Dia das Crianças: Cinco pequenos brasileiros que são modelo de santidade

 “O Brasil precisa de santos, de muitos santos”, disse o papa São João Paulo II, em 1991, durante a beatificação de Madre Paulina, hoje Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus. Atualmente, no país, há várias pessoas que são modelos de santidade, entre as quais algumas crianças que inclusive entregaram sua vida por amor a Deus. Hoje, ao celebrar no Brasil o Dia das Crianças, apresentamos cinco desses pequenos brasileiros.

1. Bem-aventurada Albertina Berkenbrock

Albertina Berkenbrock foi martirizada aos 12 anos por defender a sua virgindade. Nasceu em 11 de abril de 1919, em Imaruí (SC). Filha de agricultores, recebeu desde cedo uma formação católica. Costumava dizer que o dia de sua primeira comunhão foi o mais belo de sua vida. Confessava-se com frequência e sempre participava da Missa. Também cultivou especial devoção a Nossa Senhora.

Em 15 de junho de 1931, Albertina obedeceu a um pedido de seu pai e foi procurar um animal que estava perdido. No caminho, encontrou seu malfeitor, apelidado “Maneco Palhoça”. Perguntou se ele sabia onde estava o animal que procurava e o homem lhe indicou uma pista falsa, enviando a menina para o local onde tentou violentá-la. Albertina resistiu. Sem conseguir derrotá-la, Maneco degolou Albertina com um canivete.

Em seguida, o homem escondeu o canivete e foi avisar à família da menina que ela tinha sido assassinada. Maneco acusou um outro homem, chamado João Cândido, que chegou a ser preso. Segundo relatos, Maneco não parava de ir e vir na sala do velório e, ao aproximar-se do caixão, a ferida no pescoço de Albertina começou a sangrar novamente. Então, o prefeito da cidade mandou soltar João Cândido e, com ele, pegou um crucifixo na capela. A cruz foi colocada sobre o peito de Albertina, João se ajoelhou e, com as mãos no crucifixo, jurou ser inocente. Naquele momento a ferida teria parado de sangrar. Após ser preso, Maneco confessou o crime e deixou claro que Albertina não cedeu à sua intenção de manter relações sexuais com ela porque não queria pecar.

Albertina Berkenbrock foi proclamada Bem-Aventurada em 20 de outubro de 2007 pelo papa Bento XVI.

2. Beato Adílio Daronch

O Beato Adílio Daronch também foi um mártir da fé. Nasceu em 25 de outubro de 1908, perto de Dona Francisca, na zona de Cachoeira do Sul (RS). Seus pais, Pedro Daronch e Judite Segabinazzi, tinham oito filhos. A família se mudou para Passo Fundo (RS) em 1911 e, em 1913, para Nonoai (RS). O menino fazia parte do grupo de adolescentes que acompanhava padre Manuel Gómez González em suas viagens pastorais, ajudando-o como coroinha.

Certa vez, o bispo de Santa Maria (RS), dom Ático Eusébio da Rocha, pediu que padre Manuel fosse visitar um grupo de colonos instalados na floresta de Três Passos (RS), viagem que o sacerdote realizou na companhia do jovem Adílio. Nesta época, o Rio Grande do Sul vivia a Revolução de 1923, a disputa armada entre partidários do então presidente do Rio Grande do Sul, Borges de Medeiros, conhecidos como Ximangos, e os revolucionários aliados de Joaquim Francisco de Assis Brasil, chamados de Maragatos. Mesmo assim, padre Manuel não deixava de pregar e ensinar os valores cristãos.

Durante a viagem, padre Manuel e o coroinha Adílio pararam em Palmeiras (RS), onde o sacerdote administrou os sacramentos exortou os revolucionários ao dever da paz. Os revolucionários, porém, não gostaram das palavras do sacerdote nem do fato de ter dado sepultura cristã às vítimas dos bandos locais. Apesar dos riscos, padre Manuel seguiu a viagem. Adílio decidiu continuar o acompanhando, embora soubesse das ameaças sofridas pelo sacerdote.

Os dois caíram em uma emboscada e foram levados para uma zona de floresta, onde foram amarrados em duas árvores e fuzilados, morrendo por ódio à fé e à Igreja Católica, em 21 de maio de 1924. Adílio tinha apenas 15 anos. Os dois foram beatificados em 21 de outubro de 2007.

3. Venerável Nelsinho Santana

O Venerável Nelson Santana, conhecido como Nelsinho, foi um menino brasileiro que teve seu braço amputado e sofreu muitas dores, mas suportou tudo por Jesus. Em um hospital, previu que morreria na noite da véspera de Natal.

Nelsinho nasceu em Ibitinga (SP), em 31 de julho de 1955, sendo o terceiro dos oito filhos do casal João Joaquim Santana e Ocrécia Santana. Certo dia, aos 7 anos, enquanto brincava na fazenda onde vivia com sua família, machucou gravemente o braço e precisou ser levado à Santa Casa de Misericórdia de Araraquara (SP). No hospital, conheceu irmã Genarina, que lhe propôs que aproveitasse o tempo que passaria internado para fazer uma boa catequese, algo que logo aceitou.

