Combate ao suicídio

    Alegoria maior, a de São Francisco de Assis, ao desmontar do fogoso cavalo do orgulho e da autossuficiência, querendo ser a menor de todas as criaturas, foi chamar a atenção para o valor indizível da vida como um todo. Com seu espírito aberto ao mistério do absoluto, ele quer fertilizar o deserto interior da humanidade, falando-nos, ao coração, da vida como dom e graça, como condição, em última palavra, para participarmos da fraternidade universal, com todos os que buscam o misterioso sonho da vida sem ocaso. À medida que a pessoa humana entende que é necessário palmilhar, com mais elevada disposição, o seu percurso natural, interiormente, cresce e se realiza como irmão entre irmãos.

    O dia de combate ao suicídio, 10 de setembro, nos ajuda a pensar numa reflexão solidária neste “setembro amarelo”, a partir das pessoas que sofrem e que carregam consigo uma enorme angústia, aquela precisamente de sair de circulação, de suprimir e de se desfazer da própria vida. Não é fácil para muitos superarem a dor, nas suas contingências de seres humanos: ânsia, ansiedade, aflição, tristeza. O que fazer quando pessoas pensam em tomar medidas drásticas, no que diz respeito à própria vida, quando planejam sair de circulação?

    Na estrada do suicídio, diversas são as circunstâncias de ventos e forças contrárias. Como encontrar energias para atravessar essas marés e tempestades inerentes à própria existência? Hoje é muito comum o suicídio, mesmo dentro da Igreja Católica. Há dois meses um colega ligou para mim, a fim de informar-me que um sacerdote se suicidou com chumbinho, aquele veneno de rato. Na estrada da vida, dom de Deus que se revela no Livro Sagrado e na Eucaristia, o que nos falta? Que a sede e a fome que as pessoas sentem de Deus, no seu projeto de amor, sejam um desejo de beber da água verdadeira e do alimento que não se extingue, realização do sonho do Pai, concreto em Jesus de Nazaré, seu Filho.

    Nossa missão, decorrente do batismo, é para que sejamos pessoas marcadas pela graça de Deus, no anúncio e no testemunho, com a tarefa de transformar a realidade, marcada pelo pecado e por todo tipo de contradição, no dever de fermentá-la e transformá-la numa nova civilização. A realidade do suicídio, em tempos de pandemia, está mais presente no nosso mundo, exigindo, de nós cristãos, encontrar meios para enfrentar o fardo, ou a carga, desse desafio.

    É também dever solidário de cada cristão, diante da problemática do mundo hodierno, em suas dores e angústias de toda natureza, pedir indulgência, clemência e complacência. Pode-se pedir sábia compaixão, de comungar sempre mais com a exigente missão, de apresentar concretos sinais de solidária esperança, com a vida acima de tudo. Assim seja!

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