EU E O PAI SOMOS UM

    O Evangelho do 4º domingo da Páscoa (Jo 10, 27-30) apresenta uma passagem bem curta, mas que deixa clara a relação essencial entre o verdadeiro Pastor, suas ovelhas, assim como com o Pai. A compreensão deste trecho dentro da liturgia do tempo pascal traz uma lembrança viva de tudo que até aqui tem sido vivido e deve ser entendido dentro do presente contexto litúrgico.  Esta passagem abre também a oportunidade à nova maneira de ser, já presente, mas que se revela ainda mais plenamente. Jesus morto e ressuscitado foi o vencedor absoluto da morte e oferece a suas ovelhas paz, alegria, perseverança para que elas sejam inteiramente suas testemunhas. Ele chama pelo seu nome cada uma destas ovelhas que começaram a segui-lo e lhes abre um caminho no qual a promessa que lhe é feita vai poder se encarnar na vida dos homens, sob a proteção amorosa, poderosa, previdente do Pai. Revela-se assim vida eterna, reconciliada, numerosa, triunfante no cotidiano da morte, do desespero, aberta para o louvor de Deus, pois Ele afirmou: “Eu e o Pai somos um”, Trata-se de uma multidão unida ao divino Pastor e ao Pai celeste. O cristão caminha neste mundo de uma maneira singular na companhia de todos que seguem Jesus, o Filho bendito do Pai. Jesus Ressuscitado presente no mais profundo do ser de seu seguidor, lá onde o Filho e o Pai vêm habitar para que esta vida divina seja transmitida por toda parte numa obediência constante de amor que crê no amor de Deus e na promessa da vida eterna. Mensagem de esperança não obstante as provações pessoais, familiares, eclesiais de cada dia. Tudo isto baseado na certeza absoluta de que Jesus, que é um com o Pai, é o grande vencedor sempre presente na vida do cristão e por ele em toda a sua Igreja. Jesus afirmou que suas ovelhas escutam sua voz, que Ele as conhece e elas O seguem. Existe uma empatia entre as ovelhas e o Pastor e a voz do Pastor não é um som que se impõe. Simplesmente de um tempo a outro o Pastor fala como se dissesse: “Eu estou aqui onde deveis estar”.  A ovelha então O segue, pois reage e age em consequência, sabendo que a vida eterna lhe é prometida e que ela jamais perecerá. Isto porque Ele é um Pastor que defende com mão poderosa. Ninguém poderá arrancar sua ovelha da mão do divino Pastor que é um com o Pai. Admitido assim na intimidade do Pai como Cristo, por Cristo e com Cristo, cada cristão é um enviado, devendo exercer um notável apostolado. Dá-se então o que Deus disse ao Apóstolo Paulo no curso de sua missão e diz também a cada   uma de suas ovelhas: “Eu fiz de ti a luz das nações para que graças a ti a redenção chegue até as extremidades da terra” (Atos 13,47) Compreende-se assim como uma Santa Terezinha do Menino Jesus do fundo de seu convento operou tantas conversões, vivendo no Carmelo, sua identidade missionária, rezando e oferecendo sacrifícios pelas vocações e pela conversão dos pecadores. Em seus escritos autobiográficos, intitulados “História de uma alma”, ela afirma: “Ó Jesus, meu amor, minha vocação, encontrei-a afinal: Minha vocação é o amor! […]”. Com seu ardor missionário operou prodígios. Seu exemplo é caminho para que todos nós sejamos missionários onde nos encontramos: família, trabalho, escola, Conduzidos por Cristo, Protagonista da Missão, o criação sabe que é apenas um semeador. Seu trabalho consiste em apenas lançar as sementes do amor nos corações que encontrar ao longo do caminho. Deus é quem irá cuidar. Apenas uma certeza: o Senhor é quem faz crescer as sementes do amor plantadas em cada vida e em cada história: “Eu plantei, Apolo regou, mas era Deus quem fazia crescer. Assim, aquele que planta não é nada, e aquele que rega também não é nada: só Deus é que conta, pois é ele quem faz crescer” (1 Cor 3,6-7). Pela palavra e pelo exemplo arrastar para junto do bom Pastor aqueles que se acham longe dele, eis a tarefa da verdadeira ovelha de Jesus.  É preciso, porém caminhar seguindo Jesus mesmo quando a cruz de cada dia possa parecer mais pesada e a fidelidade mais penosa. A mensagem do tempo pascal é esta: “Nosso Pastor que é um com o Pai é maior que tudo”! O poder de Deus deverá dizer a última palavra. Cada uma de suas ovelhas deve, porém, sempre fazer sua parte Não faltará nunca seus preciosos dons, mas é necessário saber escutar sua voz, suas inspirações e colocá-las em prática. Estaremos, desta maneira, contribuindo para que haja um só rebanho e um só pastor. Cumpre saber. pelo nome de Cristo. Sofrer e lutar, tudo fazendo para que venha a nós o seu reino. O Senhor deve ser para cada uma de suas ovelhas refúgio e vigor.

    DEIXE UMA RESPOSTA

    Please enter your comment!
    Please enter your name here

    7 − cinco =