EM SINTONIA COM A SEMANA BÍBLICA NACIONAL, IRMÃ ZULEICA FALA SOBRE A CONTRIBUIÇÃO DAS PAULINAS NO SURGIMENTO DO MÊS DA BÍBLIA

Em sintonia com a Semana Bíblica Nacional, promovida pela Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cujo objetivo é marcar o início da celebração do jubileu de ouro do Mês da Bíblia, o portal da CNBB conversou com a irmã paulina Zuleica Aparecida Silvano. Ela falou sobre como se deu o nascimento do Mês da Bíblia e qual foi a colaboração do Serviço de Animação Bíblica, das Paulinas, nesse processo.

Irmã Zuleica Aparecida Silvano

Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico (PIB) de Roma e doutora em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE), em Belo Horizonte, a irmã Zuleica é assessora no Serviço de Animação Bíblica (SAB/ Paulinas); faz parte do corpo docente da FAJE e presta assessoria bíblica em diversos grupos e instituições religiosas.

Também é autora do livro “Introdução à análise poética de textos bíblicos”; integrou o grupo dos tradutores do Novo Testamento de Paulinas e coordena o Grupo Shemah, que elabora os subsídios do Mês da Bíblia, produzidos pelo SAB.

Como nasceu o Mês da Bíblia?

O Mês da Bíblia nasceu após a solicitação de dom João Resende Costa, arcebispo de Belo Horizonte, para os padres, religiosos e religiosas para enviarem sugestões para celebrar os 50 anos da Arquidiocese de Belo Horizonte. Irmã Neli Manfio já havia realizado alguns trabalhos no campo bíblico em Salvador, onde residia e após a solicitação da comunidade das Paulinas em Belo Horizonte, para apresentar um projeto bíblico, elaborou com irmã Eugênia Pandolfo, um projeto de um “Mês da Bíblia”, que foi apresentado em março para dom João Resende Costa e para o Conselho Presbiteral.

A proposta foi aceita e em junho, começaram a preparação, com a ajuda dos padres da diocese: Antonio Gonçalves e Paulo Lopes de Faria. A finalidade era tornar a Palavra de Deus conhecida e que as pessoas pudessem ter a Bíblia em casa, ou pelo menos um Novo Testamento. O lema do mês da Bíblia de 1971 foi baseado num sucesso do Roberto Carlos, a música “Jesus Cristo” que tinha como refrão: Jesus Cristo, eu estou aqui, assim, o lema foi “Bíblia: Jesus Cristo está aqui”.

Por que setembro é o mês da Bíblia? 

O mês de setembro foi escolhido como “Mês da Bíblia”, pois se celebrava a memória de São Jerônimo, dia 30 de setembro, que por solicitação do papa Dâmaso, traduziu a Bíblia das línguas originais para o latim, com a colaboração de Paula e de Eustóquia. O primeiro mês da Bíblia, setembro de 1971, não movimentou somente as paróquias, mas havia atividades em vários segmentos da sociedade, como os hospitais, penitenciárias, os colégios, as universidades, por meio de estudo, explicação da Bíblia, gincanas, maratonas, concurso de Música e outras atividades. Também todos os meios de comunicação da época, ligados à Arquidiocese, e também aqueles que não tinham uma ligação direta com a Igreja Católica. 

Uma novidade foi ter durante 15 dias, foi a exposição na estação rodoviária de Belo Horizonte, com grandes quadros pintados, peças de escultura feitas pelas irmãs, pergaminhos, Bíblias em diversas línguas, pergaminhos, copias dos documentos de Qumram e alguns professores de Bíblia ficavam disponíveis para guiar os visitantes e explicando-lhes as etapas da História da Salvação. Essas atividades eram realizadas por várias comissões. Havia também o envolvimento dos mosteiros contemplativos femininos, que durante o mês rezavam por essa atividade. No encerramento, no dia 30 de setembro de 1971, foi realizada um solene celebração no Minas Tênis Clube, com a entronização da Bíblia, que era uma grande novidade na época.

