Homilia para o 27º Domingo do Tempo Comum – Ano B Amor conjugal, fidelidade e harmonia do lar!

    Neste 27º Domingo do Tempo Comum – Ano B, a Palavra de Deus nos convida a refletir sobre o matrimônio, a união do homem e da mulher segundo o plano original de Deus, e o valor da vida em família. A liturgia destaca a importância do amor conjugal, da fidelidade e da harmonia no lar, tudo isso baseado na criação e na dignidade do ser humano.

    Na primeira leitura (Gênesis 2,18-24), ouvimos a narrativa da criação da mulher, tirada da costela do homem. Deus percebe que não é bom que o homem esteja sozinho e, por isso, cria uma “ajuda adequada” para ele. O texto expressa a igualdade e a complementaridade entre o homem e a mulher. Eles são carne da mesma carne, formados por Deus para viver em comunhão. A frase “os dois serão uma só carne” expressa a unidade profunda e indissolúvel do matrimônio, que está no coração do plano de Deus.

    Jesus reforça essa ideia no Evangelho de Marcos 10,6-9, quando diz:
    “Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne. Portanto, já não são dois, mas uma só carne. Assim, o que Deus uniu, o homem não deve separar.” (Marcos 10,7-9).

    Jesus não só reafirma o plano original de Deus para o matrimônio como também eleva essa união à dignidade de sacramento. No matrimônio cristão, a aliança entre o homem e a mulher reflete o amor de Cristo pela sua Igreja, um amor fiel e sacrificial.

    A segunda leitura, de Hebreus 2,9-11, nos lembra que Jesus se fez semelhante a nós para nos elevar à glória. Ele se tornou irmão da humanidade e, assim, santificou a família humana. Essa leitura nos convida a ver o matrimônio e a vida familiar como caminhos de santidade. A vida conjugal e familiar não é isenta de desafios, mas com a graça de Deus, ela pode ser um verdadeiro caminho para a santificação, onde o amor, o perdão e a paciência são exercitados diariamente.

    O Salmo 127(128) canta a bem-aventurança de quem teme o Senhor e vive segundo seus preceitos. Ele descreve a felicidade de uma vida familiar em Deus, onde a paz, a prosperidade e a fecundidade são frutos da bênção divina: “Tua esposa será como videira fecunda no coração da tua casa; teus filhos serão como brotos de oliveira ao redor da tua mesa.” (Salmo 127,3).

    Este salmo nos mostra que a família é um dom precioso de Deus, e que a vida em comum, quando vivida com amor e fidelidade, gera frutos de alegria e de bênção.

    No final do Evangelho de Marcos (10,13-16), vemos Jesus acolhendo as crianças e dizendo: “Deixai as crianças virem a mim, não as impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que são como elas. Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele.” (Marcos 10,14-15).

    A figura da criança, no contexto familiar, é um exemplo de confiança e dependência de Deus. As crianças confiam plenamente nos pais, e Jesus nos convida a termos essa mesma confiança em Deus. Ele nos ensina que, para entrar no Reino de Deus, devemos acolhê-lo com o coração simples e confiante de uma criança, sem nos encher de orgulho ou autossuficiência.

    A Palavra de Deus neste 27º Domingo do Tempo Comum nos chama a revermos nossa visão sobre o matrimônio e a vida familiar. O matrimônio é uma união sagrada, uma aliança de amor que reflete a união de Cristo com a Igreja. Deus abençoa essa união e a vida familiar com bênçãos de paz e alegria.

    Que possamos, à luz das leituras de hoje, renovar nosso compromisso com a nossa família, com nossos cônjuges, e viver o matrimônio como caminho de santificação. Que nossas famílias sejam verdadeiras igrejas domésticas, onde Deus é amado, e onde a fé, o amor e a esperança são vividos de maneira concreta. Amém.

    +Anuar Battisti
    Arcebispo Emérito de Maringá (PR)

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