelos do rebanho – de “bom coração”, de “bom grado” – não com tirania, mas com zelo apostólico para congregar a todos na única grei de Cristo – o verdadeiro e bom pastor do rebanho. Como esse belo cântico que recordamos aqui traduz de maneira muito significativa essa missão: “Verdes prados e belas montanhas hão de ver o Pastor, rebanho atrás junto a mim, as ovelhas terão muita paz, poderão descansar”. Seremos bons pastores do rebanho enquanto conduzirmos as ovelhas ao verdadeiro e Bom Pastor que é Cristo”.

 

Fonte: Rádio Vaticano

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