Esse foi o primeiro Mês da Bíblia, depois a novidade foi a introdução de carros alegóricos com os personagens bíblicos, e teve como propagadora, irmã Maria Pia de Dio, uma paulinas, paulista que trabalhou com as semanas bíblicas várias décadas, desde 1947.

Como se deu a criação dos subsídios bíblicos para o Mês da Bíblia?

Em 1976, o Mês da Bíblia foi assumido pelo Regional Leste II, sendo inaugurado o Centro Bíblico de Belo Horizonte, tendo como coordenado pelo Alberto Antoniazzi (1937-2004), com Imã Maria Pia di Dio e depois irmã Rosana Pulga. Nesse período foram lançados vários subsídios, que eram preparados por essa equipe, sempre com uma paulina e impresso por Edições Paulinas, que na época era a marca comum de dois editoriais independentes, das Paulinas e dos Paulinos, mas com a separação das áreas de editorial, sendo a parte bíblica da responsabilidade dos Paulinos, por isso o material era impresso por eles.

Em 1978, sobre o semanário com os círculos bíblicos da liturgia do domingo e havia um especial para o Mês da Bíblia, chamado Bíblia Deus caminhando com a gente, mais conhecido pro Bíblia-Gente. Em 1984, a atividade era solicitada por diferentes dioceses e o regional não dava conta da demanda e também não poderia tornar uma atividade nacional sem a CNBB. Assim, irmão Israel José Nery, que era assessor da dimensão III, assume em nome da CNBB, mas como apoio, sendo criado um convênio formado por algumas entidades: as Paulinas, os Paulinos, e alguns biblistas, entre eles frei Carlos Mesters, Wolfgang Gruen, padre salesiano.

Assim, em 1985, o Mês da Bíblia ganha um âmbito nacional, ligado com a CNBB, porém animado por esse convênio. Esse convênio chamava-se Serviço de Animação Bíblica, e por ter sido uma iniciativa de Paulinas, havia nas cláusulas desse convênio de que se fosse rompido esse convênio, tudo ficaria com Paulinas, também a sede era de Paulinas. Nesse período, surge o grupo Xemá, que significa “Escuta”, que animava, por meio da preparação de subsídios e promovia cursos de aprofundamento da Bíblia, quando solicitado.  Além de colaboram na preparação desses subsídios, as irmãs paulinas elaboravam programas radiofônicos preparados pelo SEPAR (Serviço à Pastoral do Rádio), cartazetes, adesivos, fotolinguagens, slides, a COMEP/ Paulinas produzia músicas destinadas ao “Mês da Bíblia”, eram elaborados peças teatrais, subsídios para crianças, adolescentes e jovens. Também havia uma ampla divulgação, dado que Paulinas tenha várias livrarias e nessas livrarias eram realizados encontros, cursos, maratonas e outras atividades para animar o “Mês da Bíblia”.

Como eram feitas as escolhas do tema e lema do Mês da Bíblia?

Em 1988, surge outro problema, que foi o final do convênio, dado que várias pessoas desse grupo assumiam outras atividades, o local era pequeno para abarcar a demandas.  Assim, Paulinas assume com uma sede própria para o SAB, tornando-se um Departamento de Paulinas e é feita uma parceria com a CNBB, sendo ajudado pelo apoio pelos assessores da Dimensão III da CNBB, como Inês Broshuis, que eram assessores da Linha III, depois Bernardo Cansi. Nessa parceria, CNBB apoiava, mas a responsabilidade era do Serviço de Animação Bíblica/Paulinas, que promovia anualmente, com os assessores da Dimensão III, os bispos responsáveis por essa dimensão, os coordenadores regionais da catequese e os agentes da Pastoral Bíblica, um encontro anual, financiada pelo SAB (pagava algumas passagens, toda a hospedagem, os assessores), no qual escolhiam o tema, o lema do Mês da Bíblia, sendo sempre ligado com a Campanha da Fraternidade e os participantes recebiam uma formação para poder animar o Mês da Bíblia nos regionais.

