Jesus nos ensina a cumprir fielmente o Evangelho!

    Celebremos Jesus, o Filho amado do Pai, que nos revela o esplendor de sua glória. No segundo Domingo da Quaresma, a Palavra de Deus define o caminho que o verdadeiro discípulo deve seguir para chegar à vida nova: é o caminho da escuta atenta de Deus e dos seus projetos, o caminho da obediência total e radical aos planos do Pai.

    Na primeira leitura(Gn 22,1-2.9a.10-13.15-18) apresenta-se a figura de Abraão como paradigma de uma certa atitude diante de Deus. Abraão é o homem de fé, que vive numa constante escuta de Deus, que aceita os apelos de Deus e que lhes responde com a obediência total (mesmo quando os planos de Deus parecem ir contra os seus sonhos e projetos pessoais). Nesta perspectiva, Abraão é o modelo do crente que percebe o projeto de Deus e o segue de todo o coração. Em duas ocasiões Abraão é chamado e em ambas ele responde: “eis-me aqui”. O tema da Aliança (berit) começado com Noé (domingo passado) parece continuar aqui. O texto mostra três momentos: 1) mandato do Senhor; 2) cumprimento por parte do Senhor; 3) promessa do Senhor(bênção e descendência). A oferta do filho Isaac é sinal de fidelidade de Abraão. Implica em renunciar ao que ele tem de mais caro ante ao apelo do Senhor. É um eloquente e profundo sinal da libertação do povo (cordeiro) e da promessa de vida (descendência).

    O Evangelho(Mc 9,2-10) relata a transfiguração de Jesus. Recorrendo a elementos simbólicos do Antigo Testamento, o autor apresenta-nos uma catequese sobre Jesus, o Filho amado de Deus, que vai concretizar o seu projeto libertador em favor dos homens através do dom da vida. Aos discípulos, desanimados e assustados, Jesus diz: o caminho do dom da vida não conduz ao fracasso, mas à vida plena e definitiva. Segui-o, vós também. Aparecem alguns pontos em comum com a primeira leitura: pessoas, montanha e Palavra de Deus. A transfiguração do Senhor aponta para a transfiguração do cristão no tempo quaresmal e fora dele. O esplendor de Jesus é celeste, as suas vestes não têm comparação, na terra, em alvura! A tenda (skené) e a nuvem (nephelé) são sinais antigos da presença de Deus entre o seu povo. O Pai convida para que se ouça o Filho. É este o Evangelho de Deus.

    A segunda leitura(Rm 8,31b-34) lembra aos batizados que Deus os ama com um amor imenso e eterno. A melhor prova desse amor é Jesus Cristo, o Filho amado de Deus que morreu para ensinar ao homem o caminho da vida verdadeira. Sendo assim, o cristão nada tem a temer e deve enfrentar a vida com serenidade e esperança. Deus, contra a sua vontade, permite o sacrifício de seu Filho Jesus. Cristo, em sua fidelidade ao Pai, oferece a vida por amor a humanidade. Ninguém poderá nos separar desse seu amor por nós; cabe a cada um dos batizados acolhê-lo.

    A fé nos capacita para colaborarmos com os planos divinos de transfigurar a vida de quem foi despojado de sua dignidade. Na transfiguração do Senhor, contemplemos o Cristo, plenitude e cumprimento da lei e dos profetas. A escuta da voz do Filho amado é nossa meta e é por ela que transformaremos o mundo. A Quaresma é o tempo de ouvir e é no silêncio, na escuta e na oração que nos tornamos tendas, moradas do próprio Senhor na escuta do seu Filho.

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