Tempos depois, recebeu alta hospitalar e retornou para casa de seus pais. Mas, por causa de fortes dores no braço, precisou ser internado novamente. Desta vez, o médico avisou que não havia outra solução a não ser amputar o braço da criança. Quando irmã Genarina foi contar para o menino que precisaria amputar o braço, disse-lhe que Jesus ia lhe pedir “bem mais do que sua dor”. Para a surpresa da religiosa, o menino respondeu: “Mesmo que seja meu braço por inteiro, Jesus pode levar, pois que tudo o que é meu também é Dele”.

Em 1964, o missionário redentorista Gerhard Rudolfo Anderer chegou a Araraquara para um curso dos novos padres e conheceu Nelsinho durante uma visita ao hospital. O menino lhe contou que estava ali há oito meses e que gostaria de comungar todos os dias. Padre Gerhard, então, se comprometeu a levar Jesus Eucarístico diariamente para Nelsinho.

Quando chegou o período do retiro dos redentoristas, padre Gerhard foi avisar a Nelsinho que ficaria fora por um tempo e o menino lhe revelou que gostaria de passar o Natal no Céu, se Jesus também quisesse. Como o Natal ainda estava longe, afirmou que assim teria mais tempo para se preparar.

Na véspera de Natal, padre Gerhard foi escalado para auxiliar na celebração na cidade de Fernando Prestes (SP).  Antes de viajar, foi dar a comunhão a Nelsinho e o menino lhe disse que naquela noite Jesus o levaria para o céu. Disse ainda com o padre: “Todos os dias, na hora da Santa Missa, após a Consagração, quando o padre levantar Jesus Hóstia, diga com poucas palavras a Ele o que quer, pois eu estarei bem atento ao lado dele para insistir, com confiança, puxando Sua manga, dizendo: ‘Jesus, atende o padre, atende toda esta gente’”.

Depois desse que seria o último encontro entre os dois, padre Gerhard foi para Fernando Prestes, onde presidiu a missa às 19h, mesmo hora em que Nelsinho morreu, em 24 de dezembro de 1964. O papa Francisco reconheceu as virtudes heroicas de Nelsinho Santana em 2019.

4. Venerável Benigna Cardoso da Silva

A Venerável Benigna Cardoso é também conhecida como a “heroína da castidade”. Foi assassinada aos 13 anos, defendendo a sua virgindade. Seu martírio foi reconhecido pelo papa Francisco em outubro de 2019. Inicialmente sua beatificação havia sido marcada para 21 de outubro de 2020, mas foi adiada por causa da pandemia de covid-19. Ainda não há uma data prevista para a beatificação da menina que se tornará a primeira beata cearense.

Benigna Cardoso da Silva nasceu em 15 de outubro de 1928, em Santana do Cariri (CE). Era muito religiosa e temente a Deus. A menina era assediada por um colega de escola, mas rejeitou as propostas dele. Então, em uma tarde de sexta-feira, Raul Alves, sabendo que a menina costumava buscar água perto de casa, escondeu-se atrás do mato e a abordou, tentando abusar dela. Como Benigna resistiu e dizia “não” com veemência, o rapaz a golpeou com um facão e a matou.

Na época do assassinato, padre Cristiano Coelho Rodrigues, que foi mentor espiritual da menina, escreveu a seguinte nota ao lado do seu registro de batismo: “Morreu martirizada, às 4 horas da tarde, no dia 24 de outubro de 1941, no sitio Oiti. Heroína da Castidade, que sua santa alma converta a freguesia e sirva de proteção às crianças e às famílias da Paróquia. São os votos que faço à nossa santinha”.

5. Serva de Deus Odetinha

Odette Vidal de Oliveira nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 15 de setembro de 1930. Seu pai morreu de tuberculose antes que ela nascesse e sua mãe, Alice, se casou novamente com o rico Francisco Oliveira, que adotou a pequena e a educou na fé católica.

A menina ficou conhecida pelo seu amor à Eucaristia e pela caridade, sendo um testemunho de fé, simplicidade e humildade. Recebeu sua primeira comunhão em 15 de agosto de 1937, no Colégio São Marcelo, da Paróquia Imaculada Conceição, em Botafogo. Desde então, ao receber a comunhão, dizia: “Oh meu Jesus, vinde agora ao meu coração!”. Seu confessor atestou sua fé viva, confiança inabalável, intenso amor a Deus e ao próximo.

Dedicada à caridade com os que mais precisavam, gostava de ajudar sua mãe, que fazia uma feijoada aos sábados para os pobres. A menina, então, colocava seu avental e servia a todos alegremente. Rezava o terço diariamente, revelando sua total confiança em Nossa Senhora. Também se queixava pelo fato de São José, que tanto trabalhou e sofreu por Jesus e Nossa Senhora, ser tão pouco honrado.

Nos últimos quarenta e nove dias de sua vida sofreu dolorosa enfermidade, paratifo, suportada com paciência cristã. Dizia: “Eu vos ofereço, ó meu Jesus, todos os meus sofrimentos pelas missões e pelas crianças pobres”. Em 25 de novembro de 1939, recebeu a Sagrada Comunhão de manhã e, em ação de graças, disse: “Meu Jesus, meu amor, minha vida, meu tudo”. Pouco depois, a menina morreu.

Seu processo de beatificação teve início em 2013. No início de 2015 foi encaminhada à Santa Sé a documentação reunida pelo Tribunal Eclesiástico da arquidiocese do Rio, que recebeu parecer favorável pela Congregação da Causa dos Santos, em 2016.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

11 + 6 =