Comece se perguntando: quem vou visitar quando tudo isso acabar? Qual será minha primeira viagem?
Assim como quase não há movimento nas ruas, a imobilidade passou a residir em nossas vidas e, às vezes, até em nossas emoções: nossos projetos são cancelados ou adiados e nossos objetivos e desejos são entorpecidos por ansiedade ou melancolia.
O psicanalista francês Jean-Guilhem Xerri explica: “Diversas manifestações estão começando a aparecer, variando da inquietação que evolui para a ansiedade, da irritabilidade à agressividade e violência, sentimentos de depressão e, por último, comportamentos viciantes que aparecem ou ressurgem”.
Com base nessa observação, ele nos convida a redescobrir a nossa “mobilidade interior”, a fim de estabelecer um novo equilíbrio.
Imaginar o futuro para viver melhor o presente
Como podemos recuperar a “mobilidade interior”? Para Jean-Guilhem Xerri, isso envolve duas práticas: lembrar o passado e projetar o futuro.
Lembrar as dificuldades que já superamos nos ajuda a conquistar as do presente, enquanto “projetar-nos para o futuro nos ajuda a viver melhor no momento presente com todos os seus desafios”, explica o psicanalista.
“Imaginar o futuro tem um grande valor”, diz ele, “o de nos colocar de volta em movimento, para recuperar o impulso, a criatividade e o desejo.” Vamos simplesmente nos perguntar: “Quem irei visitar quando o período de isolamento terminar? Qual será minha primeira viagem? O que eu quero experimentar depois que isso acabar?”. Nossa imaginação pode fornecer uma ampla gama de opções.
Não importa se os desejos que fazemos flutuam de um dia para o outro ou nunca se realizam. O objetivo não é fazer compromissos esculpidos em pedra, mas reviver nossos desejos, expressar nossos sonhos e encontrar a “mobilidade interior” tão em falta neste momento. Tudo isso tem um efeito benéfico no presente.
“Imaginar o período pós-confinamento é uma maneira de fazê-lo existir no presente”, diz Xerri. Então, vamos dar liberdade às nossas imaginações!