Nesse encontro também eram convidadas as entidades Bíblica, entre elas o CEBI, Centro Verbo, a FEBIC-LAC e a CRB/Nacional, que tinha o projeto “Tua Palavra é vida”, juntamente com a CLAR e nessa equipe também havia uma irmã paulina. Essa equipe se chamava GREBI (Grupo de Reflexão Bíblica). Em 1998, SAB/Paulinas, começa a sentir a dificuldade dado que o investimento econômico era grande e porque já havia uma dimensão destinada a Bíblia com a Catequese, assim, após 11 anos (1989-1998) é desfeita essa parceria.

Em 1999, surge o GREBIN (Grupo de Reflexão Bíblica Nacional), formado pelos responsáveis pelas entidades, pelas editoras católicas, que produziam material bíblico e pelos assessores da Dimensão III, com os bispos responsáveis. Em 1996, surge o projeto “Rumo ao Novo Milênio” e a CNBB começa a produzir o subsídio do “Mês da Bíblia”, dado que até então era produzido pelo SAB/Paulinas. Após várias tentativas de unificação do material das diversas entidades, em 2011, ficou combinado que cada entidade e editora produziria o seu material, porém que houvesse em conjunto o tema, o lema e o selo do Mês da Bíblia produzido por José Antonio Pinheiros Filho do MOBON (Movimento da Boa-Nova).

Surge um novo grupo na CNBB, com a unificação do grupo de reflexão da Catequese e da Bíblia, no qual seriam convidados biblistas da participar de grupo e assim não houve mais a participação de irmãs Paulinas.

Como é desenvolvido hoje o Serviço de Animação Bíblica das Paulinas?

O SAB/ Paulinas continua com suas atividades ligadas a Bíblia, tendo como seu carro chefe o “Mês da Bíblia”, por ser uma atividade gerada no seu ventre. Além de cursos diversos, promovemos a leitura orante, cursos EAD sobre o Mês da Bíblia, artigos na nossa revista Família Cristã, o chamado “Dicas Bíblicas” para o site do SAB, temos o aplicativo “Comece o dia feliz” que também é feito por Paulinas, com comentários e leitura orante das leituras da liturgia da semana, temos o Rádio WEB, que também dá um espaço para o “Mês da Bíblia”, além de produzir com o grupo Xemá (com mais de 40 anos de existência) o subsídio do Mês da Bíblia e um comentário para o aprofundamento e vídeos sobre o tema desde 2017, sendo disponibilizados pelos sites de Paulinas e os canais de Youtube, facebook, instagran e outros.

O SAB/Paulinas está lançando um livro sobre o histórico do Mês da Bíblia, intitulado “Mês da Bíblia: memória, desafios e perspectivas”, sendo a primeira parte o histórico (escrita por mim; irmã Rosana Pulga; irmão Neli Manfio e Edinaldo Medina, a segunda seção, temos a parte teológica, com artigos de Carlos Mesters e Orofino (interpretação popular da Bíblia e o Mês da Bíblia); Jaldemir Vitório (pastorais sociais e a Bíblia), Gruen (Bíblia e catequese: orientações de como ler a Bíblia), Danilo Lima e Márcio Pimentel, da Arquidiocese de Belo Horizonte, falando sobre Bíblia e liturgia; padre Manoel Godoy abordando o tema do Mês da Bíblia e as Comunidades; Aragão de Recife, falando sobre a Bíblia e a Religiosidade Popular, padre Joachin Andrade (verbista), com o tema “Bíblia e interculturalidade”; o dom Vicente Ferreira, apresentando os desafios e as perspectivas do “Proclamar a Palavra” na Igreja do Brasil. Na terceira parte, há alguns testemunhos.

Carregamos essa iniciativa em nosso coração, mas o importante é que a Palavra de Deus possa ser sempre mais amada, conhecida e vivida e que realmente possamos criar uma sociedade mais justa e solidária. 

Foto de capa: Ramom Lisboa/EM/DA Press

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